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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Justiça determina que Michel Temer e Coronel Lima voltem à prisão

A 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) decidiu nesta quarta-feira (08) pela revogação do habeas corpus do ex-presidente Michel Temer e do seu amigo, João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima. Os dois terão que voltar à prisão, e a pedido das defesas poderão se apresentar em locais a serem determinados.
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quarta-feira, 8 de maio de 2019

A serpente sai do ovo, por Luiz Gonzaga Belluzzo

Um governo que anuncia um corte de 30% no orçamento das universidades federais e, ainda, propõe a eliminação dos cursos de filosofia e sociologia dos currículos escolares estaria acometido de qual doença? Em artigo publicado nesta terça-feira (7), no jornal Valor, o professor do Instituto de Economia da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo procura responder a essa questão, recorrendo aos movimentos históricos que levaram a humanidade a gerar o iluminismo e, agora, a retomar visões medievais.
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sábado, 2 de junho de 2018

Política, poder e economia: 'Pontos para embasar uma análise de conjuntura'

Por Maurício Abdalla*, no Le Monde Diplomatique, em 24/05/2017 - "O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros".
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quarta-feira, 7 de março de 2018

Reportagem do Fantástico joga culpa da crise nas costas do PT. Por Joaquim de Carvalho

Segundo o jornalista Joaquim de Carvalho, que já trabalhou na revista Veja, Jornal Nacional e outros veículos de mídia, uma reportagem que a Globo levou ao ar através do Programa Fantástico do último domingo (07) não é exatamente um trabalho jornalístico, mas uma propaganda. Propaganda contra Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT).
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domingo, 4 de dezembro de 2016

A crise brasileira passou de política a institucional, como previsível

Por Janio de Freitas, na Folha - Sob uma situação de abalos políticos sucessivos, em meio a condições econômicas ruinosas, os países não costumam esperar por eleições ainda distantes para buscar a normalização, encontrem-na ou não. Em política não há regras absolutas, mas há propensões historicamente predominantes. É o caso.


O Brasil está no terceiro ano de uma desconstrução que só tem encontrado estímulos, nenhum obstáculo. A crise passou de política a institucional, como previsível. Quem apoiou o impeachment com a ideia de que seria um fato isolado tem elementos agora para começar a entendê-lo. O confronto protagonizado por Judiciário e Legislativo tem as formas de divergências legais e vinditas mútuas, mas o seu fundo é institucional: é disputa de poder.

Possibilitada pelo desaparecimento do terceiro dos Poderes, nas circunstâncias em que uma institucionalidade legítima (à parte o governo insatisfatório) foi substituída por um faz de conta.

Entre o Congresso e o governo Dilma, o confronto foi por fins políticos. Entre o Judiciário e o Congresso, o confronto é de poder sobre as instituições. Nisso, como está e para onde vai o desaparecido Poder Executivo, o governo Temer? Em entrevista à Folha, o ex-ministro Joaquim Barbosa e suas vigorosas formulações referiram-se à atual "Presidência sem legitimidade, unida a um Congresso com motivações espúrias". A segunda pior conjunção, sendo a primeira a mesma coisa em regime militar. Embora sem essa síntese de Joaquim Barbosa, o sentimento que se propaga nos setores influentes a representa muito bem. A possível falta de igual capacidade de formulação é suprida pelas dores das perdas e pelos temores dos amanhãs sombrios.

Quando a imprensa, que auxilia Temer na expectativa de uma política econômica à maneira do PSDB, libera notícias de preocupação incipiente, aqui ou ali entre empresários, com a falta de medidas recuperadoras, as reações já estão muito mais longe. "O que fazer?" é uma pergunta constante. As referências a Temer e Henrique Meirelles não o são, nas respostas especulativas sobre o que seria necessário para remendar a pane econômica. Mas os vazios dos dois nomes preenchem-se com vários outros, políticos para um lado, economistas para o outro.

Os sussurros e a cerimônia começam a desaparecer, em favor da objetividade. É um estágio conhecido. Temer o conhece como praticante, desde quando costurava com Aécio Neves a conspiração do impeachment. Agora o conhece como alvo. Sem a companhia de Aécio. Aliás, parece possível dizer, apenas, sem companhia: não faltam nem peemedebistas de alto escalão, digamos, nas inquietações. Não é outro o motivo do chamado do atônito Temer a Armínio Fraga, guru do neoliberalismo, e ao PSDB para se imiscuírem no gabinete de Henrique Meirelles, cuja carta branca é cassada sem aviso prévio e publicamente.

Daqui à sucessão normal são 25 meses. Mais de três vezes os meses que desmoralizaram a propaganda sobre as maravilhas do governo pós-impeachment, com Temer, Geddel, Moreira e outros. E o PSDB, com três ministros, como avalista. São 25 meses em que o teto de gastos e a reforma da Previdência, se chegarem à realidade, ainda não terão produzido mais do que as conhecidas agitações ou, cabe presumir, convulsão mesmo. Mas certas pessoas nem pensam mais nos meses que faltam. Ou faltariam.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Mensalão Mineiro e Trensalão: casos onde além da convicção, existem provas

Por Francisco Toledo (*) - "Durante apresentação do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Lula, o promotor Roberson Pozzobon disse que não existem “provas cabais de que Lula é efetivo proprietário no papel do apartamento”, mas que tem “plena convicção” dos fatos. Mas e os casos de corrupção onde além da convicção, existem provas?"


"Nem os blogs e jornalistas de direita gostaram da denúncia apresentada pelo MPF nesta quarta-feira (14) contra o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, além de seis pessoas no âmbito da Operação Lava Jato.

Veja o que disse o blogueiro Reinaldo Azevedo, da VEJA: “Se o MPF tem provas de que Lula é o dono do apartamento, elas não foram apresentadas — o que se tem ali são as circunstâncias”.
Estamos falando do mesmo jornalista que pratica uma oposição radical ao governo petista desde 2002.

Reinaldo vai além: “É inadmissível que o Ministério Público arme aquela cena, sim, mas sem apresentar o tipo penal: cadê a denúncia que aponta, então, Lula como o chefe de uma organização criminosa?” — escreve o blogueiro de direita.

Durante um verdadeiro show de Power Point, o promotor Roberson Pozzobon assumiu: “Em se tratando de lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de se manter as aparências de licitude, não teremos aqui provas cabais de que Lula é efetivo proprietário no papel do apartamento” — algo que já é escandaloso o suficiente para chamar a atenção sobre a legitimidade do caso.


Mas afinal, qual a necessidade de se conseguir provas em um julgamento midiático, onde o que está em jogo não é apenas o fato de Lula ter cometido um crime ou não, mas sim interesses políticos e econômicos para brecar a sua candidatura em 2018.

