Mostrando postagens com marcador DCM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DCM. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Deu no The New York Time: Possível indicação de Moro para o STF por Bolsonaro gera polêmica no Brasil

Via DCM, do New York Times - O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo que indicará Sergio Moro aos Supremo Tribunal Federal se tiver uma oportunidade. "Farei na primeira oportunidade porque tenho esse compromisso com Moro. Se Deus quiser, vamos cumpri-lo", disse o presidente em entrevista à Rádio Bandeirantes.
Leia Mais ►

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Política - 'The Guardian: como funciona a fábrica de ideias que teria financiado grupos ultra-direitistas como o MBL'

"A coluna de George Monbiot no The Guardian abordou a questão de como o dinheiro longe dos olhares públicos pode ser prejudicial para as democracias e favorecer algumas pessoas ricas e empresas privadas. Isso para falar sobre os multimilionários irmãos Charles e David Koch, donos de um grande conglomerado industrial de commodities e a estratégia deles para financiarem seus interesses políticos:
Leia Mais ►

sábado, 8 de setembro de 2018

A sangue frio: atentado, eleições e TV. Por Gilberto Maringoni

Por Gilberto Maringoni, no DCM - Jair Bolsonaro foi o assunto no primeiro bloco do Jornal Nacional desta quinta-feira (6), com quase 15 minutos de duração. A exposição adentrou parte do segundo, com várias chamadas ao vivo no decorrer do noticiário que, excepcionalmente se prolongou por uma hora e oito minutos.
Leia Mais ►

quarta-feira, 7 de março de 2018

Reportagem do Fantástico joga culpa da crise nas costas do PT. Por Joaquim de Carvalho

Segundo o jornalista Joaquim de Carvalho, que já trabalhou na revista Veja, Jornal Nacional e outros veículos de mídia, uma reportagem que a Globo levou ao ar através do Programa Fantástico do último domingo (07) não é exatamente um trabalho jornalístico, mas uma propaganda. Propaganda contra Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT).
Leia Mais ►

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Política - A maldição do golpe dos corruptos

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo: "Não importa a votação final do Senado, Dilma já foi absolvida pela história e os golpistas condenados. Ficou cabalmente provado que ela não cometeu o crime que lhe foi imputado na peça infame do impeachment. Dilma não pedalou.


Ficou cabalmente provado, igualmente, que seu afastamento foi um golpe cínico, canalha, despudorado da plutocracia corrupta e predadora.

O objetivo em nenhum momento foi combater a corrupção. Isso serviu apenas de pretexto, como em 54 com Getúlio e 64 com Jango.

Se quisessem erradicar a corrupção, jamais o maestro do golpe teria sido Eduardo Capone Cunha e nem o beneficiário principal Michel 6% Temer.

A finalidade era conquistar o Estado por outro meio que não os votos e, uma vez feito isso, estabelecer um governo destinado a favorecer os plutocratas. Para tanto, programas sociais foram sendo postos no lixo mesmo sem Temer ser efetivado.

Temer. FHC. Aécio. Serra. Famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita, ao lado de seus comentaristas e editores de alto poder de famulagem. Sérgio Moro. Gilmar Mendes. O STF no conjunto.

Todas os nomes listados acima, apenas alguns entre tantos, são a escória destes tempos dramáticos para a democracia brasileira. E assim a posteridade os reconhecerá: seus filhos e netos haverão de se envergonhar de seu papel no golpe plutocrata.

Com Dilma é o oposto.

Ela foi claramente vítima de homens corruptos, ricos e inescrupulosos.

Não teve chance de governar desde que iniciou o segundo mandato que garantiu graças a 54 milhões de votos.

Foi imediatamente perseguida. Caçada. Aécio e FHC contestaram os votos das formas mais sujas possíveis. Em seu jornalismo de guerra, a mídia crucificou Dilma.

A Lava Jato e Sérgio compuseram um circo infernal. No Congresso, Eduardo Cunha, com seus métodos de gangster, inviabilizou qualquer possibilidade de Dilma passar medidas que pudessem fazer frente à crise econômica.

Não bastasse isso, a esquerda acusou Dilma injustamente de colocar em prática um programa conservador.

Ora, ora, ora.

Estes dois meses de Temer mostraram o que é, efetivamente, uma plataforma conservadora. Mesmo nas cordas, Dilma não mexeu nas ações sociais que tiraram milhões de brasileiros da miséria nos últimos anos.

Temer está fazendo o que Aécio teria feito caso fosse vitorioso.

A posteridade reparará mais esta injustiça contra Dilma: a da esquerda míope, que tradicionalmente, na história, facilita os golpes da direita.

É uma desgraça nacional, do ponto de vista das coisas concretas, ver um projeto thatcherista ser imposto aos brasileiros quando o mundo avançado já renegou o legado de Margaret Thatcher.

O thatcherismo foi responsável pelo crescimento vertiginoso da desigualdade social nos últimos 30 anos, com seus pilares francamente a favor dos ricos.

Nem os herdeiros de Thatcher, os conservadores britânicos, ousam falar em seu nome para a sociedade. Não existe uma única estátua de Thatcher na Inglaterra. É sábido que, se erguida hoje, será derrubada amanhã.

E mesmo assim Thatcher inspira os responsáveis pela economia brasileira. Um país já tão desigual se tornará ainda mais injusto.

Dilma, repito, já foi absolvida e os golpistas condenados.


Caso o golpe seja efetivado em agosto, Dilma cairá de pé, maior do que jamais foi. E os golpistas ganharão de joelhos, condenados ao desprezo eterno dos brasileiros."

VIA

***

Leia Mais ►

domingo, 10 de julho de 2016

Por que Temer quer matar os sites progressistas?

Por Paulo Nogueira, no DCM - O que realmente incomoda na decisão de Temer de vetar publicidade federal nos sites independentes como o DCM é o grau de hipocrisia e descaro de seus argumentos. Dizer que estes sites, classificados como “políticos”, não têm “interesse público” é tratar a sociedade como um amontoado de imbecis.



Se Temer ousou até romper unilateralmente contratos publicitários com tais sites, uma coisa horrível que a direita vivia dizendo que Lula faria assim que eleito, devia ao menos ter a coragem, a hombridade, a decência de dizer as razões reais.

