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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Vícios, vilania e corrupção


Artigo de Renê Garcia Jr. (*) - “Muitas vezes, uma grande virtude some na companhia de múltiplos vícios.” Ao longo do mês de abril, a população brasileira constatou a existência de uma profunda deterioração no sistema de representação política.


A democracia pressupõe que o regime una o exercício do poder - estabelecer diretrizes e formular prioridades -, com a prática da efetiva política - escolha de caminhos para alcançar tais objetivos.
Dessa combinação, surge a projeção para a certeza de que a vontade da maioria será a luz que projeta e ilumina as ações dos partidos e de seus representantes, logicamente  respeitados os direitos das minorias.

O que acreditávamos que fosse uma realidade de divisão entre visões alternativas e escolhas divergentes revelou-se uma grande farsa.

Com efeito, partidos, representantes eleitos e líderes de governo, em verdade, escondiam um elo comum, qual seja, a prática da corrupção e a venda de privilégios e favores, tudo de forma audaciosa.

Aqueles que pregavam louvores aos pobres e fragilizados, em uma relação promíscua e torpe, escondiam a leviandade de seus atos e costumes, e, quando desmascarados, revelaram a face da submissão na forma de vassalagem e a indignidade de um comportamento rasteiro e bem permeado pelo culto aos vícios.

Outros, que se apresentavam como “senhores da moral” puritana, conspurcavam as mesmas práticas.

No todo, esquerda e direita chafurdavam na lama por milhões em propinas.

Corruptores em estado de êxtase e gozo, sem qualquer espécie de cerimônia, agora anunciam seus atos levianos de forma grotesca e cínica. Alguns, em jubilo, não escondem o prazer na constatação de que, todos, em sua visão tosca, tem um preço e uma alma sempre à venda.

O ato de corromper - “comprar e/ou perverter pessoas” - passou a ser um fim em si mesmo, em uma lógica desfiada de custo/benefício.

Alguns políticos são para casar e outros para uma aventura passageira - em comum a prática da prostituição livre, leve e solta.

No final disso tudo, deparamo-nos com um País destruído, uma realidade pútrida, um presente inglório e um futuro em chamas. 

(*) economista

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sexta-feira, 31 de março de 2017

Veríssimo: Congresso não representa sociedade e ataca quem não está lá para se defender


247 - "A grande, a eterna crise que vivemos, é uma crise de representatividade. Minorias com interesses restritos têm suas bancadas amestradas no Congresso. A imensa maioria do país tem representação escassa, em relação ao seu tamanho, e o que passa por 'esquerda' na oposição mal pode-se chamar de bancada, muito menos de coesa. Só a ausência de uma forte representação do povo explica que coisas como a terceirização e a futura reforma da Previdência passem no Congresso como estão passando, assoviando. Os projetos de terceirização e reforma da Previdência afetam justamente a maioria da população, a maioria que não está lá para se defender", escreve Luis Fernando Veríssimo nesta quinta; ele completa:"Os empresários têm o ouvido do Temer. O povo era um vago murmúrio, longe das conversas no Planalto"


- "O escritor Luis Fernando Veríssimo, em sua coluna nesta quinta-feira, ressaltou que o Congresso Nacional não representa a sociedade e, por isso, produz aberrações que contrariam o interesse da população.

"Há muito mais operários, trabalhadores no campo e empregados em geral — enfim, povão — do que a soma de todos os empresários, evangélicos, rentistas, latifundiários etc. do nosso Brasil. O que quer dizer que a grande, a eterna crise que vivemos, é uma crise de representatividade. Minorias com interesses restritos têm suas bancadas amestradas no Congresso.

A imensa maioria do país tem representação escassa, em relação ao seu tamanho, e o que passa por “esquerda” na oposição mal pode-se chamar de bancada, muito menos de coesa. Só a ausência de uma forte representação do povo explica que coisas como a terceirização e a futura reforma da Previdência passem no Congresso como estão passando, assoviando.

Os projetos de terceirização e reforma da Previdência afetam justamente a maioria da população, a maioria que não está lá para se defender. Li que a Lei das Privatizações vai ser mais “dura” do que sua versão original, que não agradou aos empresários. Os empresários pediram para o Temer endurecer. Os empresários têm o ouvido do Temer. O povo era um vago murmúrio, longe das conversas no Planalto.

Não há muita diferença entre o que acontece hoje e como era na Velha República, em que o país era governado por uma casta autoungida, que só representava a si mesma. Agora é até pior, pois a aristocracia de então não se disfarçava. Hoje, temos uma democracia formal, mas que também representa poucos, e se faz passar pelo que não é.