Ao contrário do caso apresentado pelo promotor do MPF contra o ex-presidente, existem diversos outros exemplos onde a corrupção vai além da convicção — mas nem por isso houve justiça.

Listamos dois casos:

O Mensalão Mineiro (ou Mensalão Tucano)

Trata-se do escândalo de peculato e lavagem de dinheiro que ocorreu na campanha para a reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) em Minas Gerais, no ano de 1998. O ex-governador tucano foi denunciado pelo PGR ao STF, como“um dos principais mentores e principal beneficiário do esquema implantado”.

O escândalo envolvia o empresário Marcos Valério, que ficou conhecido apenas no caso do “mensalão petista”, no primeiro mandato do governo Lula. Porém, apurações mostraram o envolvimento de pessoas ligadas à Cemig (estatal de energia mineira) e à Copasa (estatal de saneamento mineira). Nove anos depois, o PGR denunciou ao STF que esse esquema serviu como uma espécie de “laboratório” ao Mensalão petista.

A denúncia do PGR deixa claro: “Embora negu conhecer os fatos, as provascolhidas desmentem sua versão defensiva [sobre Azeredo]. Há uma série de telefonemas entre Eduardo Azeredo, Marcos Valério, Cristiano Paz e a empresa SMP&B, demonstrando intenso relacionamento do primeiro com os integrantes do núcleo que operou o esquema criminoso de repasse de recursos para a sua campanha”.

Cerca de 11 anos depois, Azeredo se tornou réu pelo esquema montado, a partir de votação no STF.

Porém, um ano depois, Azeredo conseguiu se eleger livremente deputado federal, em 2010. Dois anos depois ainda se tornou Presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicações, assumindo em 2015 as funções de Consultor de Assuntos Internacionais da FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais). Pouco depois, no final do ano passado, teve a “honra” de ser nomeado Consul Honorário da Coreia do Sul em Minas.

Apesar de ter sido condenado a 20 anos e dez meses de prisão, ele segue livre, quase 20 anos após o caso.

Trensalão

O Caso Alstom (mais conhecido como “Trensalão”)

Caso mais recente que o Mensalão Mineiro, o Trensalão Tucano foi um esquema de corrupção ocorrido em São Paulo, culminando na formação de um cartel entre corporações transnacionais para fraudar licitações do Metrô e da CPTM. Pelo menos cinco contratos fraudulentos foram assinados entre 1998 e 2008, nas gestões de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra — todos do PSDB.
As denúncias envolviam grandes empresas, como a Siemens, Alstom, Bombardier, CAF e Mitsui.

E foram funcionários da própria Siemens que denunciaram o caso — algo que se não fosse por eles, provavelmente nunca teria sido tornado público. Segundo eles, as corporações internacionais combinavam previamente os preços de vencedores e perdedores das licitações para a aquisição de equipamentos e serviços ferroviários, faturando acima do preço correto. Na denúncia, empresários corromperam políticos e autoridades ligadas ao PSDB, além de servidores públicos de alto escalão.

Em maio de 2015, seis representantes da Alstom, Temoinsa, Tejofran e MPE, contratadas para a reforma de trens que foram suspendidos em seus contratos pelo MPSP em 2013, foram denunciados pelo próprio Ministério Público, além da prisão preventina de César Ponce de Leon, que foi diretor da Alstom.

Nenhum integrante do PSDB, citado pelos funcionários da Siemens que denunciaram o esquema, foi preso até hoje."

(*) Francisco Toledo é co-fundador e escritor pela Agência Democratize em São Paulo

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sexta-feira, 25 de março de 2016

Por favor, onde posso me informar sobre a crise?

Artigo de Carlos Castilho, publicado na edição nº 895 do Observatório da Imprensa, em 21/03/16 - "Esta é a pergunta que mais tenho escutado nos últimos dias durante conversas pela internet e em debates públicos ou de botequim. Impressiona a quantidade de brasileiros confusos e desorientados diante de uma batalha informativa que aumenta de intensidade a cada dia e cujo desfecho não é possível vislumbrar. É o drama vivido por pessoas que não vestiram nenhuma camiseta partidária e que sofrem as consequências de um turbilhão de versões e contra- versões difundidas freneticamente por uma imprensa que perdeu o senso de isenção.

Crise-informação
Para tentar dar uma resposta aos milhares de leitores perplexos é necessário primeiro entender por que as pessoas estão vivendo este tipo de preocupação hoje . A desorientação informativa tem duas causas principais: uma estrutural, a mudança nos hábitos, comportamentos e valores informativos provocada pela internet, redes sociais, blogs e outros sistemas que dão às pessoas o poder de publicar suas opiniões e informações; e uma causa conjuntural, provocada pela crise político/partidária que estamos vivendo no Brasil e que gerou uma polarização ideológica nos veículos de comunicação do país.

A crise política funcionou como agravante de uma situação que as pessoas já vinham sentindo quando entravam em alguma rede social e percebiam a avalanche de novos dados, fatos e eventos que desafiam a capacidade de compreensão e contextualização, ou seja, de transformá-los em informações capazes de orientar nossos comportamentos.

O tsunami noticioso

A guerra de versões e contra-versões já existia em crises anteriores, como o golpe de 1964 e o impeachment de Collor, mas os protagonistas da guerra informativa se resumiam a uns poucos jornais, uma dúzia de emissoras de rádio e não mais de três redes de televisão. Agora há quase 100 milhões de brasileiros com acesso à rede social Facebook, onde se informam e opinam sobre os fatos de atualidade. Cerca de 25 milhões dos internautas tupiniquins visitam diariamente blogs noticiosos, um número muito maior do que a soma de todos os leitores de todos os jornais e revistas publicados no país. O resultado inevitável é uma mega cacofonia informativa.

A busca de resposta para a pergunta do título implica num mergulho em um dos mais complexos dilemas da nova era informativa que estamos vivendo. As pessoas estão procurando uma referência, uma espécie de oráculo informativo no qual possam confiar integralmente. Mas a dura realidade é que este oráculo não existe, o que nos leva a ser contaminados pela sensação de que vivemos no meio de um caos informativo. As pessoas procuram certezas mas só encontram dúvidas.

Fomos, em grande parte, educados na tradição cristã de que há uma verdade absoluta. Os antigos acreditavam que ela emanava de divindades. Hoje, a cultura ocidental tende a transferir a certeza informativa para empresas, como jornais, e instituições como os tribunais, juízes e cortes supremas. No entanto, depois da revolução nas tecnologias de informação provocada pela internet, até esta certeza começou a ser posta em dúvida graças à divulgação massiva de dados, fatos, eventos e processos antes ocultos sob o manto do sigilo e da omissão noticiosa.