Elas podem ser resumidas nisso: os sites atingidos são progressistas. Defendem uma visão de mundo nada parecida com a pregada pela mídia tradicional, da Veja à Globo, da Folha ao Estadão. Querem uma sociedade menos injusta, menos manchada por extremos de opulência e de miséria.

Estes sites representem uma parcela expressiva dos brasileiros. Apenas o DCM tem 4 milhões de visitantes únicos por mês. As visualizações estão na casa dos 15 milhões mensais. Em meses mais quentes, já passaram de 20 milhões.

Outros sites são igualmente expressivos, como o Conversa Afiada de Paulo Henrique Amoim, o GGN de Luís Nassif, o 247 de Leonardo Attuch, a Fórum de Renato Rovai, o Tijolaço de Fernando Brito, a Carta Maior de Joaquim Palhares e o Cafezinho de Miguel do Rosário.

Somados, os principais sites progressistas têm cerca de 40 milhões de acessos mensais e 20 milhões de visitantes únicos. É um público que rejeita visceralmente Globo, Abril, Folha, Estado e coisas do gênero.

E é um público que consome — é objeto de atenção, portanto, dos anunciantes, estatais ou não.
Dizer que os sites progressistas são destituídos de interesse público é um insulto a milhões de brasileiros que os leem em busca de algo que não encontram na mídia convencional.

O que Temer está fazendo é tentando, a serviço da plutocracia, suprimir a difusão de ideias que não sejam as que agradam ao chamado 1%.

Há mentiras abjetas neste debate.

Uma delas, propagada pelos comentaristas fâmulos da mídia corporativa, é que são “sites petistas”. Se a Justiça brasileira funcionasse, este tipo de calúnia custaria caro a seus autores.

O DCM, para ficar num caso, jamais teve vínculo nenhum com o PT. Nasceu de um projeto que concebi em Londres, ao entender que havia espaço para um site “escandinavo” no Brasil — um veículo para mostrar que não há motivos para sermos um país tão socialmente injusto. A missão do DCM foi concebida nas sucessivas visitas que fiz à Escandinávia em minha longa temporada de correspondente na Europa.

Chamar os sites progressistas de sites petistas é uma tentativa espúria de desqualificá-los.
A questão da publicidade estatal na era Temer fica ainda mais dramática diante das notícias de que os sites evangélicos poderão receber dinheiro de Brasília.

Sites evangélicos são de interesse público, segundo esta lógica. Mas sites progressistas não. É um argumento que simplesmente não se sustenta.

Lembre-se, sempre, que as corporações jornalísticas sempre foram beneficiadas por bilhões de reais em propaganda federal — uma mamata inominável em que lamentavelmente nem Lula e nem Dilma mexeram.

Verifique a escala das coisas. Apenas a Globo — falamos só da tevê, não das demais mídias dos Marinhos — vem recebendo 600 milhões de reais por ano de publicidade do governo federal.
Todos os sites progressistas em conjunto receberiam 11 milhões de reais em 2016 — se Temer não rompesse unilateralmente os contratos. É uma miséria, uma insignificância — uma cifra 60 vezes menor que a fatia da TV Globo com suas audiências que despencam a cada dia.

A vontade da plutocracia é exterminar os sites progressistas. Isso não vai acontecer — porque o mercado os quer vivos. Eles têm audiência, e isso se traduz em receitas cada vez maiores de uma coisa chamada publicidade programática.

A publicidade programática é um mecanismo cada vez mais usada por grandes anunciantes: eles compram audiência, e isto os sites progressistas têm em quantidade cada vez maior.
A publicidade programática é capaz de, por si só, financiar os sites progressistas.

Temer sonha nos matar a todos. Mas fracassará também nisso — inapelavelmente.

***
Leia Mais ►

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Política - A extinção do adversário: Carlos Sampaio e Wanderlei Silva são o mesmo animal político

Por Kiko Nogueira, no DCM - "Wanderlei Silva e Carlos Sampaio não são apenas do mesmo partido, mas têm o mesmo DNA. Ambos são gigantes do vale tudo, prática em que o PSDB vem reinando absoluto. O que importa para eles é finalizar o adversário, seja de que maneira for.


Na quarta, dia 20, o PSDB protocolou na Procuradoria Geral Eleitoral uma representação que, nos desígnios de Sampaio, resultaria na extinção do PT.

Tudo é baseado numa matéria do Valor. Nela, Cerveró aparece como tendo afirmado à PF, antes do acordo de delação premiada, que a campanha de Lula à reeleição recebeu 50 milhões de reais em propina advinda de uma negociação de petróleo na África em 2005.
“Esse é um crime que não tem sua prescrição prevista em lei. O que está em jogo não é o ex-presidente Lula, mas sim o recebimento por parte do Partido dos Trabalhadores de recursos do exterior”, disse o advogado Sampaio. Ele explica que isso é vedado pela Constituição.

“Qual é a consequência? É a extinção do partido, porque ele perde o registro”, disse numa coletiva. Não é a primeira vez que Sampaio tenta emplacar essa tese. Em abril, na CPI da Petrobras, já havia declarado que o PT “tem tudo para ser extinto”.

Não vai dar em nada, mas vai render. Desde 2015 Sampaio vem ocupando o noticiário com esse estilo pitbull. Não se ouviu falar de uma proposta, uma alternativa, uma ideia. Ganhar no voto, nem pensar. Apenas a virulência e a mania de correr latindo atrás dos carros da mídia atrás de holofotes.

Seu doppelganger Wanderlei, filiado ao PSDB desde 2013, tem o apelido de “Cachorro Louco”. Quando ele assinou a ficha, o presidente tucano no Paraná afirmou que Silva iria “reforçar o partido” e “mexer com a população”.

Mexeu muito. Em setembro de 2014, anunciou sua aposentadoria do MMA depois de fugir de um exame antidoping pela porta dos fundos de sua academia. Foi condenado a pagar 70 mil dólares e banido de qualquer evento do UFC em Las Vegas. Desde então atribuiu a Dilma uma obra parada do governo de Goiás e descobriu o agora famoso iate do filho de Lula.
Eles não pedem desculpas. Sampaio, entre outras estripulias, recebeu 250 mil reais de uma empreiteira envolvida na Lava Jato, de acordo com o Globo. Jamais se explicou. Ganhou notoriedade nacional ao processar Dilma por ter usado um vestido vermelho num pronunciamento em rede nacional de TV. Janio de Freitas o chamou de “aspirante à perda do senso de ridículo”. É pouco.

