sábado, 1 de dezembro de 2012

Felipão pisou na bola com os bancários

Logo na primeira entrevista como novo técnico da seleção brasileira, Luís Felipe Scolari já causou polêmica. Ao ser questionado sobre a obrigação de conquistar o título de campeão da copa do mundo de 2014, Felipão disse: "quem joga futebol tem pressão, e os jogadores tem que saber disso. Tem que trabalhar nesse aspecto. Se não quer pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, senta no escritório não faz nada, aí não tem pressão nenhuma".
O Banco do Brasil  não gostou nada da comparação infeliz do técnico da seleção, e emitiu uma nota oficial para respondê-lo.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), também se manifestou sobre a comparação de Felipe Scolari.

Veja abaixo a íntegra das duas notas:

Banco do Brasil

"O Banco do Brasil, junto com todo o povo brasileiro, deseja boa sorte ao técnico Luíz Felipe Scolari em seu novo desafio à frente da seleção, e torce para que as grandes conquistas do vôlei brasileiro, patrocinado pelo BB há mais de 20 anos, inspirem o trabalho da Seleção.


Entretanto, o Banco do Brasil lamenta o comentário infeliz do técnico Luis Felipe Scolari e afirma que se orgulha por contar com 116 mil funcionários que todos os dias vestem a camisa do Banco, com as cores do Brasil, e trabalham com dedicação e compromisso para atender com excelência às necessidades de nossos clientes e do nosso País.


Para a família BB, planejamento, respeito e organização são os segredos para uma estratégia de sucesso que transforma a pressão do dia-a-dia em motivação para as conquistas e para o apoio ao desenvolvimento do Brasil."



Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf)


Bancários repudiam declaração de Felipão


A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) repudia a declaração do técnico Luis Felipe Scolari sobre o trabalho dos bancários do Banco do Brasil, feita na entrevista coletiva desta quinta-feira 29, no Rio de Janeiro, ao reassumir o posto de treinador da Seleção Brasileira.


Ao afirmar que, "se não tiver pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, senta no escritório e não faz nada", Felipão não apenas desrespeita os trabalhadores bancários, como demonstra total desconhecimento sobre a realidade do trabalho no sistema financeiro nacional.


Cerca de 1.200 bancários são afastados do trabalho mensalmente, por razões de saúde, vítimas do assédio moral e da pressão violenta para que cumpram as metas abusivas de produção e vendas impostas pelas instituições financeiras, inclusive o Banco do Brasil.
Carlos Cordeiro


Felipe Scolari tem credenciais suficientes para realizar um bom trabalho frente à seleção brasileira mais uma vez. É um técnico vencedor com experiência comprovada. Porém, deve saber perfeitamente que sem contar com uma equipe harmônica e talentosa fica mais difícil atingir os objetivos. Sozinho, um líder não chega a lugar nenhum. A equipe terá que ser provida de capital humano devidamente capacitado. Técnico não joga, não atua dentro das quatro linhas. Caso contrário, a última equipe que dirigiu, o Palmeiras, não teria sido rebaixada. Felipão percebeu isso. Caiu fora quando viu a viola em caco. 

Tem vasto conhecimento tático e técnicas do futebol, mas com este comentário infeliz provou que não sabe nada de administração. Se refletisse um pouco não teria se precipitado na comparação. Deveria saber que dentro da corporação de um Banco ou de uma empresa qualquer de médio porte existem grupos trabalhando em equipe. Tudo bem, que no caso da seleção de futebol são escolhidos os supostamente melhores para cada posição. O que é impossível no que diz respeito às equipes heterogêneas formadas espontaneamente dentro de uma empresa. No caso o do Banco Brasil vale lembrar que é uma estatal, cujo acesso se dá por concurso público.

Penso que nem passou pela cabeça do Felipão, que conta com a prerrogativa de convocar só os craques do ramo. Pode até desfazer o que o Mano Menezes deixou pronto. Quem é responsável por dirigir uma equipe bancária, por exemplo, é obrigado a contar com o que tem disponível. Valer-se de diferentes aptidões dos membros da equipe e sofrer pressão para o atingimento das metas, dentro da realidade de um Banco é extremamente diferente. Não vamos nem falar sobre a compensação financeira. É covardia.

Que Felipão tenha sorte. Apesar de tudo, há milhões torcendo pela vitória da seleção brasileira no Mundial de 2014.  


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1 Comentário:

Everaldo José dos Santos disse...

Que o homem é meio tosco já sabíamos... mas essa declaração sobre os bancários do BB é de alguém desinformado. Aposentei-me do BB faz um ano. Quando trabalhei como caixa, tínhamos tb que cumprir metas de captação para alcançar lucros (acionistas). Espero (de coração) que o seu Scolari atinja suas metas (ei, ele não foi o técnico do Palmeiras?)...

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