A ilusão da verdade absoluta

O certo é que perdemos o conforto de depositar em alguém ou em alguma instituição a tarefa de nos dizer o que é certo ou errado, justo ou injusto, necessário ou supérfluo. E na atual conjuntura de crise nacional, não temos nem um jornal plenamente confiável e nem uma televisão acima de qualquer suspeita. Não podemos nem mais acreditar no que dizem governantes, políticos, magistrados, pesquisadores e líderes religiosos. Suas declarações e ações respondem a interesses ou estratégias partidárias e nos faltam elementos para identificá-los e compreendê-los.

As pessoas comuns sentem os efeitos da insegurança informativa de forma diferente. Quem vestiu a camiseta partidária tem menos preocupações porque de certa forma transferiu suas dúvidas para uma instituição ou liderança. O que o partido ou dirigente partidário decidirem, é o que vale e é verdadeiro. Já os que não militam em organizações políticas e decidiram pensar pela própria cabeça estão mergulhados na incerteza, que é angustiante e que motiva a pergunta do início deste artigo.

Para respondê-la é necessário primeiro admitir que não podemos nos informar lendo apenas um jornal, uma revista ou assistindo apenas a um telejornal ou só os blogs com os quais concordamos politicamente. A diversidade de fontes é hoje mais importante do que nunca por causa da avalanche de informações publicadas diariamente em todos os veículos de comunicação, tanto os impressos e audiovisuais, como os da internet. É o que dizem os pesquisadores científicos, talvez aqueles que mais dependem de informação confiável e exata para poder desempenhar seu trabalho.

Evidentemente são pouquíssimas as pessoas que dispõem de tempo para ler diariamente vários jornais, revistas, assistir diferentes telejornais e passar várias horas na internet navegando por sites noticiosos. Mas o pouco que cada um sabe pode se transformar num belo acervo informativo quando compartilhado em grupos ou comunidades sociais. É o que está acontecendo em países onde a avalanche informativa é mais intensa, como os Estados Unidos.

Apanhadas no meio do fogo cruzado da batalha informativa as pessoas buscam nas conversas e debates com vizinhos, colegas ou amigos a forma de compensar a angústia por não terem condições de entender o que está acontecendo. Os que já praticam esta modalidade de captação, processamento e difusão de notícias sabem que é inviável chegar a certezas absolutas. Mas pelo menos a angústia diminui.

A produção colaborativa de informações não é mais um jargão exclusivamente jornalístico pois está sendo adotado também por grupos de cidadãos que já sentem na carne a necessidade de mudar comportamentos e valores na hora de se informar. Estamos sendo obrigados a reaprender a ler uma notícia porque suas causas e consequências passam a ser mais importantes do que o fato, dado ou evento noticiado .

Também estamos sendo forçados a trocar nossos valores individualistas pela colaboração. Para nos informar visando formar opiniões pessoais, precisamos agora mais do que nunca conversar com outras pessoas e ouvir delas os dados e informações de que não dispomos.

Talvez esta não seja a resposta que muitos esperavam, mas é a melhor que se pode dar no contexto atual."

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A Grande Aposta, o filme que mostra como somos burros

Mais uma escrita sobre o filme “A Grande Aposta”, que conclui com outra sugestão de leitura sobre o assunto. Já replicamos por aqui uma análise feita do longa, publicada por Mariane Morisawa no jornal O Estado de S. Paulo, de 15-01-2016. Na trama, segundo sinopse do site especializado na sétima arte, adorocinema, “Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

As pedaladas domésticas dos brasileiros

Renato Meirelles*, no site da revista Brasileiros – “A atual crise econômica, que afeta o cotidiano dos brasileiros, tem provocado uma verdadeira mudança no comportamento da população, que não esconde o pessimismo com os rumos do País. Como a economia parou de alavancar os sonhos de consumo, o mau humor dos brasileiros é muito grande. E essa insatisfação é muito fácil de ser compreendida. Como diz meu amigo Carlos Ferreirinha, especialista em consumo de luxo, “quem bebe champanhe não quer voltar a beber cidra”. Quando ocorre a melhora de vida, é muito difícil aceitar uma volta atrás.

Já que a instabilidade econômica provocou mudanças de hábitos, principalmente na hora de fazer compras, os brasileiros estão fazendo as próprias pedaladas domésticas. O que eu tenho observado nas pesquisas do Data Popular é que os brasileiros estão se virando para pagar as contas. Para não parar de comprar, de um lado, o brasileiro faz de tudo para conseguir uma renda maior do que ele tinha antes – sete em cada dez já realizaram alguma ação para aumentar a renda.

Do outro lado, o brasileiro faz de tudo para economizar. Na crise, não existe fidelidade com as marcas. Na hora de comprar, ele troca marcas caras por mais baratas, estoca produto quando está em promoção, faz compras coletivas no atacado e divide a conta com o vizinho. Além de pesquisar mais os preços, reaproveita melhor os alimentos. Tudo isso para não fechar o orçamento da família no vermelho.


É o ajuste fiscal dentro de casa. Por isso, muitas famílias começaram a economizar, mudaram o comportamento para conseguir diminuir os gastos e aprenderam a identificar de verdade o que é necessário para a família continuar vivendo bem. O aumento da inflação, que já acontece há algum tempo, e o medo do desemprego, que é um fenômeno mais recente, fazem com que o brasileiro comece a adotar as próprias medidas, sem esperar atitudes do governo. Caso alguém fique desempregado, a família estará protegida.

Se o governo está com dificuldades para colocar as contas em dia, na casa de muitos brasileiros a situação não está muito diferente. Muita gente só está conseguindo pagar as contas quando tem um fôlego no orçamento.

Encontrar essa brecha está cada vez mais difícil. Por causa do encolhimento da renda, muitas famílias que se encontram apertadas fazem o rodízio de contas. Deixam de pagar a conta de água, luz e condomínio por um curto período e priorizam o pagamento de contas com juros mais altos, como o cartão de crédito, por exemplo. Não é que a pessoa não ache importante pagar a luz. Mas é que ela pode atrasar dois meses e pagar juros bem menores antes do corte do fornecimento.

Outro fenômeno que vem crescendo por causa do atual cenário de recessão econômica
é a venda do vale-refeição. Muitos trabalhadores estão trocando o benefício que recebem da empresa por dinheiro como forma de ter uma renda extra além do salário que recebe. Parte dessas pessoas tem o hábito frequente de vender o vale-refeição para conseguir mais dinheiro. Outra parte adota esta prática e forma eventual.