São justiceiros na batalha do bem contra o mal pela salvação do Brasil. Vigilantes da ética e dos bons costumes, separados no nascimento. O “Cachorro Louco” e o pitbull do Aécio são o mesmo animal político."
***
Leia Mais ►

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Barraco nas redes sociais: Ícones da direita trocam farpas e vitupérios

Agressões verbais contundentes registradas nas redes sociais, entre: Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino, Kim Kataguiri, o mais famoso líderes do Movimento Brasil Livre, e fãs de Jair Bolsonaro, revelam “o pensamento vivo da direita brasileira”.
Leia Mais ►

domingo, 4 de outubro de 2015

EXCLUSIVO: Lula escreve carta em resposta a José Eduardo, filho de Hélio Bicudo

Por Kiko Nogueira, no DCM – "Lula escreveu uma carta a José Eduardo Pereira Wilken Bicudo, filho de Hélio Bicudo. José Eduardo deu um depoimento ao DCM em que manifestou seu descontentamento com a guinada conservadora do pai.
“O pedido de impeachment do qual meu pai é signatário é uma das inúmeras decorrências de sua infeliz trajetória nos últimos dez anos”, disse, dando sua visão para o que chamou de “rancor desmedido em relação ao PT e sobretudo a Lula”.

A resposta de Lula foi enviada com exclusividade ao DCM. Confira:


Caro José Eduardo,

Agradeço, de coração, o testemunho isento que você prestou sobre minha convivência com seu pai. Seu depoimento denota um grande força de caráter, pois imagino o quanto deve ser doloroso para um filho divergir publicamente do pai em questões dessa natureza.
Poucas coisas na vida são tão importantes quanto manter o respeito e a consideração pelas pessoas, acima de eventuais divergências, mesmo que o tempo nos leve a trilhar caminhos distintos.

Nos últimos anos, tenho recebido em silêncio os sucessivos ataques do doutor Hélio Bicudo, pontuados de um rancor cujos motivos, José Eduardo, você caracteriza claramente em seu depoimento.

Tais manifestações, no entanto, ultrapassaram todos os limites numa recente entrevista, na qual ele atacou frontalmente minha honra pessoal e fez acusações caluniosas, ofensivas e desprovidas de qualquer fundamento.

Diante desses ataques, não posso permanecer calado, em respeito à minha família, aos meus companheiros e aos que sempre compartilharam conosco a luta por um Brasil melhor e mais justo.

Por isso dirijo a você essa mensagem, caro José Eduardo.

São infâmias proferidas por uma pessoa que, no passado, destacou-se pela defesa da lei e da verdade. E que tristemente se apequena aos olhos do presente e do futuro.
Compartilho com você o sentimento de repúdio ao comportamento oportunista de setores da imprensa que exploram politicamente essa triste situação.

Espero que as deliberadas injustiças que o doutor Hélio Bicudo hoje comete não ofusquem a contribuição que ele já deu ao Estado de Direito no nosso país. Mas a calúnia rancorosa e sua exploração pela imprensa servem para nos  alertar sobre a necessidade de limites morais na disputa política.

Querido José, eu até pensei em tomar medidas judiciais a propósito dessas injúrias. Mas não o farei em atenção a você e a seus familiares. Eu e seu pai somos cristãos e ele tem consciência de que Deus sabe que ele está mentindo.

Luiz Inácio Lula da Silva"

***

Leia Mais ►

sábado, 11 de julho de 2015

Para que servem e por que existem os sites progressistas? Por Paulo Nogueira

No DCM – Para que servem os sites progressistas? Por que existem? A sociedade sabe as respostas para ambas as questões, mas a mídia tradicional insiste em tentar manipular as pessoas. Os sites progressistas servem, fundamentalmente, para dar pluralidade ao mercado de notícias e opiniões.

E existem por causa disso: porque há uma expressiva parcela de brasileiros que não se satisfazem com o que lhes é oferecido, ou impingido, pela Globo, pela Veja, pela Folha e por aí vai.

É, no fundo, uma questão de mercado.

Helicoca-DCM

O conservadorismo monolítico das grandes empresas jornalísticas – já não tão grandes assim na Era Digital, aliás – abriu espaço para sites com outra visão de mundo.

Chamar os sites progressistas de governistas é uma mistura de mentira e obtusidade.

Sob qualquer governo, eles seriam o que são. O mesmo já não se pode dizer da grande imprensa: ela protege administrações conservadoras e fustiga administrações populares.

Com isso, defende não os interesses da sociedade, mas os seus próprios.

Que o mercado pedia isso – outras vozes – está claro. É só ver os números.

O DCM, por exemplo.

Tivemos, em junho, 3,4 milhões de visitantes únicos. É o melhor termômetro de audiência: você conta apenas uma vez pessoas que entram diversas ocasiões no site.

Os acessos são algumas vezes aquilo: no ápice da campanha presidencial, o DCM bateu em 20 milhões de visualizações.

Importante: isto tudo foi conseguido num espaço de dois anos e meio. Em janeiro de 2013, quando tomamos a forma atual de um espaço de análises e informações, tivemos 200 mil acessos e 100 mil visitantes únicos.

Sites progressistas acolhem e propagam ideias que não existem nas empresas jornalísticas.
Um exemplo notável: a desigualdade, o câncer nacional.

Jamais o combate à desigualdade esteve na pauta da mídia tradicional. Seus donos sempre se beneficiaram dela, aliás: basta ver sua colocação nas listas das maiores fortunas do país.

A imprensa sempre preferiu, por demagogia, fazer campanhas contra a corrupção, por saber que num certo tipo de leitor menos qualificado esse discurso hipnotiza.

Vital: não contra toda corrupção, mas contra aquela — real, imaginária ou brutalmente ampliada – associada a governos populares.

Não é notícia nada que diga respeito ao PSDB. A roubalheira no Metrô de São Paulo nunca foi assunto. A compra de votos para a reeleição de FHC, idem. O aeroporto particular de Aécio também.

Um delator diz que um ex-presidente tucano recebeu 10 milhões de reais para melar uma CPI da Petrobras. Ninguém, na grande mídia, dá a menor bola, porque este tipo de notícia mina a tese de que a corrupção está sempre ligada a governos populares, de Getúlio a Jango, de Lula a Dilma.

