quarta-feira, 12 de junho de 2013

Democracia e Ditadura no Brasil. Um breve relato.

O povo brasileiro sabe, ou veio a saber recentemente sobre os anos de obscurantismo vividos no pós-golpe militar de 64. Sob a falsa promessa de se combater o "terrorismo", o regime ditatorial instalado no Brasil entre os anos de 1964 até 1985 renegou os ideais da democracia e os direitos constitucionais. E por conseguinte, privou o cidadão brasileiro de seus direitos da liberdade de expressão e pensamento.
Os EUA eram favoráveis e apoiaram o golpe, sob o pretexto de ajudar o Brasil defender a Democracia.  O governo brasileiro flertava com o comunismo soviético. Era preciso salvar o Brasil das forças do mal. Eram tempos de incerteza e insegurança.

Naquele época, quem era contra o regime recebia a peja de subversivo ou terrorista. Havia muito medo  fustigado pelos americanos, de que o comunismo iria tomar conta do Brasil. E que o país se transformaria em uma nova Cuba, eminentemente comunista. 

Teríamos então, um Brasil subjugado às leis e à supremacia dos Estados Unidos, se isso viesse a acontecer realmente? Ou talvez, sofrendo até os dias de hoje o mesmo boicote econômico predador e desumano a que foi submetida Cuba, que perdura indefinidamente? Algo impossível de se imaginar.

As duas potencias mundiais, Estados Unidos e Rússia tinham posições diferentes e antagônicas em relação ao regime político e formas de legitimar o poder constituído. Havia uma disputa pela supremacia do poder bélico, cujo período foi chamado de "Guerra Fria". A Democracia tornava-se uma quimera. Ocasião em que as duas nações mais poderosas do mundo exerciam forte influência nos destinos da política brasileira. Até então, o Brasil vivia uma crise de identidade política.

Os americanos trataram de subsidiar as ações de setores poderosos que contribuíram para o golpe. Eram o poder militar, aliado ao poder da imprensa e dos meios de comunicação. Por outro lado, emergiam os grupos minoritários de oposição que absorveram as ideias dos russos. Eram os assim chamados "subversivos" ou "grupos terroristas". Venceram os primeiros. O governo civil supostamente conivente com as ideologias políticas dos russos, foi deposto. Os militares assumiriam o poder, como era a vontade e almejavam as autoridades americanas.

Este regime de governo perduraria por longos 21 anos. E sabe-se agora que autoridades americanas trabalharam nos bastidores para que o sucesso do golpe (ver documentário). Inclusive plantando informações falsas através da imprensa para derrubar o então presidente do Brasil, João Goulart. A história provou quem ambos os lados estavam errados. A exposição dos erros cometidos viria mais tarde, através dos fatos históricos só revelados nos tempos atuais. Ficou claro como um dia de sol, que o tempo todo os Estados Unidos estavam por detrás do golpe, alimentando a conspiração que resultou na tomada do poder pelos militares. Obviamente seus interesses eram outros, que não a soberania e a democracia da nação brasileira. O objetivo era defender a todo custo a possibilidade de trazer o Brasil para seu lado e se beneficiar economicamente.

Neste ano de 2013, o golpe de 1964 completa 49 anos. A partir de 1986, seguiram-se tempos novos. Embates e demandas políticas dominaram o cenário nacional, até que a Democracia começasse a ganhar sobrevida no seio da sociedade brasileira. Surgiu o importante movimento político denominado "diretas já". Dentro do processo político de redemocratização do país, agremiações partidárias começavam a ouvir a voz do povo, que clamava por mudanças. Longas batalhas ideológicas se sucederam visando a instalação de um modelo verdadeiramente democrático para o país.

Culminou com a consolidação da Constituição Federal de 1988, chamada "cidadã". Certo que mesmo carecendo de ajustes e revisões, hoje é constantemente vilipendiada. Por outro lado, existem aqueles que não estão devidamente preparados para o exercício de seus preceitos. Posto que a liberdade exige responsabilidade e passa necessariamente pela questão do livre arbítrio de cada um. No entanto, para trilhar esse caminho é necessário que o conjunto de direitos e deveres preconizados constitucionalmente, sejam de pleno conhecimento dos cidadãos.

Todavia, não podemos afirmar categoricamente que vivemos plenamente em um regime democrático. Os cientistas políticos afirmam que a Democracia no Brasil ainda é muito jovem. Permanecem sob os escombros da história, fantasmas  reacionários que não admitem viver ao limbo a que naturalmente foram condenados. Ora ressurgem, para assombrar a consciência daqueles que lutaram pelos ideais de liberdade e democracia em nosso país.

Se existiram grupos radicais que aderiram à luta armada, paralelamente uma grande parte da população desejava algo muito além da tentativa de imposição de qualquer ideologia política. Era o sonho da liberdade democrática ampla e irrestrita. Muitas dessas pessoas, até o presente momento lamentam a morte ou desaparecimento de amigos e entes queridos, vítimas daquele regime. Nunca ninguém lhes deu qualquer satisfação ou explicação sobre o que realmente acontecera. Somente agora vem à tona, casos de tortura envolvendo até crianças que antes não podiam ser revelados. Alguns sobreviveram à "Cadeira do Dragão" ou ao "Pau de Arara" e hoje são testemunhas da triste experiência. Outros, foram sumariamente executados depois da tortura. 

Um período triste e conturbado da história do Brasil em que preciso conhecer a verdade dos dois lados. Sob pena de se cometer injustiças. Eram os chamados "anos de chumbo". Guerrilhas, atentados, revoltas, intolerância, crimes, censura, repressão e cerceamento da liberdade, dos direitos humanos e constitucionais, compunham o quadro de terror instalado no país. Crimes foram cometidos de ambos os lados. Foram anos perdidos. No fundo, perdeu o Brasil. Qualquer nação soberana, livre e democrática jamais deverá admitir que qualquer regime semelhante, outra vez.

Imposto autoritariamente contrariando a vontade popular, o resultado sempre será o mesmo. Isto é, a revolta, a estagnação do progresso, o atraso social e sofrimento para o povo. Ainda mais permitindo uma interferência estrangeira, que atenda interesses outros que não a soberania nacional. Pode parecer utópico, o pensamento que todo o poder emana do povo e em nome dele deva ser exercido. Porém, é um ponto fundamental necessário a considerar, quando está em jogo à manutenção da paz social de qualquer nação livremente constituída.  

Lancemos um olhar atento para o outro lado do mundo. Firmaremos uma opinião mais sensata de que o bem comum deverá sempre prevaler. Ditaduras instaladas em países orientais há mais de meio século, estão sucumbindo diante da vontade soberana do povo. No Egito e na Síria por exemplo, a revolta aumenta a cada dia, a população está saturada de tanta opressão e despotismo de governantes ditadores que ainda persistem no comando. A Democracia torna-se mais que um anseio, um imperativo popular mesmo com suas imperfeições. A própria história da humanidade comprova que a vontade do povo não deve ser ignorada pelos governantes, pois no final ela sempre prevaleceu ao longo do tempo. A qualquer momento poderão surgir fatos novos, desconhecidos até então para revelar as verdades escondidas. 


"O tempo é senhor da razão - disse um sábio. Porém, a história é mãe da sabedoria".
 

Imagem: reprodução/Inesc


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