É preciso ter em mente que a atual situação do País tem provocado uma série de insatisfações na população. Os brasileiros estão mais exigentes e querem saber para onde vão. Eles não estão vendo uma luz no fim do túnel. O principal desafio do governo é estabelecer uma reconexão com os brasileiros em geral. É preciso encarar as críticas e o dissenso de frente. Em momentos de cautela, doses de otimismo são necessárias.”

*Renato Meirelles é presidente do Instituto Data Popular

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

O ajuste do desajuste fiscal: os verdadeiros vilões

Por Fabrício Augusto de Oliveira (*) – “Ocultar a principal causa do desequilíbrio e do maior endividamento do Estado, atribuindo a responsabilidade exclusivamente aos gastos não financeiros - para expulsá-los do orçamento e ampliar os espaços dos ganhos da riqueza financeira - é de uma desonestidade intelectual que tem de ser repudiada”.

Depois de muita hesitação, o governo anunciou, no dia 28 de outubro, um novo ajuste do desajuste fiscal: em vez de um superávit primário de R$ 8,7 bilhões, correspondente a 0,15% do PIB, como prometido em julho, distribuído entre o Governo Central (0,1%) e estados e municípios (0,05%), admitiu que a União deverá registrar um déficit de R$ 51,8 bilhões, ou de 0,9% do PIB, mantendo-se a projeção do superávit para os governos subnacionais, o que, para o setor público consolidado corresponderá a um déficit, no ano, de 0,85% do PIB.
Este será o segundo ano consecutivo de geração de um déficit primário do setor público, já que, em 2014, registrou-se também um resultado negativo de 0,63% do PIB, o que não ocorria desde 1997 e, menos ainda, a partir de 1999, quando, cedendo às imposições do capital financeiro, o governo PSDB/Fernando Henrique Cardoso comprometeu-se com a geração de elevados superávits primáriospara pagar, pelo menos parcialmente, parte dos juros da dívida dos credores do Estado.

Tal compromisso continuou sendo rigorosamente cumprido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva e durante os três primeiros anos do mandato da presidente Dilma Rousseff, mas acabou sendo negligenciado com a política expansionista dos últimos anos diante da queda das receitas provocadas pelas renúncias fiscais feitas pelo Estado na busca infrutífera do crescimento econômico e pela crise econômica que se instalou no país.

O rombo projetado de 0,9% do PIB no orçamento do Governo Central pode, no entanto, ser maior, caso fracasse o leilão de 29 hidrelétricas, marcado para novembro, com o qual o governo espera arrecadar R$ 11,1 bilhões, e caso tenha, também, de efetuar o pagamento de todas as “pedaladas fiscais” que foram dadas anteriormente, que somam R$ 40,2 bilhões. Nessa hipótese mais pessimista, o déficit chegaria a R$ 103,1 bilhões para a esfera federal (ou 1,78% do PIB) e a R$ 100,2 bilhões para o setor público como um todo (1,73% do PIB).

O rombo “real” do Governo Central no ano pode chegar, portanto, a R$ 62,9 bilhões, equivalente a 1,09% do PIB, considerando que, se necessários, os desembolsos para o pagamento das “pedaladas fiscais” dizem respeito a gastos efetuados nos anos anteriores. Mesmo assim, deve ser considerado um déficit apreciável, especialmente para um governo que em nenhum momento rompeu, de fato, com o modelo ortodoxo do tripé macroeconômico, com o qual se garante espaço no orçamento para o pagamento dos ganhos da riqueza financeira, o que não mais estaria ocorrendo.

Enquanto o déficit primário projetado para 2015 pode chegar a R$ 62,9 bilhões, apenas no mês de setembro os juros nominais da dívida alcançaram R$ 70 bilhões, totalizando R$ 408,3 bilhões no ano, de acordo com o Banco Central, e R$ 510,6 bilhões, ou 8,89% do PIB, no acumulado de 12 meses.

Com isso, o resultado nominal, que inclui o resultado primário e os juros nominais da dívida, registrou déficit de R$ 416,7 bilhões no ano e de R$ 536,2 bilhões, o equivalente a 9,34% do PIB, em 12 meses, o maior do mundo. Como consequência, a dívida bruta do governo geral (DBGG) saltou para 66% do PIB, crescendo, e isso só até setembro, 7,1 pontos percentuais do PIB em relação a dezembro de 2014.

Nenhum economista de bom senso defende o desequilíbrio fiscal/financeiro do Estado, a não ser em conjunturas muito adversas, quando a sua ação é necessária para reativar a economia.

Mas ocultar a principal causa desse desequilíbrio e do maior endividamento do Estado, como é feito pelo pensamento conservador com o apoio da mídia, em geral, atribuindo essa responsabilidade exclusivamente aos gastos não financeiros do Estado, com o objetivo de expulsá-los do orçamento e de recuperar e ampliar os espaços para os ganhos da riqueza financeira, chega a ser de uma desonestidade intelectual irritante que tem e deve ser repudiada.

Isso porque, enquanto se divulga com estardalhaço o excesso de gastos do Estado com as políticas sociais, que estaria na origem de seus desequilíbrios, um silêncio sepulcral ocorre em relação aos seus principais vilões: os gastos financeiros com os juros da dívida. A menos que alguém comprove, por meio de uma mágica matemática improvável, que o déficit primário de 0,45% do PIB registrado até setembro seja responsável pela expansão de 7,1 pontos percentuais da dívida bruta em apenas nove meses.

O ajuste fiscal que se encontra em curso no país representa a prova mais cabal dessa visão distorcida sobre os desequilíbrios do Estado, que é vendida pelo pensamento conservador para defender e proteger a riqueza financeira e as camadas mais ricas da sociedade.

De um lado, todo seu ônus é lançado sobre as camadas menos favorecidas, com o aumento dos impostos indiretos, cortes de programas sociais, recessão e desemprego, delas subtraindo o que não possuem e destruindo as bases de onde poderiam garantir o seu sustento, prometendo-se o improvável paraíso do "crescimento após o ajuste".

De outro, os juros permanecem desnecessariamente em níveis elevados para alimentar os ganhos financeiros, assim como nenhuma iniciativa é tomada para se cobrar impostos diretos sobre as altas rendas e o patrimônio, visando a envolver os mais ricos nesse ônus e garantindo, para eles, o paraíso no curso desse ajuste, independentemente de seus resultados. Com essa equação, nenhum ajuste se torna possível.

O fato é que, ao instrumentalizar a ciência econômica para defender os interesses dos setores mais poderosos, com construções teóricas tendenciosas, o pensamento conservador consegue transformá-la, como apontado pelos economistas clássicos, apenas numa ciência “triste”.