Neste e em tantos outros assuntos, os sites progressistas jogam luzes onde as corporações de jornalismo projetam sombras. (Fizemos,aqui, levantamentos sobre assuntos tabus na imprensa, como o “Helicoca” e a sonegação da Globo.)

Pessoas que são ignoradas pela mídia tradicional aparecem nos sites progressistas, e enriquecem os debates.

No DCM, para ficar num caso, Jean Wyllys é figura frequente. Vá ao arquivo da Veja e tente encontrá-lo.

A pauta dos sites progressistas é outra. São outros os personagens, são outras as visões, são outros os princípios e valores.

São outros também os leitores. Veja os comentários do blogue de Reinaldo Azevedo: são o primado do ódio, do preconceito, da homofobia.

Agora compare com os comentários dos sites progressistas. São mundos diferentes.
Os anunciantes podem escolher o público que desejam atingir. Não fossem os sites progressistas, esta escolha não existiria.

Como seria o debate no Brasil de 2015 se não houvesse o contraponto digital?
Você pode imaginar.

O cidadão iria para o trabalho ouvindo a CBN ou a Jovem Pan. Leria a Folha e a Veja. Veria à noite o Jornal Nacional e a Globonews.

É sempre a mesma mensagem. A isso se dá o nome de monopólio de opinião.
Os sites progressistas surgiram e cresceram como resposta, exatamente, a esse monopólio.

É para isso que servem. É por isso que existem.


Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/para-que-servem-e-por-que-existem-os-sites-progressistas-por-paulo-nogueira/

***

Leia Mais ►

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Prisão de policiais militares: uma "pepita falsa"

Depois daquela atrocidade praticada contra os professores na capital do Paraná, o Broadcast, serviço da Agência Estado, deu o “furo”, que dezessete policiais “foram presos por se recusar a participar do cerco”. Logo os grandes portais de notícias repercutiram a notícia do Estadão como se fosse verdade, mas não é. O Uol, o R7, e diversos outros sites e blogs publicaram o falso fato. O blog do Guara também selecionou a informação na edição do “Curtas&Boas” de ontem (30) como fosse autêntica, sem se dar conta que era uma “pepita sem valor”.

Mais uma “garimpagem” rápida e verificamos em uma matéria do Zero Hora, que a Polícia Militar negou a prisão dos policiais.

Imagem/reprodução/paranaportal
A matéria diz o seguinte: “De acordo com o comando da PM, "ninguém foi preso". A assessora de comunicação da corporação, Márcia Santos, afirmou à Zero Hora que "todos os policiais cumpriram a missão, como previa a determinação da Justiça". - Não teve policial preso. Os veículos reproduziram o Estadão. E a gente já pediu formalmente para o que corrijam a informação - disse Márcia.
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Paraná (OAB-PR), que tem uma comissão de Direito Militar, afirmou à reportagem que também não recebeu relatos, nem informações sobre a possível prisão de militares”, informa.

Mais uma lição aprendida. Como meros espectadores das narrativas dos acontecimentos que repercutidos pelos veículos de informação corporativos existentes o Brasil, volta e meia estamos escorregando nos boatos publicados.

Pior! Por um rompante que mistura indignação e raiva, compartilhamos nas redes sociais sem sequer nos darmos conta da falsidade do suposto fato. Daí a necessidade de adotarmos um critério mais rigoroso quando nos deparamos com uma "notícia". Infelizmente, é muito fácil cometermos esta negligência. Consertar um erro costuma ser extremamente mais difícil, mas acontece.

Quem contou melhor esta história dos PMs presos, foi Kiko Nogueira, diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo:

A história dos PMs que se recusaram a bater nos professores era boa demais para ser verdade

Por Kiko Nogueira, no DCM 

“Em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade. Depois da pancadaria no Paraná, duas histórias chamaram a atenção pelo ineditismo, cada uma especial à sua maneira. A primeira envolveu o soldado Umberto Scandelari, de Curitiba.

Scandelari publicou uma foto dele mesmo nas redes sociais com as mãos e o rosto manchados do que parecia ser sangue, juntamente com a legenda: “Professor, conta outra…”

Viralizou. Um exame não muito detido na imagem, porém, levantava algumas dúvidas quanto à consistência dos ferimentos. Parecia canetinha hidrográfica.

A Polícia Militar paranaense admitiu que era tinta. O resultado de uma bomba usada “para marcar pessoas que estão envolvidas nos protestos”. Foi de mártir a pateta em minutos. Se bobear, ainda tinha uns escalpos no armário.

A outra crônica envolvia um grupo de policiais que teria resistido em participar do ataque aos grevistas. De acordo com o Broadcast, serviço da Agência Estado, que deu o “furo”, eram dezessete que “foram presos por se recusar a participar do cerco”. A informação seria do Comando da PM.

Mais tarde, os dezessete haviam se transformado em “pelo menos 50”. Um portal local assinalou que aquilo até pode ter sido um ato de desobediência, mas era também de coragem.
No entanto, a cena incrível não fora testemunhada por ninguém. Qual o nome de pelo menos um deles? Onde estão esses heróis?

Provavelmente, em lugar nenhum porque não existem. A PM e a Secretaria de Segurança Pública desmentiram. A OAB confirmou que nenhum policial foi detido.

É o triunfo do chamado wishful thinking. Entre aquelas centenas de homens, alguns poucos — nem tão poucos assim, dependendo da fonte do boato — tomaram uma atitude sobranceira e resolveram fazer a coisa certa e correr o risco. São homens, não ratos. Obedeceram sua consciência e conseguiram se insurgir contra o mal. Etc etc. Irresistível como ideia.

Tire o pônei da chuva. O pessoal cumpriu muito bem as ordens. O retrato fiel daquela PM é a do sujeito que se maquiou de cor de rosa para alegar que foi espancado depois de descer o porrete nos vagabundos — não o dos bravos insubordinados.

E vamos lembrar: o Estadão, que soltou a nota, é aquele jornal que publicou que golfinhos estavam sendo treinados na Ucrânia para desarmar minas carregando armas de fogo e que Jack Nicholson está com Alzheimer.”

