quarta-feira, 1 de junho de 2011

Educação - Continua a polêmica sobre o livro "Por uma vida melhor"

O livro de português "Por uma vida melhor" aprovado pelo MEC, que vem causando grande polêmica na mídia e na sociedade por conter frases com erros de concordância, foi citado ontem em audiência no Senado. O Senador da oposição Álvaro Dias (PSDB) ao levantar a questão, originou um bate boca com o Ministro da Educação, Paulo Haddad, que irritado, comparou as críticas a intolerância do fascismo. As frases em referência aparecem no Capítulo 1 - Escrever é diferente de falar, que no contexto comprova a sua finalidade: ensinar corretamente a linguagem falada e escrita.

Em entrevista a Rádio CBN, a coordenadora da ONG Ação Educativa, responsável pedagógica pela edição da obra, destacou importantes aspectos a serem considerados quanto a interpretação do seu conteúdo.



Vera Masagão Riberiro, doutora em educação, colocou-se à disposição da imprensa para promover um debate mais qualificado acerca de toda a celeuma criada em torno de frases pinçadas naquele capítulo do livro.

Diz o ditado popular que "não se pode julgar um livro pela capa". Não se pode previamente emitir uma opinião fiel de um livro tendo lido somente suas "orelhas", nem tão pouco lendo um só capítulo. E muito menos uma só página deste. O que podemos verificar é que existiram milhares de comentários, opiniões, entrevistas, e reportagens feitas apressadamente, sem a devida reflexão. Pontos importantes sobre o livro deixaram de ser observados, como por exemplo a sua destinação, que seria à EJA - Educação de Jovens e Adultos , e não exclusivamente à Escolas do ensino Fundamental.  Um detalhe não mencionado pelas reportagens nos diversos canais de TV.

Como no próprio título do capítulo diz - Escrever é diferente de falar - a proposição dos autores neste caso específico, seria apresentar as diferenças entre norma culta e as variantes populares do idioma (normas incultas).
Falando do assunto o professor, Sírio Possenti, do Departamento de Línguistica da Unicamp, em artigo para o Terra Magazine comentou a maneira com que algumas pessoas se manifestaram, inclusive dois dos mais renomados repórteres de TV:  Alexandre Garcia começou um comentário irado sobre o livro em questão assim, no Bom Dia Brasil: "quando eu TAVA na escola...". Uma carta de leitor que criticava a forma "os livro" dizia "ensinam os alunos DE que se pode falar errado". Uma professora entrevistada que criticou a doutrina do livro disse "a língua é ONDE nos une" e Monforte perguntou "Onde FICA as leis de concordância?". Ou seja: eles abonaram a tese do livro que estavam criticando. Só que, provavelmente, acham que falam certinho! Não se dão conta do que acontece com a língua DELES mesmos

O que não se pode admitir é que uma questão tão séria como é a Educação, vire apenas um simples embate político. O que realmente importa, é promover com muita seriedade um debate público para liquidar esta questão, por consequência valorizar a democratização do ensino. O que observamos, nesta polêmica toda, foram  declarações ofensivas aos profissionais que batalham para que o Brasil atinja o nível de qualidade que tanto almejamos para o ensino escolar. Assim, não chegaremos a lugar nenhum!

Para melhor compreender a situação, acesse o Site da ONG Ação Executiva e confira o Dossiê com todas as notas oficiais, inclusive de outras Organizações, e especialistas em Educação.

Acesse o capítulo do livro na íntegra.              


Imagem: revistaescola.
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