(*) Fabrício Augusto de Oliveira, doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e autor, entre outros, do livro “Dívida pública do Estado de Minas Gerais: a renegociação necessária”, de 2012. Artigo publicado no "Brasil Debate"

VIA

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domingo, 6 de setembro de 2015

Em tempos de crise de credibilidade, governantes cortam salários


Por Eduardo Miranda, no Jornal do Brasil – "Visto da perspectiva do déficit do Orçamento de 2016 da União, que será de R$ 30,5 bilhões, o anunciado corte de ministérios pode ter efeito maior para a imagem do governo da presidente Dilma Rousseff e menos impacto financeiro. A economia estimada com a extinção de pastas ficará em aproximadamente R$ 100 milhões ao ano.


Mas, em tempos de descrédito das instituições políticas em todo o mundo, o gesto tem a intenção de ser nobre. Na Espanha, logo após as eleições municipais, seis governantes anunciaram rebaixamento de seus próprios salários. Levantamento do jornal “El País” mostra os prefeitos de Barcelona, Zaragoza e Valência já cortaram cerca de 25% de seus salários. Em Madri, as mudanças foram anunciadas para este mês.

A pressão do orçamento, aliada a deslegitimação da política, chegou ao Brasil. Na semana passada, o prefeito de Florianópolis anunciou corte de 30% no próprio salário e de 10% no de seus secretários. Em Campina Grande, na Paraíba, o prefeito reduzirá o próprio vencimento em 40%.

Para o pesquisador da Casa de Rui Barbosa, o cientista social Julio Aurélio Vianna Lopes, as ações vindas do próprio poder respondem, de certa maneira, às manifestações que se iniciaram em 2013 e tornaram os cidadãos “ativos pela ética”, defende. “A democracia é um regime de persuasão e a eficiência funcional depende da ética. Até mesmo em falsas democracias, sem a ética, o poder corre riscos, como na queda do presidente Mubarak, no Egito”.

Vianna Lopes chama a atenção para o efeito simbólico de governantes que reduzem os próprios salários, apesar da pouca eficácia nas contas públicas que o ato pode ter. Ele afirma, porém, que o senso de percepção do político em adequar seu salário à conjuntura política e econômica não se estende a questões de impacto maior para a sociedade. “Só discutimos o ajuste fiscal economicamente. Ele não foi debatido como pacto ou acordo fiscal”, lamenta.

Para o professor de marketing político Carlos Manhanelli, a redução de salários, no contexto brasileiro, já vem com sinal negativo. “No Brasil, tudo o que vier para prejudicar um político é muito bem visto pela população, enquanto nos Estados Unidos, as pessoas doam dinheiro para seus candidatos. A situação da Espanha não é muito diferente da do Brasil, mas não é tão extremada”, analisa ele, que leciona gerenciamento de campanhas eleitorais em duas faculdades de Madri.

Manhanelli lembra que os fatos negativos sobre políticos ganham mais repercussão, inclusive na mídia, e acabam prevalecendo. "Fala-se pouco dos prefeitos que baixaram salários por conta própria. Lembramos mais da cidade do Paraná em que a população fez pressão e os vereadores tiveram que obrigatoriamente reduzir seus próprios vencimentos", diz ele, em referência ao município de Jacarezinho, onde o presidente da Câmara de Vereadores chamou os manifestantes de "gatos pingados" e acabou tendo que ceder quando os protestos ganharam adesão da população local, em agosto."

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terça-feira, 14 de julho de 2015

Que crise é essa?

Por Marcus Lanoni (*), no Jornal do Brasil – “Tão importante quanto destacar os fatos e indicadores da crise em curso, é examiná-la em uma perspectiva conceitual. Afinal, que crise é essa pela qual passa o país desde o início do ano? Quais são seus principais determinantes? 

Em uma resposta sintética, trata-se de uma crise, simultaneamente, econômica, de disputa pelas bases sociopolíticas de poder do Estado e político-institucional. A conjunção desses elementos de crise implica em uma crise de legitimidade, que também está em curso e se expressa, principalmente, na reprovação do governo Dilma por 65% do eleitorado, segundo do Datafolha. Uma crise com esses conteúdos não se via desde 1993, o período anterior ao Plano Real. Mas esses elementos múltiplos de crise se manifestaram de modo mais intenso naquela ocasião, quando, além de estar em jogo a definição do projeto alternativo à crise do Estado nacional-desenvolvimentista da era Vargas, havia hiperinflação perseverante, crise de crescimento, ocorrera um impeachment presidencial, ingovernabilidade no âmbito do sistema político etc. O neoliberalismo, então, conquistou politicamente o Estado, superando, por um período, a crise de poder. Na crise atual, o projeto neoliberal, que havia perdido, de modo relativo, bases de sustentação social e institucional durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, tenta se colocar como alternativa, devido aos insucessos do social-desenvolvimentismo em matéria de promoção do crescimento, problema explicitado em Dilma 2.



Entre 1994 e 2002, vigorou o projeto neoliberal, que enfrentou crises externas em 1998 e 1999 e dificuldades internas, como o apagão elétrico em 2000. Por outro lado, no referido período, apesar das reformas monetária e fiscal e de outras mudanças orientadas para o mercado, como as privatizações das empresas estatais, o desempenho da economia em termos de emprego e crescimento foi pífio. Como reação à crise do neoliberalismo no Brasil, foi sendo desenhado, a partir de 2003, um modelo social-desenvolvimentista, que, tendo enfrentado dificuldades em Dilma 1, desarticulou-se em Dilma 2. A crise atual, em uma perspectiva estrutural, é novamente uma crise de poder, de disputa entre as forças sociais sobre que projeto deve orientar a ação do Estado na economia. No momento, o bloco neoliberal retomou a iniciativa, por dentro e, sobretudo, por fora do governo. Mas, diferentemente do que se observou na longa conjuntura de crise que precedeu ao Plano Real, na situação atual não há uma incapacidade das forças sociais se organizarem para reinventar politicamente o país, como aconteceu do fracasso do Plano Cruzado até 1993. Há, sim, a disputa entre dois projetos que já ocuparam a Presidência da República, sendo que um deles ainda a ocupa, embora em condições muito mais contraditórias e difíceis do que as existentes em Lula 1 e 2 e Dilma 1. São os dois principais projetos que, no plano institucional, vem disputando o país desde 1994, tendo, por um lado, PT e seus aliados e, por outro, PSDB e seus aliados.

