sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Politica: delator afirma que Temer e Cunha tramavam "diariamente" a queda de Dilma Rousseff

Há muita gente que ainda acredita, que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff não foi um golpe político. Porém, os fatos envolvendo o governo interino do vice Michel Temer vindos à tona recentemente, provam que a ex-presidente foi vítima de um plano ardilosamente preparado para afastá-la da presidência da República.

Um desses fatos, foi o depoimento em delação premiada do corretor e doleiro Lúcio Bolonha Funaro, preso desde junho de 2016 pela Polícia Federal, na Operação Sépsis, um desdobramento da Lava Jato. Funaro disse que, na época do impeachment, o então vice-presidente Michel Temer tramava "diariamente" a deposição de Dilma Rousseff com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDM-RJ). 

De acordo com reportagem do Estadão, a afirmação consta de um dos anexos da colaboração de Funaro, já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na qual ele descreve a relação com a cúpula do PMDB e nomeia os "operadores" de Temer em supostos esquemas de corrupção. 

Funaro, apontado como principal operador financeiro de Eduardo Cunha, também preso e condenado a vários anos de prisão, falou que o ex-presidente da Câmara dos deputados sempre foi o arrecadador de propinas para o chamado "quadrilhão" do PMDB, enquanto Temer atuava no núcleo político, viabilizando interesses de empresas que pagavam subornos ao grupo.

Funaro afirmou que a relação de Cunha e Temer oscilava, dependendo do "momento político". "Na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do impeachment e, consequentemente, a assunção de Temer como presidente", exemplificou o corretor num dos trechos do anexo.

"Temer e seu partido romperam com Dilma meses antes de o afastamento dela ser aprovado e confirmado, mas o agora presidente sempre rejeitou a pecha de "conspirador" ou "golpista". A despeito de "viabilizar interesses de empresas", foi notícia que já nos primeiros dias no exercício ilegítimo do cargo de presidente, Michel Temer promoveu uma reunião com os principais e mais importantes empresários brasileiros.  

De acordo com matéria de responsabilidade de Fábio Schaffner, publicada no jornal Zero Hora, Lúcio Bolonha Funaro é "tido como gênio na operação do mercado de valores e irascível no trato pessoal, e um velho personagem da manobras obscuras praticadas em Brasília". Foi com base em seu depoimento que a Polícia Federal prendeu o ex-ministro Geddel Vieira Lima, fiel escudeiro do golpista Temer, que já disse que vai entregar todo mundo para se safar da cadeia.

A reportagem de Schaffener cita ainda que, Funaro já foi preso na Operação Satiagraha, em 2008. Já delatou um esquema de venda de sentenças judiciais na Operção Themis, em 2007. E, em 2003, foi investigado no escândalo do Banestado, um mega esquema de desvio de milhões de reais, em que trabalhou o juiz Sérgio Moro, no qual ninguém foi preso e acabou dando em nada.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou segunda denúncia contra Michel Temer, incluindo o quadrilhão do PMDB. O presidente é acusado pelos crimes de organização criminosa e obstrução da justiça. 

Fonte: Estadão/Zero Hora/El País
Imagem: reprodução/Foto: André Dusek/Estadão

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