****

Leia Mais ►

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Quem é o criador do site de difamação Folha Política e porque ele se esconde

Postado por Pedro Zambarda de Araujo* em 26/04/2015, no DCM

- "O site de direita Folha Política é um dos maiores propagadores de boatos e desinformação da internet. Seus artigos ou são anônimos ou assinados por uma certa Lígia Ferreira. O idealizador daquilo se chama Ernani Fernandes. Ele era estudante de Direito em maio de 2013, quando escreveu alguns textos atacando o número de ministérios da gestão de Dilma Rousseff.
Leia Mais ►

sábado, 4 de abril de 2015

O blog do Yahoo que virou fonte das mais estúpidas teorias conspiratórias da extrema-direita

Por Kiko Nogueira, no DCM*

- "Os Estados Unidos estão investigando se as eleições no Brasil foram fraudadas. A empresa venezuelana Smartmatic, que produz as urnas, deu um golpe eletrônico.
- As autoridades da Operação Lava Jato estão chegando perto de desvendar o que está por trás dos perdões das dívidas de países africanos.

- Nicolás Maduro esteve presente nos protestos do dia 15, como parte do “exército” de Stédile.
- Lula abandonou Dilma e orquestrou uma campanha difamatória através da imprensa. José Dirceu e Marta Suplicy foram usados por ele para detonar a sucessora.

- Um ministro da Venezuela veio armado ao país para dar aulas de tiro ao MST. A intenção é montar uma milícia bolivariana. Os planos estão adiantados.

- A Polícia Federal está buscando uma gravação segundo a qual Paulo Roberto da Costa disse que Dilma Rousseff teria sido quem “forçou a barra” para que a usina de Pasadena, na Califórnia, fosse comprada pela Petrobras a preços insuflados, e em total desacordo com os de mercado.

- A CIA matou Eduardo Campos.



Todas as “notícias” acima foram publicadas no portal Yahoo. São falsas ou ilações. Como essas, há diversas outras. O autor é Cláudio Tognolli, um caso de mitomania como pouco se viu na história da imprensa nacional, incluindo a extinta revista Planeta, que tratava de OVNIs.

Sem apurar, chutando a esmo, citando fontes que não existem, fazendo ligações sem sentido, criando teorias as mais estapafúrdias, entrevistando “especialistas” que ninguém sabe ao certo quem são — enfim, mentindo –, Tognolli tem licença para matar. Não possui qualquer tipo de supervisão ou critério jornalístico.

Seus posts passaram a alimentar a vasta rede de psicopatia da extrema direita. Gente com o perfil típico de um revoltado online compartilha e repercute aquelas “informações” e alerta para a conspiração bolivariana.

O simulacro noticioso tem os clichês mais idiotas, feitos sob medida para ignorantes de ocasião. Ele sempre tem uma “bomba”, uma “exclusiva” etc. Quando se vê, não é nada.

Além dos maníacos e inocentes inúteis, Tognolli atrai também comentaristas do mais baixo nível. A maioria tem algo a acrescentar à farsa e, depois, xinga e pede a morte dos citados — um padrão que tem levado portais a suspender comentários para evitar complicações jurídicas. No caso dele, a loucura está liberada.

No tal post em que anuncia a intervenção americana, Tognolli baseia seu “furo” numa palestra do “prestigioso” The National Press Club. “Falarão sobre o tema o ex-presidente colombiano Alvaro Uribe, Olavo de Carvalho, o irmão do ex-presidente Bush, Jeb Bush, e o sempre sério e respeitado senador Marco Rubio.” (O ultraconservador Rubio, da Flórida, falsificou seus dados biográficos de modo a contar que seus pais fugiram da ditadura cubana em 1971, quando eles imigraram em 1956, antes da revolução).

Uma figura frequente no blog é Lobão. Tognolli é co-autor da biografia do músico. É claro que ele não avisa os leitores. O fundamental é utilizar o Yahoo para fabricar boatos e factoides que depois virem verdades em protestos na Paulista capitaneados pelo amigão.

Tognolli é professor na ECA-USP (!!). Passou pela Veja, Folha e mais uma miríade de títulos sem nunca se firmar em nenhum por motivos óbvios. Num perfil em inglês claudicante escrito por ele mesmo na Wikipedia, se declara co-fundador do Brasil 247 e diretor da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

Não tem compromisso com fatos, mas consigo mesmo. Anos atrás, deu uma longa entrevista para a revista “Caros Amigos” detonando a Veja e “denunciando” a relação de seus diretores com Antônio Carlos Magalhães. Hoje chama a revista de “corajosa” para tentar emplacar notas e matérias sobre seus livros.

Foi ghost writer de “Assassinato de Reputações”, de Romeu Tuma Jr, recheado de tentativas de assassinato de reputação. A grande revelação era que Lula tinha sido informante do Dops e usava o codinome “Barba”, balela que foi desprezada até por Fernando Henrique Cardoso num Manhattan Connection.

Ninguém medianamente ajuizado leva aquilo a sério. Mas as empulhações sobrevivem no pântano do subjornalismo — ou do que Umberto Eco chamou, numa bela entrevista ao El Pais sobre seu novo livro a respeito de um jornalista picareta, de “máquina de lama”.

Ela “é utilizada para deslegitimar o adversário e desacreditá-lo sobre questões particulares”, afirma Eco. “É suficiente difundir uma sombra de suspeita”. A máquina de lama do Yahoo é operada por um homem só, munido de um arsenal de velhacarias, livre em seu voo mitomaníaco."

*Kiko Nogueira é jornalista e diretor-adjunto do site Diário do Centro do Mundo. 

Leia Mais ►

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O que mostra o vídeo de desculpas a Dilma

Paulo Nogueira, do DCM

Viralizou na internet um vídeo com desculpas a Dilma pelas vaias na estreia do Brasil na Copa. A locução é do ator José de Abreu. É um vídeo partidário, e isso significa que os petistas estão amando e os antipetistas detestando.
No YouTube, no momento em que escrevo este texto, havia um empate técnico entre as pessoas que aprovavam e reprovavam o vídeo.



Paixões políticas à parte, o vídeo nota e imortaliza o papel abjeto desempenhado pela mídia antes da Copa. E isso em si é um grande mérito e, mais que isso, um registro histórico.

O objetivo da mídia era, antecipadamente, atribuir a Dilma a culpa pelo que seria o fracasso monumental de organização da Copa.

Jabor aparece dizendo, com euforia fúnebre, que o mundo veria a incompetência do Brasil em fazer um torneio como a Copa.

É um paradoxo.

Jabor é dos colunistas brasileiros um dos que mais se esforçam por espalhar entre os brasileiros o célebre complexo de vira-latas consagrado por Nelson Rodrigues.
A ironia é que ele é obcecado por NR, a quem cita frequentemente e de quem chegou a filmar histórias como Toda Nudez Será Castigada.

