quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Carta aberta do empresário Abílio Diniz a presidente Dilma Rousseff

O empresário Abílio Diniz divulgou nesta terça-feira (28) uma carta aberta endereçada à presidente reeleita, Dilma Rousseff. No documento publicado no jornal Folha de S. Paulo o empresário parabenizou a candidata do PT pela vitória e destacou a necessidade de restituir a confiança do empresariado. Diniz, salientou que com um programa de união é possível reascender a economia e gerar empregos e renda.
Aqueles que acompanham e fazem questão de estarem bem informados sobre os acontecimentos na política brasileira, devem lembrar que tempos atrás o empresário Abílio Diniz foi vítima de um sequestro fabuloso de grande repercussão na mídia.

Na época (1989), estava em curso o segundo turno da primeira eleição direta no Brasil, pós-ditadura, em que concorriam Fernando Collor de Mello (PRN) e Luís Inácio Lula da Silva (PT). Jornais suscitaram o envolvimento do PT na ação criminosa, comandada por terroristas chilenos. Fato que foi desmentido logo após a vitória de Collor.


Apoiador de Dilma no início, no início deste ano, o empresário recusou convite para fazer parte do governo no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Pelo teor da carta, integrantes do núcleo do governo perceberam uma sinalização de que ele aceitaria um segundo convite. “Escrevo a carta autorizado pelo amor que tenho pelo Brasil e pelo desejo de contribuir para o desenvolvimento deste país”, diz um trecho da carta.

Tudo indica que a presidente formalizará novo convite ao empresário, para que ele venha a compor seu ministério no segundo mandato. Outro nome cogitado para fazer parte do governo, é o da diretora da rede de lojas Magazine Luíza, a empresária Luíza Trajano.

Leia a carta completa abaixo:

Carta à presidente 

Dilma, como vencedora, é você quem tem a condição de promover a nova união do país. Essa responsabilidade é sua, mas é também de todos.

Dilma, parabéns. Você venceu depois de uma difícil e tensa campanha, na qual vimos um Brasil dividido. O gosto da vitória é maravilhoso para quem lutou tanto, mas traz responsabilidades ainda maiores. Responsabilidades que você já assumiu no pronunciamento do último domingo (26).

A campanha não precisava ser uma guerra, e o importante agora é tranquilizar o país. Foi isso o que você fez em seu discurso ao defender a união, o diálogo e um governo para todos. Como você ressaltou, os grandes entendimentos costumam surgir nos momentos em que as sociedades se encontram divididas. Agora é preciso transformar discurso em ação.
 
O Brasil saiu da eleição tenso, emocionalmente abalado e preocupado com o futuro. Saiu falsamente rachado entre esquerda e direita, ricos e pobres, com sérias dúvidas sobre o papel da iniciativa privada diante de um Estado cada vez mais forte e intervencionista.
 
Dilma, sei que você não está contente com a radicalização. Como vencedora, é você quem tem a condição de promover a nova união dos brasileiros. Essa responsabilidade é sua, mas é também de nós, empresários, e de todos os cidadãos.
No seu discurso do domingo, você deixou claro que vai se esforçar mais e ouvir mais. 

É o momento de acreditarmos na sua vontade de unir o país. As divergências só aumentam a necessidade de entendimento e de diálogo, com canais abertos e uma imprensa livre.
 
Eu a conheço há muitos anos. Sei o quanto você quer o bem de todos os brasileiros. Assim como eu sei, você precisa deixar que todos saibam. Comece mostrando de fato que governará para todos. Para os pobres e mais necessitados, mas também para os trabalhadores, a classe média, os empresários e a livre iniciativa.
 
Só com um programa de união reacenderemos o motor que move a economia e gera empregos e renda. As dificuldades são circunstanciais. Temos condições de superá-las.
Todos que produzem para o mercado de consumo sabem como é importante um Brasil que cresce distribuindo renda, dando emprego e chance a todos. Isso atrai investimentos, impulsiona a economia e, sobretudo, ajuda a população.
 
Não temos tempo a perder. É preciso realizar as reformas necessárias, principalmente a política e a tributária, combater duramente a corrupção e dar um choque de gestão no Estado. É preciso profissionalizar a administração, colocar pessoas certas nos lugares certos e reorganizar os processos.

É inadiável também restituir a confiança do empresariado para ele voltar a investir. O próximo ciclo de crescimento virá pelo aumento dos investimentos, essencial para promover a produtividade e a competitividade.
 
Nosso imenso mercado consumidor, nossa grande capacidade de exportar commodities e o espírito trabalhador e empreendedor dos brasileiros são pilares para a retomada. Mas será preciso melhorar a infraestrutura, o ambiente de negócios, a previsibilidade das regras e a produtividade.
 
Para crescer no mundo globalizado, temos que qualificar o trabalhador e elevar sua produção média. Educação de qualidade é a chave do sucesso.
 
A campanha política acabou, hoje é a vida real. Passado não se esquece, mas manda a sabedoria que se olhe com determinação para o futuro, pois é nele que vamos viver e construir.
 
A agressividade eleitoral foi rejeitada pelos brasileiros, que querem o país focado na solução dos problemas. É preciso focar no muito que nos une, e não no pouco que nos separa. O Brasil não será cortado ao meio pela disputa política. Há muito em comum para construir um caminho produtivo que melhore a vida de todos.
 
Escrevo esta carta autorizado pelo amor que tenho pelo Brasil e pelo desejo de poder contribuir para o desenvolvimento deste país. Quero poder sempre contar aos mais jovens o meu orgulho de ser brasileiro. Que Deus ilumine o nosso caminho. Bom governo.

Fonte: administradores/RBA
Imagem; reprodução/Facebook

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1 Comentário:

BRASIL ESPÉRANÇA edson tadeu disse...

ele diz tudo que a Presidente ja fez, como o Pronatec que pé qualificaçao e requalificaçao de profissionais, quantas vezes a Presidente ha chamou esse congresso para juntos fazer as reformas necessarias e nao foi atendida.Parece tao simples pasra Abilio Diniz, mais quero ver ele no lugar dela conseguir. A conversa dele é so farofa nao tem nada xde novo ou que se aproveite. Como acreditar num cara que pode está por traz do seu proprio sequestro para prejudicar Lula.
Eu nao o colocaria em nenhjum ministerio. e teria muito cuidado com todo tipo de aliança, ate agora o unico partido que merece respeito da Presidente é o PCdoB que sempre a apoiou em qualquer circunstancias. e empresartio so Luiza Trajano. mais acho que ela nao deve aceitar ministerios ela tem como ajudar a Dilma sem precisar deministerio. comoja ajudou quando deu um chega pra la em Diogo Mainard.

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