quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

'O zap que afaga é o mesmo que apedreja'

Por Cefas Carvalho, no SaibaMais - Qualquer pessoa com o mínimo de percepção da realidade sabe que a eleição presidencial foi, em grande parte, decidida por informações falsas, as Fake news, transmitidas por grupos de Zap. Após as eleições, descobrimos que esse surto de notícias falsas e sua disseminação não eram orgânicas, mas, sim planejadas, sistematizadas e dentro de uma estrutura cara e bem montada com origem nos EUA e ramificações mundiais.
Basta lembrar da atípica e suja campanha eleitoral, onde o candidato do PT, Fernando Haddad e sua assessoria passavam mais tempo desmentindo Fake news do que fazendo campanha. Teve de tudo, das imensamente divulgadas e de infalível cunho sexual "Kit gay" e "mamadeira de piroca" até non-sense como a informação que Haddad tinha uma Ferrari amarela. E foi desta forma, somado ao sentimento antiPT, à comoção da facada sofrida pelo "mito" e do desgaste de partidos de centro-direita como PSDB, que Bosonaro venceu uma improvável eleição.

Contudo, antes mesmo de tomar posse, Bolsonaro, que mantém postura pessoal e nas redes sociais de quem continua em campanha, e sua entourage estão vendo que pode se ganhar uma eleição com Fake news em grupos de Zap, mas não terá como administrar e fazer política com elas. 

Mais que isso, A própria narrativa dos famigerados "grupos de Zap" pode estar rapidamente se reinventando e, que diria, com potencial para se voltar contra o próprio "mito" e sua trupe.

Claro que o mecanismo de difamação, matérias falsas e disseminação via robôs em grupos de Zap continua, mas, após as denúncias e como maior preocupação das plataformas, perderam parte da força, incluindo aí a surpresa. 

Mas, a própria narrativa no Zap parece estar lentamente revertendo, ou, pelo menos, sendo repaginada. Mostra disso é o surgimento de memes e informações falsas ou pelo menos difusas sobre Bolsonaro e família. Na campanha, a produção de memes era praticamente território dos bolsominions, e sempre contra Haddad, Lula, Dilma e PT. Com Lula preso, Dilma e Haddad fora dos holofotes e sem um inimigo direto a enfrentar (o "comunismo" é vago demais) os grupos de Zap começaram a ser invadidos por memes e piadas com o presidente eleito, sua atrapalhada família e suas equipes, incluindo aí o outrora santificado e incólume Sérgio Moro.

Ouvi depoimentos de amigos e amigas que participam de dezenas de grupos de que mesmo eleitores de Bolsonaro compartilham informações que eles julgam relevantes, como a necessidade que o motorista Queiroz explique o dinheiro na conta ou fazem piada com o fato de um homem deixar que um motorista deposite na conta da esposa.

Eram pessoas que na campanha defendiam Bolsonaro com unhas e dentes, brigavam pela sua honestidade e viam no PT o mal maior do Brasil. Hoje querem saber da conta de Michelle Bolsonaro e fazem piada com o "Posto Ipiranga" Paulo Guedes. 

Também achei sintomático Flavio Bolsonaro ter saído de um grupo de Zap de apoiadores e quipe, após alguns terem cobrado explicações sobre is depósitos de Queiroz. Um Bolsonaro sair de um Grupo de Zap... Os ventos podem, sim, começar a mudar na rede; 

E ainda faltam 11 dias para começar o Governo Bolsonaro. Muita água ainda pode rolar. Muito Zap-Zap também.

Imagem: reprodução

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