Isso quer dizer o seguinte: Jabor lê sem entender Nelson Rodrigues. NR lutava para que os brasileiros se livrassem da viralatice. Jabor luta pelo oposto: para que cada um de nós comece a latir pelas ruas.

Como jornalista, faz tempo que me chama a atenção um fenômeno: a impunidade entre colunistas e comentaristas como Jabor e tantos outros, como o “professor” Villa ou o “economista” Constantino.

Eles podem cometer todo tipo de erro que nada lhes é cobrado.
No vídeo em questão: Jabor fala o que se comprovou ser um disparate.

Você imagina que alguém – um editor, um chefe na Globo, vá cobrá-lo?

Nas vésperas das eleições de 2012, lembro um vídeo em que o “professor” Villa dizia, com a convicção dos fanáticos: “Lula é o maior perdedor.”

Num jornalismo menos imperfeito, Villa teria sido obrigado a arcar com o preço de uma previsão tão errada.

Mas você o vê em toda mídia, como se seu prontuário fosse feito de acertos sobre acertos, e não de erros como os das eleições de 2012. (Suas primeiras impressões dos protestos de junho passado são antológicas também.)

O vídeo de desculpas a Dilma tem, repito, valor pedagógico. Os pósteros o verão e saberão, com clareza, o tipo de mídia de que era vítima a sociedade brasileira nestes dias.

Fora isso, que já não é pouco, o vídeo mostra o que todo mundo já sabe: as vaias do Itaquerão acabaram fazendo muito mais bem que mal para Dilma.



Imagem: reprodução/DCM

Leia Mais ►

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Quem escolhe como seremos vistos pelo mundo e o que está sendo mostrado do Brasil lá fora

No DCM, por Adriano Silva*

Um jornalista estrangeiro, correspondente de uma agência de notícias aqui no Brasil, assinou um artigo como Lawrence Charles no RioOnWatch.org. (É possível que se trate de um pseudônimo.) Sua reflexão sobre como as notícias são vendidas e compradas, encomendadas e publicadas, em seu trabalho de cobrir o Brasil e a Copa, joga muita luz sobre o funcionamento da mídia, inclusive a internacional. Seu artigo, The World Cup of Lazy Journalism , ou “A Copa do Mundo do Jornalismo Preguiçoso”, expõe as diferenças entre o que ele está enxergando aqui no front e o que está sendo demandado para publicação por seus editores – e que resulta no material efetivamente veiculado lá fora, em escala global.



Escreve ele: “Quando eu respondi a meus editores que nada de relevante estava sendo incendiado [o pedido de pauta era uma busca por ‘ônibus incendiados’, por conta de uma greve dos motoristas], mas que eu poderia produzir perfis detalhados dos motoristas em greve, parei de receber e-mails. Se não tem carnificina, não tem matéria.

“Como eu só sou pago se alguém compra a pauta que proponho, pensei em escrever de volta para a agência vendendo termos como ‘violência na favela’ ou ‘polícia disparou/matou’”. A verdade é que há coisas terríveis acontecendo em algumas das centenas de favelas no Rio e houve protestos necessários e há a ameaça de muitos mais. Mas, ao lado disso, há também muitas, várias histórias que podem e devem ser contadas. Por exemplo, a favela Asa Branca é o lugar mais feliz que eu encontrei no Rio – e três décadas de notável avanço arquitetônico estão agora sendo ameaçadas pela expansão imobiliárias. (…) E na favela da Maré, onde houve uma ocupação recente, há comunidades inspiradas organizando debates importantes sobre segurança pública.”

São matérias que pouco saem por aqui. E que pouco saem lá fora também, infelizmente.
(Em tempo: o RioOnWach.org é um veículo criado em 2010 pela Catalytic Communities, CatComm, uma organização americana sem fins lucrativos e presente no Rio na forma de uma ONG. A sigla Rio On Watch se traduz em Rio Olympics Neighborhood Watch e o programa busca fazer ecoar mundialmente as vozes das favelas cariocas no percurso de construção das Olimpíadas de 2016.)

O BRASIL CARECE DE UM BOM TRABALHO DE PR

article-2658451-1ECA45F600000578-14_634x359
Equipe da ITV inglesa comenta o jogo Suiça x Equador da praia
Parte do que dizem de nós não está sob nosso controle. Mas é possível trabalhar a imagem do país no nível da influência e da reputação. Como fazem pessoas e marcas. O Brasil é uma marca. Que nós, os donos dela, temos tratado muito mal. Imagine o dono de um produto que vibra mais quando falam mal do seu produto do que quando falam bem dele. Esses somos nós.

Essa Copa já está representando uma inversão brutal das expectativas do mundo em relação ao país. E isso é muito alvissareiro. O influxo de dinheiro do turismo é o único objetivo de um país ao sediar um megaevento. Não só pensando nos turistas que vem para o evento, mas nos turistas que passam a considerar o país como um destino desejado depois do evento.

Essa matéria do The Herald Sun, jornal australiano, é um bom exemplo do que a Copa pode fazer pelo Brasil em termos de visibilidade positiva: Beer, barbies and sport — Porto Alegre ensures Aussies feel right at home as Socceroos play…., ou “Cerveja, churrasco e esporte – Porto Alegre garante que os australianos se sintam em casa enquanto nosso jogadores entram em campo…” Aproximadamente 15 000 australianos invadiram Porto Alegre para o jogo contra a Holanda, nesta quarta feira. Nem eu mesmo saberia vender tão bem Porto Alegre. (Em especial, quando se referem ao Grêmio como o segundo maior time da cidade…)

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO

Beira-rio de Porto Alegre
Beira-rio de Porto Alegre
O Los Angeles Times chama a atenção para o momentum da arquitetura brasileira: Beyond the World Cup stadiums, architecture in Brazil returns to glory, ou “Além dos estádios da Copa do Mundo, a arquitetura no Brasil retorna a sua glória”. Quanto vale isso sendo lido e gerando curiosidade na California, o estado mais rico do país que tem a maior economia do mundo? Às vezes faz falta pensarmos um pouco mais como empreendedores. Olhando um pouquinho mais para a economia e um pouquinho menos para a política.

