sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Política: PSDB cogita fim do governo interino de Michel Temer

A turbulência política do pós-golpe vem aumentando a cada dia no Palácio do Planalto. Os abalos políticos e econômicos que o governo interino de Michel Temer vem enfrentando, depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, está provocando um certo mal-estar no PSDB, seu principal aliado. Dentro do ninho tucano, há quem cogite a possibilidade de Temer não concluir o mandato.

Parlamentares do PSDB já especulam o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como uma opção em uma eventual eleição indireta. Este é o desejo obsessivo dos tucanos. Assumir o poder, que não conseguem resgatar democraticamente há muito tempo, por força do resultado das urnas. Os tucanos estão correndo por fora e preparam-se para controlar o Estado. E aonde vislumbram razões para concretizar o plano? 

Primeiramente, na possibilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir cassar a chapa Dilma-Temer, em uma ação impetrada pelo próprio PSDB. Segundo, é que saiu a delação premiada da Odebrecht, considerada a delação do fim do mundo. A coisa vai ficar feia, se os promotores e o juiz Sérgio Moro conduzirem a delação da mesma forma como fizeram até agora, em reação aos integrantes de outros partidos. 

Em segundo lugar, os tucanos estão cientes do estrago que pode fazer o acordo de delação premiada da maior empreiteira do país. Assinaram o acordo da Odebrecht, o dono Emílio Odebrecht, seu seu filho Marcelo, preso há mais de um ano, e mais 77 executivos da empresa. Nele, aparece o nome do interino Michel Temer e do líder do seu governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Também foram citados, o ministro José Serra e do senador Aécio Neves, atual presidente do PSDB. Todos eles acusados de terem recebido milhões em propinas através da empreiteira. 

E pensar que, ao apoiarmos o impeachment e tirar o PT do poder estaria tudo resolvido.

De acordo com informações da Agência Reuters de notícias, no acordo de leniência assinado com a Lava jato a Odebrecht aceitou pagar uma multa no valor de R$ 6,7 milhões.

PSDB cogita fim do governo Temer e eventual eleição de FHC

Por Marina Dias, de Brasília, na Folha

A tempestade perfeita que começou a se formar nos arredores do Palácio do Planalto, com a combinação de abalos políticos e econômicos, intensificou o desconforto e tornou indócil o principal aliado de Michel Temer: o PSDB.

Embora a determinação da cúpula tucana seja manter o apoio ao governo, há no partido quem cogite a possibilidade de Temer não terminar o mandato, em razão de denúncias que possam surgir com a delação da Odebrecht ou mesmo se o Tribunal Superior Eleitoral decidir cassar a chapa Dilma-Temer.

Somado a isso, a economia recuou pelo sétimo trimestre consecutivo e mostrou que a receita de ajuste de Henrique Meirelles não deve gerar resultados tão rápido.

Parlamentares do PSDB já falam em março como a data limite para que a economia mostre reação e Temer consiga pelo menos imprimir a imagem de presidente que colocou em ordem as contas públicas.

Caso contrário, especulam os mais pragmáticos, cogita-se o nome de Fernando Henrique Cardoso como opção em eventual eleição indireta, com a decisão do TSE chancelada a partir do início de 2017.

O movimento dos tucanos não é necessariamente conspiratório. Aliás, o melhor para o PSDB é que o governo funcione, aplicando medidas impopulares, como o ajuste e a reforma da Previdência, e pavimente (para eles) o terreno em 2018.

Cientes da máxima de que não há espaço vazio na política, os tucanos fazem projeções. Temer, por sua vez, tenta se antecipar a essa leitura e avalia dar mais espaço ao PSDB, que pede e agora vai ter maior participação nas decisões estratégicas do governo federal.

Um dos principais auxiliares do presidente mostra que entendeu a engrenagem e diz que os tucanos não podem ser tratados como o PT tratou o PMDB na gestão Dilma.

Isso porque, na realpolitik, sempre há um plano B, ou C, e o presidente Michel Temer sabe disso.

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1 Comentário:

Unknown disse...

Na verdade não houve GOLPE, ocorreu apenas uma queda de braço dentro da chapa vencedora do pleito e o PMDB se mostrou mais forte, porém ainda está a chapa vencedora no poder que precisa ser trocada urgente.Olha só que bacana, a vez de comandar é do Tucano, porém com muito disfarce, onde Álvaro Dias em janeiro/2016 saiu do PSDB e foi para o PV, e, agora é um nome forte para o tal pleito extra temporão, e nós meros mortais ficamos brigando acreditando que vai melhorar.

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