Claro, sempre é bom, quando se critica o Congresso, destacar as exceções, gente que na sua briga para torná-lo mais representativo quase redime o resto. Que se multipliquem."

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Morre Dom Paulo Evaristo Arns, o “cardeal da esperança”

Faleceu nesta quarta-feira, aos 95 anos de idade, vítima de broncopneumonia, o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, uma das pessoas mais influentes da Igreja católica e da sociedade brasileira. Conhecido por dedicar sua vida inteira em defesa dos direitos humanos e dos pobres, Dom Evaristo teve um papel decisivo na história da democracia brasileira. Foi um dos principais nomes na luta contra a ditadura militar (1964-1985) e a favor das eleições diretas para eleger o presidente do Brasil.

Dom Evaristo Arns
De acordo com matéria publicada no El País, Dom Paulo Evaristo, que se declarava torcedor do Corinthians, foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 60 e 70. Uma das suas primeiras medidas quando assumiu a Arquidiocese de São Paulo, a segunda maior comunidade católica do mundo, em 1970, foi vender o Palácio Pio XII, residência oficial do arcebispo, para financiar terrenos e construir casas na periferia.

Em 1972, ele criou a Comissão Brasileira Justiça e Paz, que articulou denúncias contra abusos do regime militar. Em 1979, Dom Evaristo Arns chegou a ser fichado no Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

Sua história, contada em dois livros lançados pelo jornalista Ricardo de Carvalho, O Cardeal e o Repórter e O Cardeal da Resistência, chegará às telas do cinema com o filme Coragem – As muitas vidas de dom Paulo Evaristo Arns

Arns, juntamente com o pastor presbiteriano Jaime Wright, foi fundador do projeto Brasil: Nunca Mais, “a primeira publicação a denunciar a tortura do Estado, durante a ditadura militar, com base em documentos oficiais. Lançado em julho de 1985, o livro chegou  às livrarias, sem qualquer anúncio. Em duas semanas ele conquistou o topo das listas de mais vendidos.” Dom Evaristo escreveu o prefácio do livro, transcrito abaixo.

Testemunho e Apelo

Dom Paulo Evaristo Arns
  (Prefácio do livro Brasil Nunca Mais)

As angústias e esperanças do Povo devem ser compartilhadas pela Igreja. Confiamos que esse livro, composto por especialistas, nos confirme em nossa crença no futuro.

Afinal, o próprio Cristo, que “passou pela Terra fazendo o bem”, foi perseguido, torturado e morto. Legou-nos a missão de trabalhar pelo Reino de Deus, que consiste na justiça, verdade, liberdade e amor.

As experiências que desejo relatar no frontespício desta obra pretendem reforçar a idéia subjacente em todos os capítulos, a saber, que a tortura, além de desumana, é o meio mais inadequado para levar-nos a descobrir a verdade e chegar à paz.

1. Durante os tempos da mais intensa busca dos assim chamados “subversivos”, atendia eu na Cúria Metropolitana, semanalmente, a mais de vinte senão cinquenta pessoas. Todas em busca do paradeiro de seus parentes.

Um dia, ao abrir a porta do gabinete, vieram ao meu encontro duas senhoras, uma jovem e outra de idade avançada.

A primeira, ao assentar-se em minha frente, colocou de imediato um anel sobre a mesa, dizendo:
“É a aliança de meu marido, desaparecido há dez dias. Encontrei-a, esta manhã, na soleira da porta. Sr. padre, que significa essa devolução? É sinal de que está morto ou é um aviso de que eu continue a procurá-lo?”

Até hoje, nem ela nem eu tivemos resposta a essa interrogação dilacerante.

A senhora mais idosa me fez a pergunta que já vinha repetindo há meses:

“O senhor tem alguma notícia do paradeiro de meu filho?”

Logo após o sequestro, ela vinha todas as semanas. Depois reaparecia de mês em mês. Sua figura se parecia sempre mais com a de todas as mães de desaparecidos. Durante mais de cinco anos, acompanhei a busca de seu filho, através da Comissão Justiça e Paz e mesmo do Chefe da Casa Civil da Presidência da República. O corpo da mãe parecia diminuir, de visita em visita. Um dia também ela desapareceu. Mas seu olhar suplicante de mãe jamais se apagara de minha retina.

Não há ninguém na Terra que consiga descrever a dor de quem viu um ente querido desaparecer atrás das grades da cadeia, sem mesmo poder adivinhar o que lhe aconteceu. O “desaparecido” transforma-se numa sombra que ao escurecer-se vai encobrindo a última luminosidade da existência terrena.
Para a esposa e a mãe, a Terra se enche de trevas, como por ocasião da morte de Jesus.