A GENTE SE VENDE MAL

Revista Nature
Revista Nature
Além do maravilhoso projeto do exoesqueleto “Walk Again”, do Miguel Nicolelis, palmeirense roxo, que ainda vai ganhar um Nobel por isso (anote), e que acabou de ganhar uma capa da revista Nature, a bíblia dos cientistas,  há outras duas enormes invenções brasileiras, que estamos vendendo muito mal, como nos soi, mas que podiam, por si só, nos guindar do viralatismo: (1) o o spray que marca o lugar das faltas e das barreiras no gramado.

Uma solução simples e inteligente para o batedor não aproximar a bola do gol e também para a barreira não andar em direção a bola, tirando o ângulo do batedor. A gente usa isso desde 2000. Para o mundo, está nascendo agora.  E (2) a placa eletrônica que os árbitros reservas levantam para orientar a substituição dos atletas.

Spray
Spray

CINCO MOMENTOS CINEMATOGRÁFICOS DA COPA

E nem estou me referindo a presença secreta e relâmpago de Hugh Jackman em Cuiabá para assistir ao jogo Chile vs Austrália, no último dia 12.

Falo de quatro momentos Tarantino e um Werner Herzog da Copa:

1. Turistas mexicanos reagem a assalto e dão um couro no meliante em Natal.
 
2. Otaviano Costa arremessa um coco em punguista na orla do Rio e evita assalto.
 
3. Pai tira filho Black Bloc pela orelha de uma manifestação em São Paulo e lhe dá uma bronca na frente dos amigos e das câmeras.
 
4. Dias antes da Copa, Gaviões da Fiel impedem manifestantes de chegar perto do Itaquerão para protestar. E ninguém encarou os manos.

E:
5. Ingleses vestidos de Cruzados socializam com manauares vestidos de índios sob um calor de 36 graus.

O JOGO DO BRASIL E A VOLTA DO TORCEDOR CANALHA

Brazil's Neymar controls the ball

O viralatismo tem uma versão futebolística – o torcedor canalha, síntese cunhada por André Fontenelle numartigo clássico publicado na revista Placar, da Abril, em 2000.  Esse tipo de torcedor apoia o time somente quando tudo vai bem. E parte rapidamente para as vaias assim que a primeira dificuldade se apresenta. Não é, ainda bem, o que se viu presencialmente no Castelão – a torcida cearense é tida com uma das melhores do país quando quem está em campo é a Seleção. Já nas redes sociais, basta um empate para ver gente pedindo a cabeça de Fred, de Oscar, de Paulinho. Talvez por ignorância sobre futebol e sobre competições. Talvez por canalhice pura e simples. Enfim, é como se estivéssemos sempre com a faca na mão, escondida às costas, só esperando a primeira oportunidade para usá-la.

É preciso separar bem o que é jogar mal do que enfrentar um adversário duro numa partida difícil. Tirante os primeiros 15 minutos do segundo tempo, em que não tocamos na bola, porque perdemos o meio campo com a saída de Ramires e não ganhamos a ofensividade esperada com a entrada de Bernard, o Brasil jogou bem. A zaga esteve perfeita. Julio Cesar se mostrou mais seguro, o que é importante. Dani Alves e Marcelo apoiaram melhor e marcaram muito melhor do que nas últimas partidas.

E Neymar continua confiante, indo para cima, chamando o jogo. Além disso, Luis Gustavo continua com sua enorme regularidade. Ramires entrou bem e só saiu por uma opção tática. Paulinho está jogando abaixo, é fato. Oscar não brilhou mas desempenhou uma função tática importantíssima. Fred ficou isolado contra três zagueiros e quase não recebeu a bola.

E Bernard não mostrou estatura. (Sem trocadilho.) Jogamos melhor do que contra a Croácia. Só que do outro lado teve um time muito aplicado e um goleiro que operou quatro milagres. Vamos com calma. Não esperemos goleada em todas as rodadas. Repito: o Brasil criou quatro chances claras de gol contra uma retranca muito bem azeitada, que provavelmente passará em segundo lugar e representará problemas para quem a enfrentar nas Oitavas.

Guillermo Ochoa saves

Talvez não sejamos a melhor seleção da Copa. Mas não deixamos de sê-lo por conta desse empate contra o duro time mexicano. E nem passaremos a ser os maiorais se golearmos Camarões na semana que vem em Brasília.

*O jornalista Adriano Silva é consultor digital, escritor e mantêm o blog Manual de Ingenuidades (www.manualdeingenuidades.com.br). Ele ocupou cargos como o de diretor de redação da revista Superinteressante e Redator Chefe do Fantástico.


Leia Mais ►

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Aécio e a cocaína no Roda Viva

Por Paulo Nogueira*, no DCM 03 jun 2014 - 

Aécio tem um problema.
Mesmo num ambiente superprotegido como foi o Roda Viva ontem, a questão da cocaína o assombrou.
O editor da Piauí, Fernando Barros e Silva, fez a pergunta fatal. O desconforto jorrou em golfadas de Aécio. 

Aperto mesmo num ambiente protegido
Me ocorreu a reação histórica de FHC quando, como candidato a prefeito de São Paulo, ouviu de Boris Casoy num debate pela tevê o seguinte: “O senhor acredita em Deus?”
Naquela época, FHC não acreditava.
 
“Mas Boris: nós tínhamos combinado antes que você não faria essa pergunta”, respondeu ele.
Fernando Barros – o único dos entrevistadores que fez ontem algo parecido com jornalismo – perguntou.
 
A resposta de Aécio – disse, perturbado e irritado, que nunca usou cocaína – não foi a mais convincente que ele deu na vida, com certeza.
 
Aécio, numa demonstração de que Minas não o acostumou a lidar com perguntas embaraçosas de jornalistas, acusou Fernando Barros de já ter candidato.
Depois, ele confiou na desinformação das pessoas. Afirmou que os elos que o unem à cocaína são fruto do “submundo” da internet.
 
Temos aí uma visão ampla do “submundo da internet”, então. Incluí o Mineirão lotado. Em 2008, num amistoso da seleção contra a Argentina, a torcida gritou: “Ei Maradona, vai se fxxx, o Aécio cheira mais do que você.”
 
Pausa para rir.
 
Bem, o editor da Piauí fez menção ao coro do Mineirão.
 
