quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Elio Gaspari associa ascensão de Bolsonaro ao filme Tropa de Elite, do direitista José Padilha

Artigo de Elio Gaspari publicado na Folha, via: O Essencial - Em 2007, o filme "Tropa de Elite" mostrava uma cena na qual o capitão Nascimento, do Bope da PM do Rio, queria saber onde estava o traficante "Baiano", espancava um jovem e mandava que o torturassem asfixiando-o com um saco de plástico. Esse momento foi aplaudido em muitas salas do país.
Passaram-se 12 anos, Jair Bolsonaro está no Planalto e Wilson Witzel (Harvard Fake '15) governa o Rio de Janeiro. Durante a campanha do ano passado o capitão-candidato foi a um quartel do Bope, discursou e repetiu o grito de guerra de "Caveira!". Eleito governador, Witzel anunciou sua plataforma para bandidos que empunham fuzis: "A polícia vai mirar na cabecinha e...fogo!".

As plateias de "Tropa de Elite" haviam mandado um sinal e ele materializou-se na eleição. Tudo começou ali. O cidadão que aplaudiu a cena da tortura acreditava que aquele deveria ser o jogo jogado, reservando-se o direito de achar que só se deve torturar quem se mete com traficante ou que só se deve acertar a cabecinha do sujeito que vai para a rua com um fuzil.

Passou-se um ano, não se sabe como o ex-PM Fabrício Queiroz "fazia dinheiro", e a polícia do Rio acerta não só as cabecinhas de bandidos, como também de crianças.

O cidadão do aplauso é capaz de fingir que não sabia que esse seria uma das consequências da sua manifestação de felicidade. Por trás da cena do capitão Nascimento havia muito mais.

(...)

[Recentemente o ex-presidente Lula negou entrevista ao cineasta José Padilha, que está produzindo um documentário sobre a Operação Lava Jato, após a série "O mecanismo", produzida ao Netflix, e que é a versão da histórica pelos procuradores da força-tarefa e do ex-juiz Sérgio Moro. Após a série fazer sucesso e ser amplamente repercutida em todo mundo, o cineasta declarou que, "cometeu um erro de julgamento sobre Moro". Ao negar a entrevista ao cineasta, Lula avaliou que Padilha comprou a versão dos procuradores e do então juiz Sergio Moro, hoje ministro, para narrar os fatos que envolvem a investigação e afirmou que não viu nenhum movimento de autocrítica do cineasta sobre a produção de "O mecanismo". "Esses caras são bons em cobrar autocrítica do PT e na hora de fazer a própria, nada", teria dito Lula.]

[O ator Wagner Moura, protagonista do filme "Tropa de Elite", estreou como diretor no filme "Marighella" baseado na biografia de Carlos Marighella, ex-deputado, poeta e guerrilheiro brasileiro que foi assassinado pela ditadura em 1969. Porém, apesar de ser selecionado para diversos festivais internacionais, como o Festival de Berlim onde fez sua estreia mundial e foi ovacionado, o filme "Marighella" ainda não conseguiu estrear no Brasil, tendo sua exibição cancelada por restrições da Ancine. Para escritores, políticos e artistas, a situação só confirma as suspeitas de censura e boicote por parte da agência em meio ao governo de Jair Bolsonaro]

Imagem: reprodução

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