2. Numa noite singular, chegou à minha residência um juiz militar, que estudara em colégio católico e demonstrava compreensão para a ação da Igreja de São Paulo, empenhada na defesa de presos políticos.

A certa altura, a conversa toma rumo oposto. O magistrado, aparentemente frio e objetivo, se comove. Acaba de receber dois documentos – diz ele – provenientes de fontes diversas e assinados por pessoas diferentes. Dois presos políticos afirmam terem assassinado a mesma pessoa, em tempo e circunstâncias totalmente inverossímeis. E ele, juiz, a concluir:

“Imagine o senhor a situação psicológica, e quem sabe física, de quem chega ao ponto de declarar-se assassino, sem o ser!”

O inquérito sob tortura, ou ameaça de tortura, no entanto, chega a absurdo e inutilidade ainda maiores:

3. O engenheiro, antes de prestar depoimento à Comissão Justiça e Paz, me relata o seu drama.
Nada tinha a temer, quando foi preso. Como, no entanto, ouvira que a tortura era aplicada a quem não confessasse, ao menos, alguma coisa, foi preparando a mente para contar minuciosamente tudo que pudesse, de qualquer forma, ser interpretado como sendo contrário ao regime. Diria até mais do que numa confissão sacramental. Não conseguiu.

Após tomarem seus dados pessoais, fizeram-no assentar-se, de imediato, na cadeira do dragão e, a partir desse momento, conta-me ele:

“Tudo se embaralhou. Não sabia mais o que fizera, nem mesmo o que desejava contar ou até ampliar, para ter credibilidade. Confundi nomes, pessoas, datas, pois já não era mais eu quem falava e sim os inquisidores que me dominavam e me possuíam no sentido mais total e absoluto do termo”.

Como e quando há de recompor-se um homem inocente, assim aviltado?

4. O que mais me impressionou, ao longo dos anos de vigília contra a tortura, foi porém o seguinte: como se degradam os torturadores mesmos. Esse livro, por sua própria natureza, não pode dar resposta plena à questão. Daí o meu testemunho:

Quando foram presos os líderes da Ação Católica Operaria, em fins de janeiro de 1974, tive ocasião de passar quatro tardes inteiras, no interior do DEOPS, na esperança de avistar-me com eles. Eu havia sido chamado para tanto, de Curitiba, onde passava os dias com todos os irmãos, que confortavam a mãe em seus últimos dias de vida.

Durante a longa espera, nos corredores da cadeia, pude entreter-me com delegados que presidiam a inquéritos, semelhantes aos que virão descritos nesta obra. Cinco deles me contaram de seus estudos em colégios católicos e um deles na Universidade Católica de São Paulo. Cada qual com problemas sérios na família e na vida particular, que eles próprios atribuíam à mão vingadora de Deus. Instados a abandonar esta terrível ocupação, respondiam:

“Não dá. O senhor sabe por quê!”

Na sexta-feira à tardinha pude afinal avistar-me com dois dos nossos agentes de pastoral, em situação lastimável, na presença mesmo dos delegados que encarei firmemente.

Um deles, meses após, me esperava, ao final da missa, sozinho, na igreja da Aclimação. Abordou-me, num grito de desespero:

“Tem perdão para mim?”

Só onze anos depois, em março de 1985, fiquei sabendo que, na manhã de 12 de fevereiro de 1974, um delegado fizera subir os presos para anunciar-lhes, com ar triunfante e cínico, que minha mãe havia morrido no dia anterior. Os presos baixaram os olhos e nada disseram.

Lembrei-me então da advertência de um general, aliás contrario a toda tortura: quem uma vez pratica a ação, se transtorna diante do efeito da desmoralização infligida. Quem repete a tortura quatro ou mais vezes se bestializa, sente prazer físico e psíquico tamanho que é capaz de torturar até as pessoas mais delicadas da própria família!

A imagem de Deus, estampada na pessoa humana, e sempre única. Só ela pode salvar e preservar a imagem do Brasil e do mundo.
(Via: https://www.facebook.com/andrea.carvalho.50/posts/1136612403074740)

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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Nunca haverá estabilidade se houver desigualdade, diz homem mais rico do Brasil

Colaboração de Giulia Afiune, para a Folha - VIA: OEssencial/DCM -"Nós nunca vamos ter estabilidade se tivermos desigualdade", disse o empresário Jorge Paulo Lemann em palestra na Universidade Harvard em Cambridge (EUA). Dono de uma fortuna de US$ 30,9 bilhões, Lemann é o homem mais rico do Brasil e ocupa a 19ª posição no ranking mundial, segundo a revista "Forbes". O empresário, de 76 anos, é acionista da Anheuser-Busch InBev, a maior cervejaria do mundo. Lemann considera que a redução da desigualdade deveria ser o "maior sonho para o Brasil".

