quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Farsas persistem na internet para ludibriar internautas

Repassar uma mensagem recebida por e-mail sem saber se realmente é verdadeira, é pior que lepra. Foi assim que se referiu um amigo internauta ao constatar o grande número de spam e  pragas virtuais que infestam o correio eletrônico e as redes sociais. Evidentemente, usou o nome de uma doença que devastou parte da humanidade no passado para ilustrar o quanto de mal pode promover o usuário quando compartilha uma informação sem o devido cuidado.
Para o bem de todos, é necessário ter critério ao repassar um texto, uma imagem, uma notícia sem verificar que trata-se de uma mentira, uma farsa, uma meia-verdade. É preciso responsabilidade e bom senso. Ter o mesmo comportamento da vida real, no mundo virtual. Desconfiar sempre quando um fato divulgado na grande rede torna-se em poucas horas, um hit, um trend topic nas redes sociais e em seguida um spam no correio eletrônico.

É preciso refletir sobre o resultado de tal prática, pois a verdade nua e crua sobre estas mensagens, pode não vir com a mesma velocidade com que é divulgada. Quando isso acontece, infelizmente muita gente já foi enganada. Compartilhando sem o mínimo de reflexão, estamos inconscientemente contribuindo para que centenas de outras pessoas caiam também na "cascata".

Na verdade, estaríamos colaborando com a contaminação dos fatos verdadeiros, como instrumentos involuntários na propagação de um factoide, criado a partir de duas premissas. A primeira, é a de causar impacto e perplexidade. A segunda,  é a de confundir as pessoas, sem que elas percebam que estão sendo manipuladas. Pior. Induzindo-as a formar uma opinião equivocada sobre a realidade.

Existem vários grupos heterogêneos que promovem esse tipo de ação na internet, cujo resultado será sempre  a desordem e o caos no mundo virtual, que irá refletir no mundo real. Basta lembrar da tragédia que matou um repórter cinegrafista durante os protestos contra a realização da Copa no Brasil. Não apenas este fato, mas muitas outras ações violentas de vandalismo nas manifestações tiveram origem em uma ideia manipulada através da internet.

No decorrer deste mês de fevereiro, duas mensagens falsas proliferaram nas redes sociais e outros meios de comunicação causando desinformação e confusão. Uma delas se refere às manifestações populares em curso na Venezuela, contra o governo atual, e discorre sobre uma foto de centenas de cadáveres despejados em uma praia na Bolívia. A outra, é uma matéria que manipula uma publicação da revista France Football, especializada em futebol, sobre a Copa do Mundo no Brasil.

Uma das pessoas que identificaram a farsa e a manipulação feita da referia foto, foi o jornalista Carlos Brickmann, que escreveu uma matéria sobre o assunto. Em "A vida do faz de conta" publicada no Observatório da Imprensa, Brickmann identificou três importantes detalhes sobre o texto: 1- A Bolívia não tem litoral. Tem algumas prais em lagos, a alguns milhares de metros de altitude; 2 - Se tivesse litoral, como já o teve antes das guerras com o Chile, estaria no Oceano Pacífico. A Venezuela é banhada pelo Mar do Caribe, Oceano Atlântico; 3 - Os corpos jogados ao mar na Venezuela teriam de deslocar-se até o Canal do Panamá, ao Norte, e retornar ao Sul, sendo recolhidos no Chile, transportados para a Bolívia e içados até as praias lacustres do alto dos Andes.

Outro jornalista que dissecou a farsa foi Edgard Matsuki, responsável pelo site Boatos.org, semelhante ao E-farsas e o Quatrocantos. Matsuki, partiu da origem de tudo. Trata-se de uma página da rede Tumblr, #AcordaVenezuela, que reúne grande número de "equívocos" compartilhados deliberadamente nas redes sociais, a partir dos conflitos que acontecem Venezuela. O único erro, segundo o jornalista, foi que a página não deixa suficientemente claro tratar-se de uma brincadeira.

Edgard Matsuki, também "mata a cobra e mostra a cobra morta", detonando a falsa matéria sobre a Copa do Mundo no Brasil que está rodando na internet. O texto que circula no Facebook compartilhado por centenas de perfis, inclusive até pelo apresentador Fernando Vannucci, também é falso. Criada encima da matéria original publicada pela revista France Football  adultera e deturpa o conteúdo as informações. 

Também para esclarecer a farsa, o Portal 2014 desvendou a verdadeira história da France Football comparando a matéria difundida nas mídias sociais. 

A quem interessa que esse tipo de farsa seja divulgada como se verdade fosse? Certamente a grupos inescrupulosos que possuem interesses próprios e escusos. Criam confusão e desinformação a partir de um fato ou acontecimento, na tentativa de subjugar a opinião pública para tentar tirar vantagem sobre outros.

Se queremos uma internet democrática, segura e confiável para o benefício de todos, então nos compete fazer a nossa parte quando nos depararmos com esse tipo de comportamento. 
  
Imagem: reprodução/Portal2014


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