Apesar das diferenças de perspectiva entre os dois grandes projetos, a implementação prática do social-desenvolvimentismo não logrou superar, a contento, a macroeconomia neoliberal, que valoriza o câmbio, eleva os juros e pressiona contra o investimento público, por demandar arrecadação de superávit primário. Elevar os juros e, ao mesmo tempo, alcançar a higidez fiscal são duas metas contraditórias nesse arcabouço de política macroeconômica, que favorece o rentismo vinculado à financeirização. O modelo lulista, apesar de inegáveis avanços, conciliou a estrutura institucional da política macroeconômica (metas de inflação, câmbio flutuante e arrecadação de superávit primário) com o objetivo de direcioná-la ao desenvolvimento. Mas essa conciliação mostrou-se limitada em termos de efetividade para o crescimento. Alcançou melhores resultados quando a economia internacional estava favorável e enquanto a China, principalmente, importava commodities brasileiras. Devido a esse limite, ao qual Dilma 1 procurou compensar mantendo o pleno emprego através do aumento dos gastos públicos, inclusive recorrendo às “pedaladas fiscais” (hoje questionadas pelo TCU), e aos problemas de corrupção enfrentados pelos governos petistas (mensalão e, desde 2014, a operação Lava Jato, que tem contado com os instrumentos da prisão preventiva e delação premiada), as próprias forças sociopolíticas limitadoras do modelo social-desenvolvimentista, estruturadas em torno do partido da grande mídia, reemergiram politicamente como alternativa social e institucional.

As conciliações e contradições entre social-desenvolvimentismo e neoliberalismo explicam a nomeação de Joaquim Levy para a pasta da Fazenda. Afinal, a política macroeconômica de Dilma 2 não é desenvolvimentista, pelo contrário, é recessiva (ajuste fiscal, inclusive restringindo direitos trabalhistas e previdenciários, e aperto na política monetária) e os interesses que a defendem foram derrotados nas eleições de 2014. A relação de forças se alterou. O empresariado produtivo apoia o ajuste fiscal, desde que ele não onere a produção. E o quadro político-partidário está confuso, como resultado das disputas nas esferas institucional e sociopolítica, ensejadas pelas limitações econômicas e pelo impacto da Operação Lava Jato. 

O governo resultante da vitória eleitoral executa a política econômica derrotada. Os derrotados partiram para a ofensiva e tentam capitalizar politicamente a dádiva de não arcarem com o ônus de serem os promotores do ajuste fiscal que defenderam nas eleições de 2014, através do programa da candidatura de Aécio Neves. Apostam no quanto pior melhor, entusiasmam-se ao criticar os insucessos econômicos, munem-se da arma destrutiva da bandeira contra a corrupção petista (não a corrupção em geral). Além disso, os derrotados lastreiam-se institucionalmente em bases parlamentares do Congresso mais conservador desde 1964, no interior do qual reina uma grande confusão entre o que é governo e o que é oposição, entre quem é ideologicamente neoliberal (e, de modo oportunista, comporta-se como se não o fosse) e quem é desenvolvimentista (mas sujeita-se a votar favoravelmente às medidas de ajuste fiscal). Registre-se que, na votação do projeto de lei de terceirização na Câmara, esquerda e direita alinharam-se cada qual em seu campo, com nitidez. Mas, em geral, as cartas estão embaralhadas e parte da bancada parlamentar do PMDB, partido grande que participa dos governos de plantão desde 1985, está se agrupando com a oposição, inclusive para tentar aprovar, nessa legislatura, a mudança para o regime parlamentarista. Mas, antes do eventual parlamentarismo, que vigoraria só após 2018, há o problema mais grave da tentativa de golpe branco contra a presidenta Dilma, via processo de impeachment, que depende de elementos jurídicos ainda não existentes. Porém, forças institucionais de oposição, baseadas na Polícia Federal, Ministério Público, STF, TCU e Congresso, estão trabalhando nessa perspectiva. 

A confusão salta aos olhos no principal partido do centro político, o PMDB e formalmente o principal aliado do PT na coalizão de governo. Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente Eduardo Cunha e Renan Calheiros, principalmente o primeiro, tem se colocado, em várias votações e pronunciamentos, como oposição ao governo ou como uma força autônoma em relação à presidenta Dilma. Recentemente, o Senado, em geral menos problemático que a Câmara, aprovou a extensão do salário mínimo reajustado a todos os benefícios da previdência social. Como se não bastasse a perda de poder de Dilma e Temer em matéria de indicação de ministros do STF, em função da aprovação da PEC da Bengala, Renan e Cunha lançaram uma primeira versão do projeto de Lei da Responsabilidade das Estatais, para retirar poder do Executivo na nomeação dos presidentes dessas empresas. Enfim, a base governista, formada por uma heterogênea coalizão de dez partidos, está desarticulada e com a consistência programática mais volátil do que nunca. Dilma 1 já havia enfrentado problemas com sua base parlamentar, que aumentaram muito no atual segundo mandato.

O peculiar da situação é que não há paralisia decisória. Pelo contrário, a Câmara dos Deputados, por exemplo, está em ativismo legislativo. O que há é uma disputa entre Executivo e Legislativo sobre quem governa, colocando em questão o tipo de governabilidade. O Congresso, como nunca, disputa o poder institucional no interior do sistema político. A designação de Temer para a negociação política com o Parlamento foi feita visando organizar a base institucional de apoio do Executivo. O PMDB quer mais cargos. A liberação de 5 bilhões para as emendas parlamentares, anunciada por Joaquim Levy, pode, talvez, amenizar um pouco as tensões. Além do desgaste na relação PMDB-PT, o segundo mandato registra um crescimento da oposição institucional.
O governo perdeu, embora não de modo absoluto, capacidade de implementar sua agenda legislativa. Parte de sua base se dispersou e passou a compor com a oposição, inclusive atraindo-a para a aprovação de alguns projetos, conforme ocorreu no caso da redução da maioridade penal. Fatos institucionais importantes acontecem como se lideranças formalmente governistas fossem, na verdade, lideranças oposicionistas. Não se pode esquecer que Eduardo Cunha foi eleito à presidência da Câmara derrotando o candidato de Dilma, Arlindo Chinaglia, e com base na bandeira da autonomia da respectiva casa parlamentar.