Jorge Paulo Lemann
"Eu moro na Suíça e é ótimo viver numa sociedade em que há muito mais igualdade." Ele reconheceu que a maioria dos suíços é de classe alta.

"São pessoas ricas, há poucas pessoas pobres, mas, apesar de não serem iguais, todos têm as mesmas chances. Todos estudam nas mesmas escolas, todos vão aos mesmos médicos. É uma sociedade muito mais feliz."

O comentário de Lemann foi parte da resposta a uma pergunta do consultor empresarial Jim Collins, que o entrevistou no painel.

"Se o Brasil estivesse no seu portfólio, quais seriam as três principais mudanças que o 3G [fundo de investimentos que ele administra] faria para melhorar o país?", questionou Collins.

Lemann disse que não entende de política e que nunca ocupou cargos, mas emendou: "A fórmula básica é juntar um bom grupo de pessoas para administrar as coisas, ter um grande sonho, seguir as informações certas e assumir alguns riscos".

O empresário disse que o "risco" que correria seria juntar um grupo de jovens competentes que pudessem trabalhar juntos, mesmo com ideias diferentes.

"O Brasil não é um país de esquerda nem de direita. O único caminho é pelo centro."

Questionado sobre como o Brasil pode aproveitar a crise atual para melhorar, Lemann disse: "Eu acho que vai ter muita mudança política nos próximos dois anos. Há uma oportunidade para aparecerem novos rostos, novas pessoas, novas ideias."

Lemann disse que se arrepende de não ter tido mais participação política em sua vida, mas que delega isso aos mais jovens. "Vão lá e arrumem o Brasil. Se nós nos juntarmos e tivermos grupos de pessoas que pensam diferente, mas que conversem, e que sejam mais pragmáticas, nós poderemos construir um país maravilhoso."

Jorge Paulo Lemann e Jim Collins estiveram na mesa de fechamento da Brazil Conference. Organizada por estudantes brasileiros da Universidade Harvard e do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), a conferência reuniu empresários, políticos e pensadores para discutir o futuro do Brasil.

Os dois falaram sobre suas carreiras no mundo empresarial e deram conselhos à plateia, formada principalmente por estudantes brasileiros que vivem nos EUA.

A modelo Gisele Bündchen, que mora em Boston, assistiu à palestra e foi convidada a se juntar à mesa no final, quando falou de sua trajetória e que sempre "trabalhou duro" em sua vida profissional.
 
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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sobre o Novo Estatuto de Controle de Armas

Está tramitando no Congresso nacional o Novo Estatuto de Controle de Armas, que revoga o Estatuto do Desarmamento. Ainda falta ser votado pelo plenário da Câmara, mas por trata-se de uma matéria extremamente difícil de debater, por envolver diversos aspectos e pontos de vistas tem gerada muita polêmica. Dentro do Congresso e fora dele.

Em virtude da escalada crescente de violência e do ódio na sociedade, este último inconsequentemente promovido em torno da situação política caótica que vivemos, cresceu a necessidade da população em relação à segurança, de cada cidadão e de sua família.

Afinal, o cidadão tem o direito de se defender, como disse em entrevista, o relator do Novo Estatuto, deputado Laudivio Carvalho, membro da chamada "bancada da bala". Uma frente de parlamentares ligados à área de segurança pública, que defende a redução da maioridade penal, um dos aspectos de maior controvérsia no Novo Estatuto, e a pela ampliação e legalização do porte de arma de fogo, abrangendo um maior número de pessoas.

Sobre os integrantes da "bancada da bala", à frente da revogação do Estatuto do Desarmamento e sua suposta motivação para as mudanças, o jornalista, escritor e fotógrafo, Mauro Donato, escreveu um artigo muito importante publicado no DCM.  muito importante, que joga um pouco mais de luz sobre o assunto.

Donato, também fala também sobre outros aspectos do Novo Estatuto de Controle das Armas, em relação ao Estatuto do desarmamento, ora vigente. Além dos reais interesses desses parlamentares, o jornalista faz referência aos movimentos obscuros que os apoiam e que também "transitam pela pauta". Confira alguns trechos da matéria, logo abaixo.

