sábado, 18 de janeiro de 2020

Aumento do frete vai acabar na conta do consumidor

No fim, quem pagará o aumento do frete será o povão. O reajuste em até 15% da tabela de frete determinado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), válido a partir de segunda-feira 20), terá impacto imediato nos preços ao consumidor. Esta é a conclusão de representantes da indústria, do comércio e do agronegócio.
A determinação também torna obrigatório o pagamento de frete de retorno em que o caminhão volta vazio.

José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, associação que reúne a indústria do setor de eletroeletrônicos, afirmou que "o reajuste da tabela de frete deve ter reflexo imediato nos preços dos eletroeletrônicos". Nascimento argumenta que no caso da variação cambial, que impacta o custo dos eletroeletrônicos devido aos componente importados, é possível relevar o aumento trabalhando com estoques remanescentes. Mas quando envolve o frete, não tem saída.

"Não sei de onde tiraram 15%: a inflação está abaixo de 5%, a taxa Selic também está abaixo de 5%, o IGP-M um pouco acima de 5% e as margens de lucro do setor produtivo estão longe de 10%", questionou o presidente da Eletros. "O governo do presidente Jair Bolsonaro, que veio com a proposta de ser mais liberal, manteve o tabelamento do frete", afirma Nascimento. 

O presidente da Associação Paulista de Supermercados, Ronaldo do Santos, também afirma ser contra o tabelamento de preços. Santos acredita que se prevalecer o reajuste da tabela, certamente será repassado para os preços nos supermercados. Outro que se diz totalmente contrário a qualquer tipo de tabelamento, é o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso, Antonio Galvan. "Tabelamento do frete envolve custo para a sociedade de uma maneira geral que o mercado não suporta e esse aumento de custo vai estourar no consumidor, não apenas no produtor rural", afirma Galvan.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso diz que, o governo precisa mudar o modal de transporte e que não tem lógica, no caso dos grãos, o custo do frete representar de duas a três vezes o valor da carga (...). A maior parte da safra sai do campo e será escoada pelas rodovias até os portos no mês que vem. Já o presidente da Eletros, José Jorge do Nascimento, observa que o aumento da tabela do frete rodoviário tem reflexo maior sobre as indústrias localizadas no Nordeste e no Sul do País. No caso dos produtos fabricados na região Norte, na Zona Franca de Manaus, eles são escoados em navios de cabotagem. "O temor é que o frete de cabotagem suba, como em 2018, com a maior demanda."

Fonte: infomoney/Agência Estado
Imagem: reprodução

[ Por outro lado: Caminhoneiros celebram aumento do frete, mas exigem diesel mais barato. "Lideranças dos caminhoneiros dizem que a medida não é suficiente e que o objetivo do setor é a redução do diesel. A expectativa da categoria era que o reajuste fosse de 15% a 18%. A resolução da ANTT contemplou 12 segmentos e adicionou cargas pressurizadas e contêineres, que antes não estavam incluídas", afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão. Segundo ele, as preocupações da categoria se voltam para o julgamento das ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que avaliam a constitucionalidade de tabela de frete, e para o preço do combustível.]   

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