quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Política: Bolsonaro foi responsável por 58% dos ataques a imprensa e jornalistas, diz Fenaj

Segundo relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o presidente Jair Bolsonaro foi responsável por 121 dos 208 ataques contra veículos de comunicação e jornalistas no Brasil, no ano passado, o que representa 58% do total. De acordo com o relatório da Fenaj, o Brasil registrou em 2019 um aumento de 54% em ataques contra profissionais da imprensa e veículos de comunicação.

O levantamento divulgado nesta quarta-feira (15), registra "114 ofensas genéricas e generalizadas, além de sete casos de agressões diretas a jornalistas" feitas por Bolsonaro. De acordo com a Federação, a maioria dos ataques ocorreram em divulgações oficiais da Presidência da República, discursos e entrevistas do presidente transcritos no site do Palácio do Planalto, ou no twitter oficial do presidente. 

"Há de fato, uma permanente ameaça à liberdade de imprensa no Brasil e à integridade física e moral dos jornalistas. É preciso urgentemente frear o arbítrio instalado no país", alertou a presidente da Fenaj, Mara José Braga. "O chefe de governo promove, por meio de suas declarações, sistemática descredibilização da imprensa e dos jornalistas. Com isso, institucionaliza a violência contra a imprensa e sues profissionais como prática de governo", complementou.

Um exemplo de ataque feito por Bolsonaro, está no questionamento sobre a sexualidade de um repórter quando este indagou sobre as denúncias contra seu filho, Flávio Bolsonaro. "Você tem cara de homossexual terrível, mas nem por isso eu te acuso de ser homossexual", afirmou. Em um outro momento, na mesma entrevista, alterando o tom da voz Bolsonaro ofendeu uma repórter ao responder se tinha comprovante de um alegado empréstimo feito ao amigo e ex-policial Fabrício Queiroz. "Ô, rapaz, pergunta para tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, tá certo?". 

Bolsonaro também restringiu acesso a informações. Como por exemplo ocorreu em um jantar beneficente para o qual foi convidado, em março do ano passado, em São Paulo. Logo na entrada do local, um assessor de imprensa do presidente selecionou os veículos que seriam autorizados a cobrir a visita. Foram impedidos, jornalistas do UOL, Folha de S.Paulo, O Globo, Estado de S.Paulo, Valor Econômico, TV Globo e rádio CBN. Foram autorizados a entrar repórteres das TVs Band, Record, SBT e Cultura, além da NBR. 

De acordo com o levantamento da Fenaj, além da violência contra jornalistas e ataques à liberdade de imprensa, cresceu também o número de assassinatos em 2019. Dois jornalistas que atuavam em Maricá (RJ), foram assassinados: Robson Giorno e Romário da Silva Barros. Em 2018 não ocorreu nenhum assassinato, e em 2017, não ocorreu nenhuma morte de profissionais no exercício da profissão. Além disso, houve um aumento das injúrias raciais. Em 2019, foram registrados dois casos de racismo e persistiram casos de ameaças e intimidações.  

Apesar de diminuírem as agressões físicas, em 2019 foram registradas 20 agressões verbais, 10 casos de impedimentos ao exercício profissional, cinco ocorrências de cerceamento à liberdade de imprensa por meio de ações judiciais e dois casos de violência contra a organização sindical dos jornalistas. 

Fonte: UOL
Imagem: reprodução/Foto: Gabriela Biló/Estadão

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