Antes, breves considerações sobre o assunto.

Nos Estados Unidos, o governo está repensando em caráter de urgência, a legislação que legalizou o porte e a facilidade de acesso que os cidadãos americanos tem a armas de fogo. Lá, o que despertou o alerta do governo, das autoridades e chamou a atenção da sociedade, foi o crescimento de atentados a mão armada, em lugares públicos. Principalmente nas escolas, onde morreram dezenas de inocentes, crianças e adultos, resultando em um sofrimento brutal para as famílias.

Essas tragédias poderiam ser evitadas, caso a legislação sobre o acesso ao porte e compra de armas nos EUA, não fosse tão flexível. Mesmo que tenham sido considerados casos isolados, onde o autor normalmente era uma pessoa desequilibrada, essas tragédias provocaram um choque no povo americano e em todo o mundo. O que levou o governo a refletir sobre a possibilidade de dar um passo atrás sobre  a questão do livre comércio de armas de fogo, naquele país.

Tragédias deste porte, ainda são raras por aqui. Mas ações extremas em incidentes banais e acidentes domésticos envolvendo o uso de arma de fogo, que acabam em morte ou ferimentos graves, tornaram-se comuns no cotidiano das cidades brasileiras. Os incidentes estão acontecendo em lugares públicos, no trânsito, nas escolas, nos clubes, com perdas e danos irreparáveis, para os dois lados envolvidos. Também não é incomum nesses casos, um apaziguador ou um mero espectador se transformar em uma vítima.      

Porém, na baila da polêmica sobre o assunto, naturalmente aflorou o alto senso crítico das pessoas. Muito, pelo que foi dito sobre os direitos de defesa cada um. E muito pouco sobre o que deve ser debatido sobre os efeitos que a sociedade pode sofrer como um todo, caso prevaleça as mudanças previstas no texto do Novo Estatuto.

Armar a sociedade, como quer um grupo de políticos e seus simpatizantes com o Novo Estatuto, pode não ser exatamente uma solução de efetiva de segurança. Não seria exagero dizer, que volta e meia, teríamos um bang-bang em cada esquina. Um novo tipo de guerra entre as pessoas. Em que àquela que tiver o melhor arsenal, será a sobrevivente. Seria o passo adiante que os EUA querem retroceder sobre o assunto. Este é um ponto.

Outro ponto, que a gente tem que levar em consideração neste debate, é, quem realmente precisa ter as melhores armas e estar melhor preparado para enfrentar a violência e a criminalidade. E por conseguinte, gerar sentimento de real segurança, confiança e respeito na sociedade. Certamente, não é o cidadão comum e sim a polícia.  Posto que, a maioria concorda que o crime organizado, há muito tempo anda melhor aparelhado do que àqueles que foram designados a combatê-lo.

Um terceiro ponto que merece reflexão: a realidade de que, na maioria dos municípios brasileiros há carência de recursos e de um contingente policial mais valorizado. Fato que parece ser ignorado pelas autoridades. Assim sendo, não é preciso ser nenhum doutor em criminalidade para entender que esse é um fator importante para diminuir a insegurança. Pois, a demanda para atender as frequentes ocorrências criminosas aumentou vertiginosamente. Notadamente àquelas que envolvem consumo e tráfico de drogas. Que é um fato gerador de violência e crimes, cada vez mais comum em muitas comunidades.

Quanto os deputados estão ganhando para revogar o Estatuto do Desarmamento

Por Mauro Donato

No DCM

"Está tramitando e ainda falta ser votado em plenário, mas a bancada da bala deu mais um expressivo empurrão no país em direção ao abismo. O novo Estatuto de Controle de Armas revoga o Estatuto do Desarmamento.

Aprovada, sancionada e em vigor desde 2003,  a Lei 10826/03 determinava que somente poderiam portar arma de fogo os policiais civis, militares, federais e rodoviários, os integrantes das Forças Armadas, agentes de inteligência (algo em falta no mercado), agentes e guardas prisionais, auditores fiscais e profissionais de segurança pública ou privada (desde que em serviço).

Já o cidadão, mediante ou não a concessão do porte de arma de fogo, só pode adquirir uma arma desde que maior de 25 anos e enquadrar-se a uma série de outras restrições. A posse de armas em residências só é permitida em situações excepcionais.

Pelo novo texto, bastará ter idade mínima de 21 anos e obter o porte será algo tão simples como tirar habilitação para dirigir (o que nem é uma comparação descabida uma vez que com um carro na mão muitos o utilizam como arma letal). Aliás, algumas categorias profissionais como taxistas e caminhoneiros poderão ter armas em seus veículos sem nem precisar de porte. Não é genial?

