terça-feira, 11 de maio de 2010

O "Quase ganhar" e a compulsão pelo jogo.

É comum por aqui, em uma reunião de parentes e amigos logo após os "comes e bébes" da comemoração de última hora, alguém fazer o convite para um jogo qualquer de cartas de baralho. Só para descontrair, ou apenas para manter "tico e teco" em boa forma física. E o que era só um complemento às atividades lúdicas de confraternização, vai se transformando em uma disputa obsessiva de horas e horas.

Neste caso, onde a arena olímpica é a sala de jantar e o jogo é disputado em duplas, via de regra quem insiste para uma nova rodada é a dupla perdedora. Por que? Porque "quase ganhou" a primeira. Se a dupla vencedora perdeu a próxima, também quer jogar mais uma vez porque "quase" ganhou a segunda vez. E assim segue o círculo vicioso da prática dos jogos de azar, que se não fosse o caráter recreativo do momento poderia se dizer que essa turma sofre de compulsão. Porém, logo alguém lembra que o dia seguinte é dia de batente e de encerrar os instantes eufóricos daquele jogo de cartas.

Uma pesquisa científica.

Esta minha constatação pessoal vai de encontro ao que acabo de ler no site
Opinião e Notícia, onde consta uma pesquisa envolvendo jogos simulados desenvolvida por Henry Chase e Luke Clark, das universidades de Nottingham e Cambridge. Segundo os pesquisadores "o vício em “quase ganhar” é maior do que o de ganhar. A causa seria uma grande reação no cérebro que responde ao “quase” e à tendência de aposta compulsiva. Os pesquisadores acreditam que a produção de dopamina no cérebro seria a responsável por isso e, caso eles estejam certos, poderiam controlar essa substância e diminuir a compulsão por jogos de azar."
Os voluntários teriam seus cérebros scaneados por ressonância magnética enquanto jogavam. O resultado mostra uma parte do cérebro denominada mesencéfalo, mais iluminada naqueles que conseguiram mais pontos revelando maior atividade dessa área em resposta ao "quase ganhar". Como é esta a parte do cérebro que produz a dopamina, seria este neurotransmissor o responsável pelo "quase ganhar" dos jogadores com casos mais graves de compulsão pelo jogo. Esta é a área focada pelos pesquisadores, que afirmam ser possível, através de tratamento reduzir a transmissão de dopamina no cérebro e assim reduzir um pouco a compulsão por jogos de azar.

Evidentemente que o caso específico não se aplica ao pessoal que me referi acima. Mas, fica a certeza que entre parar de jogar e continuar, quase sempre é sugerido pela dupla que "quase ganhou".

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