sábado, 2 de março de 2019

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro dá depoimento por escrito ao Ministério Público do Rio

Depois de ter se negado a prestar depoimento ao Ministério Público do Rio, por duas vezes, alegando motivos de saúde, Fabrício Queiroz, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro e amigo pessoal do presidente da República Jair Bolsonaro resolveu dar explicações à Justiça sobre suspeitas de atos de corrupção, praticados por ele e outros ex-assessores. No depoimento, Queiroz tenta salvar a pele dos seus chefes.

Queiroz, que também era motorista particular da família Bolsonaro, investigado por movimentações financeiras atípicas, admitiu ao MP-RJ que recolhia parte dos salários de servidores do gabinete na época em que era assessor do então deputado federal Flávio Bolsonaro, eleito senador pelo Rio. No entanto, segundo a explicação que prestou por escrito, Queiroz negou ter se apropriado dos valores afirmando que o dinheiro recolhido dos funcionários era usado para contratar assessores informais e "expandir a atuação parlamentar" de Flávio nas bases eleitorais.

Fabrício Queiroz também afirmou que Flávio Bolsonaro não sabia do esquema. "Por contar com elevado grau de autonomia no exercício de sua função, resultante de longeva confiança que nele depositava o deputado, o peticionante nunca reputou necessário expor a arquitetura interna do mecanismo que criou ao próprio deputado e ao chefe de gabinete", diz o depoimento entregue pelo ex-assessor ao MP, cujo conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo.

De acordo com a petição, Queiroz argumentava que "com a remuneração de apenas um assessor parlamentar", ele "conseguia designar alguns outros assessores para exercer a mesma função, expandindo, dessa forma, a atuação parlamentar do deputado". Queiroz também descreve a prática como uma "desconcentração de remuneração". Segundo ele, todo assessor já sabia no momento da contratação que parte de seu salário seria devolvido com o objetivo de financiar os funcionários da base que não constavam na folha de pagamento salarial da Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro). 

Na semana passada, um outro ex-assessor, que entregava 60% do seu salário para Queiroz, contou ao Ministério Público do Rio que fazia isso regularmente como forma de investimento, que queria multiplicar o dinheiro no suposto esquema de compra e venda de carros. Versão essa, que levaram os investigadores a afirmar como sendo frágil e carente de comprovação.    

Na semana passada, outro ex-assessor, que entregava 60% do seu salário para Queiroz, contou ao MP-RJ que fazia isso regularmente como forma de investimento. Ele disse que queria multiplicar o dinheiro no suposto esquema de compra e venda de carros. Investigadores afirmaram que a versão foi encarada como frágil e carente de comprovação.

As suspeitas envolvendo Queiroz, e por tabela o filho do presidente, Flávio, apareceram na imprensa no início de dezembro, após a eleição de Jair Bolsonaro, quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgou um relatório que apontava as movimentações atípicas de vários assessores e ex-assessores de deputados da Alerj. Na relação estava Fabrício Queiroz, que segundo o relatório, movimentou 1,2 milhão de reais entre janeiro de 2016 e o início de 2017, lotado no gabinete de Flávio Bolsonaro, um valor incompatível com seu salário.

O documento apontou ainda que vários outros assessores do gabinete de Flávio faziam depósitos regulares para Queiroz, em datas coincidentes com o dia de pagamento na Alerj. Também constou no documento, que Queiroz fez um depósito de 24 mil reais na conta da primeira-dama, Michele. Rapidamente o caso despertou a suspeita de "pedágio" ou "rachadinha". Uma prática típica de parlamentares de baixo clero de assembleias e Câmaras municipais Brasil afora, que consiste em recolher parte dos salários de assessores. De posse do relatório da Coaf em mãos, o MP-RJ passou a investigar se Queiroz ficava com o dinheiro ou se entregava para Flávio, então deputado e hoje senador.  

Anteriormente, nos dias em que evitou prestar depoimento ao MP-RJ, Queiroz chegou a dar uma entrevista amigável ao SBT, canal que apoia o governo Bolsonaro, onde afirmou que a movimentação dos valores era resultado de negócios de compra e venda de carro. "Eu sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro, compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro...", disse ele, sem apresentar registros dos automóveis ou comprovantes das vendas. No depoimento de agora, o ex-assessor e motorista dos Bolsonaros voltou com a mesma história, incluindo a venda de eletrodomésticos, roupas, bicos como segurança e intermediação de imóveis. 

"Todo e qualquer produto que pudesse lhe garantir uma renda extra", diz a petição, ressaltando que a alta movimentação na sua conta bancária pode ser explicada tanto por esses negócios paralelos quanto por ele "ser pai de uma família grande". De acordo com a nova versão do depoimento, Queiroz diz, por ser conservador, sempre insistiu "em administrar o essencial das finanças do núcleo familiar", dessa forma, também recebia em sua conta os salários de sua mulher e de seus filhos. 

De acordo com o Estadão e O Globo, Flávio Bolsonaro não quis se pronunciar sobre o depoimento do ex-assessor. 

Fonte: DW/Brasil 
Imagem: reprodução/Foto: Instagram

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