Enfim, a natureza da crise contém elementos econômicos (não crescimento, pelo contrário, recessão), sociopolíticos (os fundamentos sociais da estrutura de poder estão em disputa, pondo em cheque a legitimidade do governo) e político-institucionais. Entre os últimos, destacam-se os problemas de padrão de governabilidade – presidencialista ou semipresidencialista? –, a relativa perda de controle da agenda legislativa por parte do Executivo, sobretudo em função da duplicidade do PMDB, que se comporta, ao mesmo tempo, como oposição e situação, e o andamento de investigações que embutem a ameaça de desdobramento em processo de impeachment. Enfim, a disputa política entre os dois principais projetos se espraiou, como nunca antes na história recente, em várias instituições do Estado, na sociedade civil organizada e alcançou as ruas. Trata-se da luta de classes, da disputa em torno do tipo de Estado e sociedade capitalistas em um país que tem a principal economia emergente da América Latina e que está inserido em uma crise internacional do modelo neoliberal.

* Marcus Ianoni é cientista político, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador das relações entre Política e Economia.

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sábado, 27 de junho de 2015

Atual política econômica agrava a crise


Por Umberto Martins, no site da CTB - Via Blog do Miro: “Indicadores recentes do IBGE revelam que a crise econômica avança impiedosamente, conduzindo o país ao pântano da estagflação (a combinação amarga e inusual entre recessão e inflação), com salários em baixa, desemprego e preços em alta e desindustrialização. A taxa de desocupação (flagelo maior para as famílias que pertencem à classe trabalhadora) subiu a 6,7% em maio, nas seis maiores regiões metropolitanas, enquanto o rendimento médio real dos trabalhadores declinou 1,9% em relação a abril e 5% sobre o mesmo mês do ano passado. A inflação deve fechar o ano em 9%.



O arrocho dos salários e o desemprego agravam o quadro de crise na medida em que deprimem o consumo e forçam o recuo das vendas. Em função disto, o comércio, provavelmente o ramo que mais emprega no país (e que ficou à margem da crise de 2008-2009), foi o que mais cortou vagas ao longo deste ano, tendo eliminado 160 mil postos de trabalho de janeiro a maio. A recessão na indústria, que não é de hoje, deve resultar em pelo menos 150 mil demissões líquidas até dezembro só em São Paulo, a julgar pelas estimativas da Fiesp.
 
Um tiro no pé
 
A força de trabalho ociosa cresceu 4,8% em maio, acrescentando 75 mil pessoas ao exército de desempregados ou exército de reserva do capital. Na comparação com maio do ano passado o percentual sobe a 38,5% e o número absoluto de novos desocupados alcança 445 mil. Já a quantidade de pessoas ocupadas caiu 0,7% (155 mil pessoas).
 
Em certa medida a recessão é determinada pela crise mundial do capitalismo, que neste momento atinge com mais força os países considerados emergentes ou em vias de desenvolvimento, como é o caso do Brasil, Rússia e Argentina, entre outros. Mas seria exagero colocar toda a responsabilidade dos nossos males às turbulências provenientes do exterior.
 
Não restam dúvidas de que a atual política macroeconômica (herança da era FHC à qual os governos do PT não renunciaram) contribui, e muito, para agravar o cenário. O tripé conspira dia e noite contra o crescimento e o desenvolvimento nacional. Temos os juros reais mais altos do mundo, câmbio flutuante e, para gáudio exclusivo dos credores, o ajuste fiscal comandado por Joaquim Levy. É notório que tudo isto joga lenha na fogueira da recessão.
 
Muito já se disse e não é demais reiterar que ajuste fiscal é um contrassenso em conjuntura de crise. Acrescente-se que o que está em curso sacrificou direitos da classe trabalhadora, contradizendo compromissos de campanha, mas não arranhou interesses da alta burguesia, não taxou grandes fortunas, manteve a isenção de impostos para remessas de lucros e dividendos ao exterior (uma das principais causas da nossa baixa Formação Bruta de Capital Fixo ou taxa de investimentos) e, enfim, resguardou os privilégios do andar superior. Não é de estranhar que a popularidade do governo esteja desabando. Foi um tiro no pé.
 
* Umberto Martins é assessor político da presidência da CTB.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Governo abre diálogo com caminhoneiros para negociar paralisação

Com o objetivo de tentar resolver os problemas decorrentes das manifestações que bloqueiam as rodovias em vários estados brasileiros, o governo federal se reunirá na tarde desta quarta-feira com representantes dos caminhoneiros e das transportadoras. No entanto, a redução do preço do óleo diesel não estará na pauta das negociações, disse o ministro da Secretaria-geral da presidência, Miguel Rossetto. Segundo o ministro, o governo está atento “acompanhando as manifestações dos caminhoneiros e mantendo diálogo permanente com as lideranças deles e dos empresários”.
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sexta-feira, 7 de março de 2014

Nações em crise: a estratégia do golpismo midiático

Cada crise política internacional que surge, trás com ela a utilização da estratégia do golpismo midiático. Uma tática secular comum, que consiste em simular a incapacidade dos governos em controlar o próprio país. Simular violências para produzir comoção geral. Produzir desinformação.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Crise - saiba como enfrentá-la

Certa vez ouvi de um professor de marketing uma das mais sábias frases sobre crise. Referia-se àquela que de quando em quando chega ao nosso país: a crise de combustíveis. Que puxa outras, e sem dúvida afeta direto o orçamento doméstico. “Não há crise de combustíveis, há excesso de automóveis”. De autoria atribuída ao pensador, Júlio Camargo, esta frase nos leva a refletir de maneira altruísta, e assim interpretar melhor o momento de crise nesse aspecto.
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dividocracia (Dedtocracy) - documentário sobre a crise na Grécia

Produzido de forma independente pelos jornalistas, Aris Hatzistefanou e Katerina Kitidi, com apoio de Leonidas Vatikiotis, responsável pelas pesquisas na área econômica. Este documentário só foi possível graças a uma campanha de doações realizada através das redes sociais. Retrata de uma maneira original um outro ângulo não mostrado pela mídia em geral, sobre a crise econômica-social que se passa a Grécia há algum tempo.
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quarta-feira, 11 de março de 2009

Opiniões sensatas sobre a crise.


A crise existe. Faz muito tempo que não se escutava e não se falava tanto sobre crise como nos momentos atuais, cujos agravantes todos sabem vem dos nossos irmãos do norte, o que nos faz sentir um pouco mais incrédulos quanto ao tempo que teremos de conviver com as conseqüências dos erros cometidos na terra do Tio Sam por executivos inescrupulosos e por que não dizer gananciosos, gestores de uma operação financeira equivocada no mercado imobiliário daquela que seria a nação mais respeitada com vistas ao seu potencial econômico.

