quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Política: Políticos com 'telhado de vidro' votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff [vídeo]

Boa parte dos atores que atuaram naquele verdadeiro show de picadeiro, em que se transformou a Câmara dos deputados no dia da votação do impeachment da presidente Dilma Roussef, tiveram postura política incoerente e se viram envolvidos em escândalos de corrupção, logo depois. Dez dias após ser autorizado a abertura do processo de seu afastamento, a ex-presidente da República em entrevista à rede de TV americana CNN declarou, "todos que fizeram o impeachment estão envolvidos em corrupção".
O site The Intercept Brasil listou cinco casos emblemáticos relembrando o que esses deputados disseram contra Dilma e como viram seus telhados de vidro ruírem, antes mesmo do fim do ano de 2017. A eloquência hipócrita desses parlamentares no momento do voto, beirou o cúmulo da desfaçatez e do ridículo. E revelou também o mal caratismo e a cara de pau, latentes no comportamento corporativista da maioria dos congressistas brasileiros.           

1. Carlos Gaguim (Podemos-TO), o "sinal de esperança"

O deputado Carlos Gaguim e ex-governador do Tocantins, na noite do impeachment afirmou que a retirada de Dilma do poder representaria um sinal de "esperança" ao Brasil. Ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal no último dia 13 de dezembro, investigado por um suposto esquema de corrupção que desviava dinheiro público de obras de terraplanagem e construção de asfalto no Tocantins. Os contratos som suspeita ultrapassaram R$ 850 milhões. Dois dias depois da operação, Gaguim foi condenado à perda do mandato e suspensão dos direitos políticos sob a acusação de ter usado contrato de ouvidoria do Estado na época em que era governador em 2010, para fazer pesquisa eleitoral. Ainda cabe recurso.

2. Bruno Araújo (PSDB-PE), o voto 342

Nomeado ministro de Estado por Michel Temer, Bruno Araújo (PSDB-PE) não demorou para aparecer nas investigações da Lava Jato. É investigado no STF suspeito de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Delatores afirmaram que Araújo recebeu R$ 600 mil da Odebrecht a pretexto de doação eleitoral, quando era deputado federal. Conforme o inquérito, o deputado agia em defesa dos interesses da empresa no Congresso. O tucano deu o voto 342 ratificando o impeachment de Dilma, declarando eloquentemente como o "grito de esperança de milhões de brasileiros".

3. Aécio Neves (PSDB-MG), "tantos erros cometidos"

Quando o impeachment já estava em fase final no Senado, Aécio Neves chegou a recomendar que Dilma Rousseff "deveria pedir desculpas ao país por tantos erros cometidos". O congressista, segundo um delator "o mais chato na cobrança de propina", foi pego em escutas telefônicas solicitando R$ 2 milhões a Joesley Batista. O grampo rendeu ao senador a suspensão de seu mandato, o recolhimento noturno além da prisão do primo, Frederico Pacheco e da irmã, Andrea Neves. As dua penalidades foram depois revistas pelo judiciário e o senador retomou seu mandato no Senado, como se nada tivesse acontecido.

4. Shéridan (PSDB-RR), esperança roubada e bens bloqueados

Conforme noticiado em The Intercept Brasil, a deputada Shéridan (PSDB-RR) teve os bens bloqueados pela Justiça após uma aieronave do governo de Roraima ter sido deslocada do estado rumo ao Rio de Janeiro para buscar um cantor de funk que cantaria no aniversário dela. Ao declarar o seu voto a favor do impeachment de Dilma, a deputada afirmou "pelo resgate da esperança que foi roubada do povo brasileiro". Shéridan responde inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre investigação que apura favorecimento a eleitores de Roraima, como pagamentos de multas de trânsito e por ter incluído eleitores em pagamentos sociais do governo.

5. Wladimir Costa (SD-PA), o deputado da tatuagem

No dia 20 de dezembro/2017, Wladimir Costa (SD-PA), que ficou conhecido por tatuar o nome de Michel Temer no braço, foi condenado pelo TRE do estado por abuso de poder econômico e gostos ilícitos na campanha eleitoral de 2014. Se destacou na Câmara dos deputados por defender o presidente interino com unhas e dentes nas duas denúncias criminais contra Temer em tramitação na Casa. No dia da votação do impeachment de Dilma, com a bandeira do Pará nas costas, Wladimir Costa foi o protagonista do show mais ridículo de todos ao soltar um rojão de papel picado no meio do plenário.


Fonte: George Marques/The Intercept Brasil
Imagem: reprodução/Foto: Marcelo Camargo/AGência Brasil

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