sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O “quarto poder” se assanha

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Um dia desses recebi um e-mail que em anexo trazia um organograma sob o título “Lulograma: como escapar de escândalos”. Evidentemente mais um desses spams produzidos por militantes de direita, com a finalidade de atingir a figura do ex-presidente Lula. Até aqui tudo bem. Posto que reverenciamos a liberdade de expressão e os preceitos da Democracia.
E mesmo que estes possam ser questionados por uma questão de princípios pessoais considerando inclusive a opção partidária de cada um, acredito que esta seja a melhor forma de entendimento entre os povos. Basta verificar que a população das nações do Oriente médio começam a despertar para esses valores questionando governos autoritários e déspotas instalados a mais de meio século em países como o Egito, por exemplo.

Voltando ao ponto. Como de costume busquei a origem do conteúdo do anexo daquele e-mail. E como não poderia deixar de ser, é obra de um dos famosos colunistas que trabalha para a “mais importante revista semanal” de informações: a Veja. O autor é o jornalista Augusto Nunes, que faz parte do pelotão especial da grande mídia conservadora que representa neste caso, o chamado “quarto poder”. Pelotão este que conta com os “memoráveis” jornalistas, Merval Pereira e Ricardo Noblat. E outros tantos que querem ver desfeito o mito político em que se transformou o primeiro presidente brasileiro vindo das classes populares. E que de certa forma representa a trincheira resistente desde quando o poder político da nação brasileira mudou de mãos.

Conservadores e tendenciosamente partidários, são os principais órgãos de comunicação que temos hoje no país. Observe o destaque dado ao casamento do contraventor condenado pela justiça, Carlinhos Cachoeira e a sua pretendente Andressa Mendonça, cúmplice de suas falcatruas. Como se fossem celebridades do mais alta quilate, ela denunciada por tentar subornar um promotor de justiça; e ele, amigo íntimo do então “paladino da moral e dos bons costumes” (título concedido por esta mídia), o ex-senador da República, Demóstenes Torres. O principal articulador dos interesses particulares da quadrilha que os dois comensais comandavam. Torres, era o parlamentar número um no Congresso Nacional a encaminhar pedidos de CPIs para apurar casos de corrupção envolvendo membros do Governo atual. Depois, sabemos no que deu. A sua postura do "probo" homem público não tinha nada a ver com o bem estar da sociedade em geral.

Mas a imprensa fingiu que não viu. Esqueceu de tudo, inexplicavelmente. Voltou sua artilharia para o fato de um condenado no processo do Mensalão assumir vaga na Câmara. José Genoíno, ex-guerrilheiro, ex-presidente do PT, por força da Constituição Brasileira reassumiu o cargo de deputado mesmo setenciado pelo Supremo. Mídia e militantes adversários caíram de pau. Acharam um absurdo. Normal era o casamento do meliante Cachoeira, um acontecimento importante para a elite da sociedade.

Há sempre dois pesos e duas medidas: "Quando o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), condenado, e barrado pelo TSE por sua ficha suja, conseguiu no STF um recurso favorável para tomar posse, o jornalão "O Globo" tratou a posse do tucano como "festa". Já quando José Genoíno (PT-SP) tomou posse, também obedecendo a Constituição, o jornalão manchetou na primeira página "A posse de Genoíno - Condenado assume na Câmara". 

A matéria, com o mesmo título emprestado a este post que em parte transcrevo abaixo, faz referência à revista Veja. E fala dos três poderes constituídos da nação, aludindo à mídia em geral como o “quarto poder”.
No referido “Lulograma” mencionado acima, a mídia aparece como imprensa golpista. O que no momento atual realmente ela representa e não como querem nos fazer crer o pelotão midiático que tem por "missão" enfraquecer o governo atual.

"Quarto poder" é uma expressão criada para qualificar, de modo livre, o poder das mídias em alusão aos outros três poderes típicos do Estado democrático: Legislativo, Executivo e Judiciário. Esta expressão refere-se ao poder dos meios de comunicação quanto à sua capacidade de manejar a opinião pública, a ponto de ditar regras de comportamento, influenciar as escolhas dos indivíduos e da própria sociedade.
O filme Mad City discute o poder dos media sobre a opinião pública, mostrando a manipulação da mídia para favorecer os interesses de terceiros; a sua capacidade de construir e destruir mitos; a sede por notícias e aquilo que se diz notícia; a dúvida do que seria o verdadeiro jornalismo. Analisa também o sensacionalismo e o circo construído em cima de determinados fatos.

"No Brasil, o poder da grande mídia tem sido objetivo de muitas reflexões. Venício A. Lima, neste Observatório da Imprensa, nos oferece importantes interpretações sobre a influência da grande mídia. Um dado importante, a ser destacado, é que a grande mídia já não exerce mais a influência decisiva que exerceu em campanhas eleitorais no passado, determinando o curso da história.
Numa sociedade que se democratiza a passos largos, o povo dá evidentes mostras de sua autonomia e, neste cenário, o quarto poder começa a se posicionar para reforçar cada vez mais o Judiciário, em mais uma guinada à direita.

A grande mídia age desta forma não porque deseja um Judiciário independente e democrático. Muito pelo contrário. Age desta forma porque deseja, ardorosamente, que os togados – distantes do povo e incrustrados nos suntuosos tribunais – não se “contaminem” com os ventos democratizantes – que garantem a pluralidade, a diversidade cultural e a igualdade de direitos. Para os cartéis midiáticos é importante que o Judiciário se mantenha afastado dos anseios populares e democráticos para respaldar as arbitrariedades perpetradas cotidianamente pelo quarto poder – que se julga acima do bem e do mal, a tal ponto de querer determinar, antes mesmo do pronunciamento dos tribunais, quais são as penas, quem são os réus; enfim, quem são os bandidos malvados que devem ser eliminados a qualquer custo; ao arrepio da própria lei que, paradoxalmente, tenta defender". Continue lendo aqui. A matéria é verdadeiramente muito importante.


Fonte: Observatória da Imprensa.
Imagem: reprodução/google




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