Apesar de grandes alardes perpetrados através da mídia, superdimensionado os efeitos desta bomba mercadológica, e contando os excessos teóricos dos economistas, haveremos de nos posicionar com o devido equilíbrio e seriedade diante do pessimismo que pode tomar conta da nação e do indivíduo. Conquanto, há um grande contingente envolvido nesse processo, “peleando” e ajustando seu próprio potencial para superação de novas metas que se apresentam.
Estivemos “garganteando” por aqui com algumas proposições, ilustrações e opiniões tentando entender melhor a engrenagem ou o efeito dominó provocado na economia de diversos países. Inclusive o ilustre sobrinho, Adriano Cordeiro (co-editor) ignorando a onda, fugiu para paradisíacas areias de Guarapari (coisa que deveríamos fazer pra melhor refletir e recarregar as baterias para novos combates), deixou AQUI uma bela postagem sobre este assunto, ou melhor, sobre este fato real, que tem tirado o sono e o apetite de muita gente.
Ontem, conversando com um “importante funcionário-executivo” de uma multinacional com sede aqui no Brasil onde muitas empresas somaram grandes perdas devido ao reflexo nos mercados em geral. Chegamos a conclusão de que, não obstante os sacrifícios e o esforço adicional de cada cidadão, a crise traz a satisfação do cumprimento do nosso dever enquanto responsáveis que somos pela superação e a “solucionática” dos problemas.
Sem querer filosofar, (coisa que gostamos e fazer de quando em quando) me lembro de um ditado popular que gostávamos de mencionar nos velhos tempos em que enfrentamos situações semelhantes e igualmente sacrificantes: "quando a água bate no traseiro, pra não dizer (b@nd%) outra coisa, neguinho aprende a pular miudinho". Isto é, na adversidade é que temos a chance de obter sucesso quebrando a rotina, o conformismo, e a mesmice em relação às nossas funções ou empreendimentos, pois são estes a razão da atividade lucrativa ou do nosso meio de sobreviver, e com os quais estaremos sempre envolvidos de qualquer maneira. É através dos golpes inesperados das famigeradas crises é que poderemos saborear com dignidade, a glória e o prazer dos louros da vitória quer na vida pessoal, quer na vida profissional.
Joelmir Betting, renomado comentarista econômico, jornalista e ancora da TV, mencionou que, o Brasil será o primeiro país a sair da crise, enumerou algumas “máximas” do nosso ministro da Fazenda, Guido Mantega. Entre elas uma pronunciada em 26/02/2009 e repetida no dia seguinte: “Na queda dos grandes Bancos se demonstra o erro de fundo: a avareza humana e a idolatria”. Reserve-se quanto ao peculiar estilo irônico do nobre jornalista, e click aqui para conhecer outras. Em seguida reflita com o texto abaixo, que li no Diplomatizzando e devidamente guardado no GARIMPAGUARA.

A crise segundo Einstein

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".

Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções.

A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis.

Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la"

Albert Einstein .


Assim como um belo gesto, igualmente as imagens valem por mil palavras. No entanto, se pronunciadas com conhecimento de causa e de forma sensata e honesta produzem efeito equivalente. Por isso separei este vídeo do Godri (um dos meus fantásticos gurus), para finalizar.



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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Crise e Mercado: uma opinião no outro lado da moeda

A Mídia não fala em outra coisa que não a crise financeira ocorrida nos EUA, com respingos na economia de vários países. Descontando a opinião exagerada do presidente Lula, que a chamou de "Marolinha", e o terrorismo da mídia corporativa que às vezes mais confunde que informa, resta-nos como ignorantes mortais nos precaver.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mudar com criatividade em tempos de crise

Das experiências vivenciadas nos tempos dos estudos acadêmicos, ocorreram fatos e existiram mestres, que por seus métodos e estilo de transmitir conhecimentos, ficaram eternamente gravados em meu subconsciente. Um deles, o prof. José Maria, tinha na “BRAINSTORM”. Isto é, a famosa tempestade de ideias. Que para os aprendizes molambentos do interior, ávidos de sabedoria, se transformara no inesquecível “toró de parpite”. Um instrumental eficaz na resolução de casos apresentados à equipe.

Nestes "casos", era constatado um problema a ser solucionado, ou uma decisão a ser tomada. Ou ainda uma mudança a ser efetivada. Quer no âmbito corporativo, quer no pessoal. E normalmente a idéia aceita era aquela mais criativa. Aquela que comprovadamente trazia algo de novo, inédito. Que questionava as regras sagradas da administração. E não àquela baseada em conceitos ultrapassados que certamente não atingiria o resultado esperado.
Notadamente, essa idéia era mesclada com outras apresentadas, que traziam conteúdo de conhecimento dos fatos, pela experiência e pela cultura dos membros envolvidos, em uma combinação quase perfeita.
Mas, nem tudo era efetivado da maneira como fora concebido. Uma vez que, para o novo projeto fosse definitivamente colocado em ação, dependeria da boa vontade, da disposição, da flexibilidade de cada elemento envolvido.

Talvez, seguindo esta receita bem humorada:


A plena aceitação de que algo deve ser mudado, leva-nos a ter que lidar construtivamente com a flagrante necessidade de adaptação à idéia da mudança. No trabalho, ou até mesmo em nossa família. É livrarmo-nos dos bloqueios individuais, “trabalhar” nossas concepções arraigadas que nos enfiaram goela abaixo, no passado, e que agora não servem mais para nada.

Lembro que participei de vários projetos de transformação dentro da Empresa que trabalhei. No âmbito de estratégias de atuação frente à concorrência, de mudança de mentalidade, de política de pessoal, avaliação de desempenho, de reestruturação de cargos e salários, etc. Projetos inovadores, desenvolvidos para extinguir ações arcaicas e obsoletas, que não correspondiam mais à missão e objetivos da organização.

Era a idéia do novo, do revolucionário no modo de agir profissionalmente, novos conhecimentos, adaptações ao ritmo frenético das descobertas tecnológicas, que ditavam o ritmo e o rumo das coisas. Parafraseando Adriano Cordeiro, era “Pé na porta e soco na cara”, sobre a necessidade de determinação e coragem para mudar o que era necessário para continuar a progredir.

Hoje em dia, mais do que nunca, percebemos que um novo tipo de crise exige novas estratégias criativas. A união, tanto de países como de pessoas, torna-se vital para vencer os obstáculos prejudiciais a todos.

Como diz Mário Persona: “o trabalho em equipe representa a soma dos talentos individuais e não a sua diluição, e o líder carpinteiro que não pode ver uma cabeça saliente já vai martelando até que fiquem todas iguais, é figura em extinção”. Válido para nações, povos, e cada um de nós.

Como dizia o sábio: “Em nossa existência apenas uma é coisa definitiva: a própria mudança”. Não fiquemos, pois relutantes diante dela. Mudar é inovar. Que por sua vez está intimamente relacionado a criatividade.

Você está pronto para inovar? 


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