E mais, a restrição para pessoas que respondem a inquérito policial ou a processo criminal também cai. Está liberado comprar o ‘cano’, sem problemas.
A proposta é tão escabrosa que recebeu 12 sugestões de alteração. Apenas uma foi acatada, a que trata de prisão em flagrante. Pelo texto original, se uma pessoa possui o registro e porte da arma e ficar evidenciado que agiu em legítima defesa, não poderia ser preso em flagrante.

Ao facilitar tanto a aquisição quanto o porte de arma, não é muito difícil concluir que prender alguém em flagrante ficaria mais difícil e o bangue bangue iria correr solto. De tão amalucada, esta foi a única das 12 alterações propostas a ser suprimida do texto.

Mas por que o interesse de parlamentares em reformar o estatuto? Estariam preocupados com a segurança.

Mas por que o interesse de parlamentares em reformar o estatuto? Estariam preocupados com a segurança da população? A resposta é a de sempre: o dinheiro.

Para as eleições de 2014, a indústria armamentista fez doações que totalizaram R$ 1,91 milhão (dados do Tribunal Superior Eleitoral). A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e a Taurus custearam tudo e foram bem sucedidas. Todos os candidatos à Câmara dos Deputados (aquela de Eduardo Cunha) financiados pelas empresas foram eleitos.

Nunca me esqueci de uma frase que ouvi de um professor no colégio sobre o porque era contra a que pessoas andassem armadas. “Se você andar sempre com uma caneta no bolso, inevitavelmente em algum momento a usará. Com um revólver é a mesma coisa.” Eu achei melhor andar com uma caneta." (Siga para a matéria completa).

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

‘Irresponsáveis estão colocando o meu país de joelhos’

Por Bárbara Gancia (*), em seu perfil no Facebook – “Esse Congresso que temos, e que lamentavelmente deve dizer muito sobre a sociedade que estamos fabricando, é o pior da nossa história.
Um lixo inimaginável.
Bancada antigay, PL anti "heterofobia", "cura gay", é a contramão da história...
Entra impeachment e sai impeachment da pauta todo santo dia e o país paralisado por conta de um camarada, parece filme do Buñuel!
E isso tudo para satisfazer aos vendilhões do Templo.


Bancada da bala promovendo a volta do bangue-bangue -vê se pode?- bancada "televangélica" que lê a Bíblia de forma tosca e literal pra atender seu público, ou seja, aquela parcela da população órfã do atendimento do Estado que não foi abraçada pelo crime organizado nem é "herdeira" (como diria a revista "Caras")...

São os denominadores mais baixos e tenebrosos, os pilares mais indesejáveis para se edificar um futuro.

Imagino Ruy Barbosa, Castro Alves, os inconfidentes mineiros tendo espasmos no túmulo.
E como se não bastasse um covil, há dois.

Ninguém, Serra, Alckmin, FHC, Suplicy, Mercadante, Berzoini, Delcidio... NENHUM político de que se tenha conhecimento consegue viver do salário oferecido pelo Erário.

Mas nunca se ouviu falar de a Polícia Federal tocar o pé na porta na madrugada para realizar uma busca e apreensão no escritório ou na casa do filho do FHC ou dos filhos do Serra.

Aliás, graças a Deus, porque seria uma verdadeira infâmia. Como bem afirmou ontem o José Serra.

Ainda bem que alguém teve a coragem de enfrentar a ira dos ignorantes e se insurgir contra essa violência seletiva da PF.

Quiqui é isso, minha gente?

É inacreditável o grau de desfaçatez a que chegamos. Tentar impedir que Lula se candidate novamente dessa maneira chega a ser ridículo.

E muito perigoso. Porque, goste ou não, Lula é liderança legítima admirada mundialmente. E com uma legião de seguidores aguerridos como vimos ontem na comemoração do seu aniversário.

Essa campanha para tentar polarizar o país e varrer o PT do mapa é de uma irresponsabilidade sem precedentes.

E tem limite até onde vai essa polarização maluca. Ele esbarra na luta armada.
Mas tem um monte de gente que além de não perceber ainda aplaude a desastrada ação da Polícia Federal.

E enche o buraco de bolo que tem na cara pra falar no "filho do Lula".

Aliás, o povo nem se dá conta de que o Lula tem mais do que um único filho!

