sábado, 26 de novembro de 2016

Política - Propaganda é a alma do negócio, ou do golpe

A propaganda enganosa é crime. Mas no Brasil este crime é praticado de uma forma tão natural e corriqueira pelo poder público e privado, que tudo parece ser  lícito e verdadeiro, quando na realidade não é.  A estratégia normalmente utilizada no mundo do marketing consiste em persuadir o grande público em relação a determinado produto, ou uma ideia, atribuindo-lhes qualidades e valores que muitas vezes não existem.
O público alvo, leia-se consumidor ou cidadão eleitor, como queira, normalmente costuma acreditar em tudo o que vê na TV e na mídia em geral, e muitas vezes compra por impulso. A maioria não faz a devida reflexão sobre a real necessidade e a qualidade do produto, ou sobre a legitimidade de uma ideia e acaba caindo numa armadilha. É por isso que as empresas em geral e o governo federal, estadual e municipal investem tanto em propaganda, que continua sendo a alma do negócio. Ou, dependendo dos objetivos obscuros, a alma de um golpe.


O governo interino do vice-presidente Michel Temer não fugiu a regra. Oportunista, logo que tomou o poder através de um golpe político, tratou imediatamente de validar a ilegitimidade do ato praticado, fazendo uso da propaganda. Para trazer a mídia para seu lado, tratou de reajustar as verbas públicas destinadas aos principais meios de comunicação do país. 

Evidentemente com o claro objetivo de vender o seu peixe, fresco ou não, e colocar a mídia a seu favor. E o fez de uma forma generosa, com percentuais de reajustes fora da realidade econômica do país, num verdadeiro trem da alegria. Pelo visto, a estratégia não deu muito certo. Com os cofres cheios, os meios de comunicação foram obrigados a noticiar sobre escândalos de corrupção que volta e meia envolvem membros da base aliada e seus ministros de Estado. 

As ideias contidas nas medidas tomadas recentemente, para tentar mudar a situação econômica do Brasil, não foram bem recebidas pela maioria da sociedade. Vide PEC/55 e seus desdobramentos, que limita os gastos públicos e julgada por muitos como inconstitucional, penaliza somente quem mais precisa dos serviços públicos essenciais, como a Saúde e a Educação. 

Ao mesmo tempo em que é benigno como uma mãe, com determinados setores e classes específicas, o governo estabelecido por Temer, submete a grande maioria da população à cota maior do sacrífico necessário para debelar a atual crise econômica. É notória a parcialidade do governo interino em relação aos gastos públicos. Michel Temer vem desconsiderando, que a tal austeridade em relação às despesas, deveria ser exigida de todos indistintamente. Inclusive o próprio Congresso Nacional, cujos membros desfrutam de privilégios em excesso.

Nos primeiros dias à frente da presidência, Temer concedeu os 41% de reajuste salarial reclamados pelo Judiciário Federal e vetado por Dilma Rousseff, enquanto no exercício da presidência. Uma despesa muito grande para o erário público, que poderia ter sido melhor equacionada. Por outro lado, Temer e sua equipe, quer vender a antiga ideia do remédio amargo, porém prescrito somente para o povo, justamente a maioria dos menos favorecidos. 

A mesma estratégia de propaganda empregada por Michel Temer, também encontra guarida na administração do Estado do Paraná. O governador tucano Beto Richa, que disse não ter dinheiro para honrar o compromisso da data-base dos servidores públicos, quer gastar R$ 143 milhões em propaganda. Richa, convocou audiência pública para debater nova licitação, com o objetivo de contratar cinco agências de propaganda para realizarem serviços de publicidade ao governo do Estado. 

Quer dizer, para cumprir com seus deveres, como pagar em dia os salários dos trabalhadores, o Estado não tem dinheiro. Mas para gastar com a farra da propaganda em benefício próprio, e tentar ludibriar o cidadão, está sobrando. 


Imagem: reprodução/créditos da foto: Murillo Veslaco/G1

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