quarta-feira, 17 de abril de 2019

Quando a decisão de governantes atenta contra vida humana, por Janio de Freitas

Jornal GGN - "Quem faça contra uma só pessoa algo caracterizável como privação de socorro, está incurso no Código Penal e sujeito a pena de prisão. Governantes movidos pelos motivos mais idiotas e torpes fazem o mesmo contra milhões. Impunes, sob aplausos originários da imbecilidade e da baixeza", conclui Janio de Freitas na coluna de domingo (14), na Folha de São Paulo.

O articulista se refere ao resultado de decisões do ex-presidente, Michel Temer, e do atual, Jair Bolsonaro, na saúde pública. O primeiro cortou o programa Farmácia Popular, de remédios gratuitos e descontos que atingiam 7 milhões de usuários, um quarto deles registrados como dependentes de ajuda para se tratar. O segundo, desmontou o papel do programa Mais Médicos, criado para garantir atendimento em cidades afastadas dos grandes centros urbanos, após ataques ideológicos que levaram à saída dos médicos cubanos.

Janio traz em destaque o depoimento da médica Ananda Conte ao jornalista Fabiano Maisonnave, na Folha de S.Paulo. A especialista conta que em 15 dias na Amazônia, região de Maturacá, fez 190 atendimentos clínicos entre partos, exames pré-natais e emergências. Após dois meses no Mais Médicos, ela decidiu se desligar por falta de condições materiais: além de equipamentos em insumos, Ananda não recebeu salário.

Ela contou ainda que antes da ruptura do governo, a população dos ianomâmis, que ocupa extensa área na região, era atendida por 16 médicos, todo cubanos. A reportagem revela também que o governo Bolsonaro não conseguiu substituir os profissionais e as regiões do interior do país voltaram à desassistência. 

"Desde o início do programa Mais Médicos viu-se o que se pressentia: médicos brasileiros, mesmo recém-formados, não se interessavam por trabalhar no interior, ainda que em cidades ou regiões aprazíveis. O programa jamais conseguiu preencher a quota de brasileiros", pontua Jani de Freitas.

"Dos inscritos para substituir, com melhores condições, os cubanos devolvidos, 15% nem se apresentaram nos postos designados. De lá para cá, a substituição nunca se completou e a constante é o abandono. Ao governo, ou não importa, ou quer que assim seja", completa.

O colunista aponta que o exemplo do desmonte no Mais Médicos é um ato criminal equivalente ao produzido por Donald Trump, presidente dos EUA admirado por Bolsonaro. O mandatário norte-americano estabeleceu a separação de pais e filhos presos por entrada ilegal no seu país.

A política desumana "tem causado mortes, transtornos psíquicos e males físicos em criança retidas nos abrigos". Como se não bastasse, o governo americano não informa aos familiares das crianças o local onde são alocadas, muitas delas em regiões desérticas. 

"Trump não é e não se imagina que venha a ser cobrado, de maneira adequada, por tal ação contra a vida de milhares de crianças". O mesmo acontece com Temer e Bolsonaro. O desmonte de políticas para a saúde, que atingem diretamente grande soma da população, agora em situação de sofrimento e risco de vida, não parece ser fator de preocupação do ex-presidente e do presidente, que fizeram decisões "sem qualquer medida preventiva, sem informação sobre as populações atingidas, sem se importar com as consequências". Para ler a coluna de Janio de Freitas na íntegra, clique aqui. Ou aqui.

Imagem: reprodução/Alan Santos/PR

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