Olha só. Acompanhe o meu raciocínio (eu sei, eu falo pra caramba, mas me dá só mais um minutinho, vá?) e tente perceber o preço que estamos pagando pela 1) "burritzia" (antônimo de intelligentsia) dos tempos da ditadura e 2) a era em que a turma se ufanava de dizer que estava pouco ligando pra política e iria descontar votando no Tiririca:

Pois então: até quando vai dar pra segurar essa camada de ignorantes politicamente acéfalos das camadas de renda média e alta que fica aí de forma grotesca vociferando a favor da "maioridade penal"?

Esses bocós não se dão conta do que vem a ser o PCC?

Parece normal a você, meu dileto leitor, que uma organização criminosa nascida com o propósito de dar respaldo à população carcerária, e que agora, no vácuo da presença do Estado já comanda o roubo de carga, a violência urbana (todo batedor de carteira paga dízimo pra essa máfia), a invasão de imóveis no centro, a adulteração de bebidas e medicamentos, o roubo de cabos, fios e tampas de bueiros, a danificação de equipamento público, as ações orquestradas do bloqueio nos transportes, a roubalheira no futebol, a jogatina ilegal, que chega a queimar 30 ônibus ao dia e dá voz, dia sim, dia não, a toque de recolher nas comunidades da periferia, tudo isso e mais, sem que a opinião pública tenha a menor ideia de que isso acontece porque a ordem de cima é "não dar voz e não fazer propaganda de organização criminosa", parece normal pedir que se coloque mais gente na cadeia diante dessa conjuntura?

A ignorância é tão pornográfica que o pessoal nem sequer reclama do próprio sistema patrimonialista -que nunca caminha para a democracia com economia de mercado.
A gente continua se conformando com a existência dos Agripinos Maias da vida, ou (até ontem) com o Eduardo Cunha. Somos complacentes com o fato de que o doleiro Youssef opera em sucessivos governos desde praticamente o grito do Ipiranga.

E a PF tem a cara de pau de invadir o escritório do filho do Lula pra procurar "dinheiro de comissão"?

Fala a verdade?

Estou ao lado de Lula e do Serra nesta hora e, como pagadora de impostos (contribuinte é o escambau!) e eleitora eu me sinto profundamente ofendida e agredida com a cara de pau e a demagogia dessa FACÇÃO da Polícia Federal em sua guerrinha particular contra outra facção.

Esses irresponsáveis estão colocando o meu país de joelhos e os acéfalos que se dizem "gente de bem" não tem moral e nem se deram ao trabalho de se informar ou estudar pra saber do que estão falando ao aplaudir essa blitz. Só estão tentando mesmo é salvar seu fiofó.”

(*) Barbara Gancia, jornalista, colunista do jornal Folha de S. Paulo, atualmente é também uma das apresentadoras do programa Saia Justa, do canal GNT.

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PS: Esta postagem também foi replicada por Dodó Macedo, em seu blog. Leia aqui, seu comentário no final.
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domingo, 18 de outubro de 2015

A vontade do patrão bem acima do interesse da sociedade


Por Paulo Pimenta (*) - "A atividade jornalística trilha o caminho do obscurantismo quando jornalistas partem às ruas apenas para confirmar teses e reforçar conceitos já formulados nas redações dos jornais. Jornalistas que se portam como “cavalos com viseiras” prestam um grande desserviço à humanidade.

Entretanto, leitores atentos conseguem facilmente identificar que a mídia brasileira tem insistido cada vez mais no processo de editorialização das notícias, prática condenável por contaminar com opiniões textos informativos, impedindo contrapontos e impondo vieses.


Hoje em dia é muito comum observarmos repórteres que saem da redação com a matéria pronta. Na reunião de pauta, o editor pede uma matéria sobre a “passagem de Lula a Brasília para costurar um acordo com Cunha”. Não importa se é verdade ou não. A matéria é essa, o título está pronto e a tarefa do jornalista é conseguir uma declaração, ou uma aspas no jargão jornalístico, para dar crédito a narrativa.
 
Mesmo sem ouvir ninguém, o repórter ainda pode se valer do recurso do “off”. E este, muitas vezes, é o mais prático, pois, no limite, para proteger “minha fonte”, nem o editor precisa saber quem foi. Mas sempre é bom um “on”, até porque sem ele, às vezes, fica difícil justificar o salário.
 
Outra técnica primária utilizada é a de oferecer à fonte a frase necessária para ver se ele confirma e se torna autor. Ou uma pergunta capciosa que com um sim ou mesmo com um vacilo da fonte ou do entrevistado já vale um “confirmada pelo fulano”.
 
