quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Em entrevista ao Roda Viva, Michel Temer admite que impeachment de Dilma Rousseff foi golpe

O ex-presidente Michel Temer (MDB), em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura, nesta segunda-feira (16), admitiu que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um golpe. "Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe", afirmou Temer, que assumiu a presidência da República depois de consumado o processo de impedimento de Dilma, em 2016.

"O telefonema do ex-presidente Lula revela, exata e precisamente, que eu não era, digamos, adepto do golpe", disse Temer. 

A entrevista do ex-presidente [interino] Michel Temer teve enorme repercussão na mídia, nas redes sociais, e provocou reações de políticos da oposição ao atual governo de Bolsonaro.

Para Manuela d'Ávila, que foi candidata a vice na chapa de Fernando Haddad que concorreu e perdeu a eleição presidencial para Jair Bolsonaro, "Temer já reconheceu que foi golpe", postando um trecho da entrevista de Temer no Twitter, que você pode assistir no vídeo logo abaixo.

O deputado federal Helder Salomão (PT-ES), postou no twitter: "Depois da Janaína Pascoal, foi a vez de Michel Temer admitir o GOLPE contra a presidenta Dilma Rousseff. O golpe que gerou o governo Bolsonaro, gerou crise, desemprego, o fim da CLT, o fim do Mais médicos, o fim do MCMV, o fim da sua aposentadoria. Golpistas destruíram o Brasil

Para o jornalista George Marques, que atua nos bastidores do Congresso Nacional, o que Temer disse no Roda Viva é "um registro que ficará para a história". "O reconhecimento no @rodaviva por parte de Michel Temer de que a ex-presidente Dilma sofreu um golpe parlamentar é um registro que ficará para a história. Segundo Temer os partidos estavam "vocacionados" pela queda de Dilma, o que no bom português chama-se conluio, conspiração", escreveu.

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado federal Paulo Pimenta fez uma lista do que não haveria acontecido "sem o golpe", em sua página no Twitter:

"Sem o GOLPE agora admitido por Temer e Janaína Pascoal, não haveria: - fim da CLT - prisão do Lula - entrega do pré-sal - eleição de Bolsonaro - privatização da BR Distribuidora - destruição da Previdência - gasolina a R$ 5 - fim do PAC e do Minha Casa Minha Vida - Continue..."

O internauta, @rodrigodasilva tuitou: "Nunca votei no PT. Não acredito na inocência do Lula. Não defendo a tese de que Dilma sofreu um golpe. Dito isto, Bolsonaro lidera o grupo mais arrogante a ter governado o país desde a redemocratização. A soberba dará a essa direita alternativa a maior queda da nossa História

O site Sputnik Brasil registrou que, a palavra "golpe" conseguiu reunir mais de 100 mil tweets em algumas horas. "Temer", teve mais de 40 mil tweets, e a hastag #golpe, com mais de mil tweets, entraram para os assuntos mais comentados de hoje [17/09] no Twitter.  

Para o jornalista Kennedy Alencar, "Temer reitera não ter dúvida de que o prestígio de Lula perante o Legislativo teria evitado a queda de Dilma. Uma operação de combate à corrupção não pode interferir assim na História de um país. O Judiciário e o Ministério Público Federal não poderiam ter realizado uma trama política contra o então governo".   

"Foi o que a Lava Jato fez ao divulgar, ilegalmente, um grampo de uma conversa entre Lula e Dilma no dia 16 de março de 2016. Tal conversa foi captada quando o prazo de gravação havia se esgotado e envolvia autoridade com foro especial no Supremo Tribunal Federal. Nunca poderia ter sido liberada ao público", escreveu Kennedy.

"O relato de Temer ao programa apresentado pela jornalista Daniela Lima tem forte peso histórico. Ele deixa claro que o motivo para Lula ser indicado para a Casa Civil destrói o argumento da Lava Jato, de Moro e também do STF (Supremo Tribunal Federal) para impedir que o petista assumisse o posto", conclui o jornalista em matéria no seu blog

Procurada pelo jornalista Leonardo Sakamoto para falar sobre a entrevista de Michel Temer, a ex-presidente Dilma Rousseff disse: "Michel Temer cometeu ontem novo ato de sincericídio no Roda Viva. Admitiu que eu sofri um golpe de Estado e disse que se Lula tivesse ido para o meu governo não teria havido o impeachment". "Temer não disse, contudo, que o Golpe de 2106 foi para enquadrar o Brasil no neoliberalismo. E, claro, negou ter participado diretamente do golpe...".

Sakamoto segue narrando: "Quanto ao telefonema de Lula recebido por Temer, "ele se referia a um diálogo divulgado pelo site The Intercept Brasil, em parceria com a Folha de São Paulo, que tratava de uma ligação de Lula para ele, pedindo para que usasse de sua influência junto ao PMDB a fim de evitar o impeachment. "O fundamento básico dele foi tentar trazer o PMDB e outros partidos no sentido de negar a possibilidade de impedimento", disse Temer. Isso reforça que a preocupação de Lula com a nomeação era salvar o governo e não evitar a sua própria prisão, como defendido pela Lava Jato e pela então oposição em março de 2016. 


Imagem: reprodução/Roda Viva

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