Serra também teria que ser incluído no “submundo da internet”. Um jornalista ligado a Serra publicou no Estadão, quando este e Aécio disputavam a indicação do PSDB para a eleição presidencial de 2010, um artigo cujo título era: “Pó pará, governador.” (Aécio era governador de Minas.)

Serra, pelas costas de Aécio, sempre trouxe a cocaína à cena para boicotá-lo em disputas internas tucanas.
 
Barros lembrou um artigo de Serra que, do nada, quando mais uma vez se avizinhava uma competição entre ele e Aécio pela nomeação à eleição presidencial, anunciava logo na primeira frase que o “consumo de cocaína” seria debatido no Brasil.
 
Aécio claramente não está preparado para discutir a cocaína. Ele parece não ter feito nenhum treinamento com especialistas para se safar deste tipo de pergunta. Ou, se fez, o treinamento foi inútil, pelo menos a julgar por ontem.
 
Houve momentos cômicos no Roda Viva. Num deles, Aécio falou, como um Catão, do “aparelhamento do Estado” pelo PT. Isso numa emissora pública, bancada pelo contribuinte paulista e completamente aparelhada pelo PSDB de Aécio. Até um tuiteiro recrutado ontem pelo Roda Viva para cobrir a entrevista no Twitter era, conforme alguém descobriu na internet, militante tucano.
 
Aécio, desde o início, era uma candidatura de alto risco para o PSDB pela fama de festeiro inveterado. Ou o partido subestimou o risco, ou simplesmente não tinha alternativa. Podia terminar em Serra, mais uma vez.
 
Para Aécio se livrar do assunto, a única solução é ele fazer um exame toxicológico. Mas, pelo menos até aqui, ele não mostrou nenhuma disposição para fazer isso.

*O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Via
http://carcara-ivab.blogspot.com.br/





Leia Mais ►

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Dilma & Gianca

Paulo Nogueira, no DCM*

Me pedem a opinião sobre a visita de Giancarlo Civita, o Gianca, a Dilma.
Minha resposta cabe numa frase curta: perda de tempo.
Dilma, para a Veja, será sempre o “neurônio solitário”, como a chama Augusto Nunes, o gênio cosmopolita de Taquaritinga ganhador de Nobeis e Pulitzers.
Tive a fugaz esperança de que a Veja se modernizasse mentalmente depois da morte de Roberto Civita, com Gianca e seu irmão Titi, até pela idade.
Mas aconteceu o contrário. A revista conseguiu piorar.

Gianca
Um exército de seguidores de Olavo de Carvalho tomou a revista: Rodrigo Constantino – quando darão o Nobel de Economia a ele? –, Felipe Moura Brasil e Lobão. Fora eles, a revista tem há tempo um filho espiritual de Olavo, Reinaldo Azevedo.

Olavo de Carvalho comanda hoje a Veja.

Seria mais útil, caso Dilma quisesse discutir questões de conteúdo – defender que tem mais de um neurônio, por exemplo –, chamar diretamente Olavo de Carvalho para uma conversa.

Com Gianca, se eu fosse Dilma, levaria a conversa para outra direção. Trataria de uma coisa chamada gratidão. Gratidão não com Dilma, não com o PT, mas com o Brasil.

O avô de Gianca, Victor Civita, era um ítalo-americano absolutamente inexpressivo quando, com mais de 40 anos, na década de 1950, veio tentar a sorte no Brasil.

Victor Civita veio para fazer gibis da Disney. Encontrou um país acolhedor para imigrantes como ele e fascinante para um candidato a empreendedor.

Fez gibis e depois revistas.

Jamais ele teria chance nos Estados Unidos, que abandonou para vir para o Brasil. Revistas nos Estados Unidos eram coisa para homens brilhantes como Henry Luce, que inventou a Time.

Mas o Brasil estava em construção, e Victor Civita pôde erguer – sem ser um editor como Luce, sem ter escrito um único artigo na vida – um império de mídia.

O Estado ajudou. A Abril obteve, como todas as empresas de mídia, múltiplos financiamentos do BNDES a taxas de juros maternais.

O dinheiro do contribuinte foi também transferido para a Abril, ao longo de muitos anos, por publicidade oficial que pagava tabela cheia quando todos os demais anunciantes já conseguiam expressivos descontos.

Para você entender: uma página dupla da Veja custava, para qualquer anunciante privado, x reais, ou cruzados, ou cruzeiros novos, ou o que fosse. Para o governo, custava duas ou três vezes mais.

Testemunhei isso em meus anos de executivo na mídia.

Com uma mistura de senso de oportunidade e mamatas, Victor Civita fez uma empresa tão grande que ele pode dividir em duas e dar uma fatia a cada filho – Roberto e Richard — no começo dos anos 1980.

O Brasil continuaria a mimar os Civitas. Quando a globalização se instalou no mundo e no Brasil, um dos raríssimos setores que continuaram a gozar de reserva de mercado foi a mídia.

Já escrevi algumas vezes que, numa defesa da Globo à reserva, foi dito que uma televisão chinesa poderia nos transformar em maoístas subversivos, caso o mercado fosse aberto e os chineses investissem em tevê.

Gianca e Titi nunca chegaram a trabalhar duro, e em certos momentos simplesmente não trabalharam. Mesmo assim,  estão – como mostra a revista Forbes – entre os brasileiros mais ricos, com a morte de seu pai.

São cerca de 60 anos de Civitas no Brasil. Não sei exatamente o que deram em troca para o país, assim como não sei o que a Globo ou a Folha deram. (Tenho para mim que teriam lutado contra a desigualdade se tivessem uma missão que fosse além dos interesses privados.)

Mas todos sabemos o que o Brasil fez por eles.

E como o Brasil é tratado?

Se fizer uma arqueologia, leia o que escrevia sobre o país Diogo Mainardi. Se quiser ser atual, consulte Reinaldo Azevedo. O Brasil é a “Banânia”.

Sabemos todos quanto é deletério convencer uma pessoa de que ela é um horror. O mesmo vale para um país. Você não precisa inventar elogios para uma pessoa ou para um país. Mas também não precisa inventar insultos.

Penso que a única maneira de dar alguma utilidade a uma conversa com Gianca seria essa. Dilma poderia resumir seu encontro com Gianca numa única questão: “Caramba, Gianca, você conhece uma palavra chamada gratidão?”


*O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Leia Mais ►

Arquivos

Site Meter

  ©Blog do Guara | Licença Creative Commons 3.0 | Template exclusivo Dicas Blogger