Mas e se a fonte nega? Se ninguém confirma? Se os personagens todos refutam a tese? Não importa. Nesta hora, o que vale é a vontade do patrão e ele quer que sua vontade seja verdade. E se ele quer, será publicado. Quem não gostar que se vire para desmentir, mas o estrago, na maioria das vezes, já foi feito.
 
Exemplo disso ocorreu ontem (15). Embora o Manual de Redação da Folha de S. Paulo fale em “objetividade jornalística na construção das notícias”, o site desse jornal estampou: “Lula reúne bancada do PT para conter “fora, Cunha”, sobre uma reunião entre o ex-Presidente com deputados na capital federal. Observe que “Lula reúne bancada do PT” é um fato. Já o “para conter fora Cunha” não passava de pura conjectura, ou melhor, tratava-se apenas da vontade do editor, sem qualquer sustentação na realidade.
 
Desde que surgiram as primeiras denúncias contra o Presidente da Câmara dos Deputados, a imprensa brasileira engendrou todos os esforços para excluí-lo do noticiário. Quando não mais pôde ser complacente, a mídia brasileira, em vão, lançou outra estratégia: colocar Lula – de maneira fantasiosa – como personagem central de uma decisão que será tomada pela Câmara dos Deputados.
 
Aos deformadores da realidade, nunca é demais relembrar que a vontade pessoal dos patrões da mídia para que tal fato seja verdadeiro não é suficiente para transformá-lo em uma verdade. Patrick Charaudeau, linguista francês e fundador da Teoria da Análise do Discurso, ensina que o discurso deve sempre estar submetido aos acontecimentos, uma vez que, segundo ele, a instância midiática, ao relatar um acontecimento, não tem liberdade para criar, como na ficção, por exemplo. Como se observa bem diferente do que a imprensa brasileira tem feito para cumprir seu objetivo de tentar desconstruir a imagem de Lula junto aos brasileiros.
 
Antigamente, bom jornalista era aquele que ia às ruas em busca de fatos. Hoje, infelizmente, o profissional valorizado é aquele que deixa a redação para ratificar as posições ideológicas dos editores e dos patrões."

(*) Paulo Pimenta é deputado federal (PT/RS)

VIA

PS do blog do Guara: este artigo foi objeto de matéria publicada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu blog.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Política - A real polarização

Wladimir Pomar*, no ADITAL 

-Há certa tendência em considerar que a polarização PT-PSDB, que se tornou evidente nas eleições de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, foi apenas uma polarização pelo domínio partidário da máquina do Estado. Tal visão prevalece tanto na esquerda da esquerda quanto na chamada "terceira via”. E se reflete nas propostas de estatização completa, pela esquerda da esquerda, e nas propostas de uma "nova política”, que crie uma "união” de todo o país, pela "terceira via”.
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sábado, 19 de abril de 2014

O melhor teste para descobrir se uma sociedade é justa


Por Paulo Nogueira no DCM*
O filósofo americano John Rawls investigou a justiça social. E criou uma teoria simplesmente brilhante.
O que é uma sociedade justa?
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Questão de Valores - Pesquisa do Datafolha revela tendências da sociedade brasileira


O Datafolha ouviu 2.588 pessoas em 160 municípios. A pesquisa realizada no último dia 13 foi baseada em várias questões polêmicas. Como, pobreza, pena de morte, maioridade penal, posse de armas, religião, homossexualismo, causas da criminalidade, sindicato, proibição do uso de drogas. O resultado da pesquisa revelou uma tendência mais conservadora que liberal da maioria dos brasileiros em vista dos temas propostos. Veja quadro abaixo.
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Segunda Marcha contra a Corrupção. Será que adianta? [vídeo]

Cerca de 20.000 pessoas estiveram reunidas em frente à Esplanada do Ministério em Brasília, no feriado desta Terça-feira (12), em manifesto contra a corrupção no país. Os manifestantes pediam a legitimidade da Lei da Ficha Limpa, a ser votada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o fim do voto secreto parlamentar e a autonomia do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O evento ocorreu em outras 28 cidades de 17 estados. Veja um vídeo produzido pelo Congresso em foco, que mostra o depoimento de alguns participantes.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O temor de uma nova Ditadura e o PNDH 3.

O Programa Nacional dos Direitos Humanos-PNDH3 aprovado pela 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos em Dezembro de 2008 e confirmado pelo Decreto nº7037, de 21/12/09, gerou muita polêmica entre setores importantes da sociedade. Em virtude disso, aconteceu uma nova promulgação do decreto em 13/01/10.
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