terça-feira, 31 de março de 2020

O que estão tramando contra Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Por Moisés Mendes, em seu blog - Por que Sergio Moro não apareceu ontem entre os ministros que irão participar a partir de agora das entrevistas coletivas sobre as ações contra a pandemia? A Folha pode ter tentado dar a resposta hoje em reportagem de Renato Onofre, Talita Fernandes, Natália Cancian e Gustavo Uribe.

Moro pode ter perdido a confiança de Bolsonaro. A reportagem conta que o ex-juiz e Paulo Guedes uniram-se nos bastidores para sustentar politicamente Luiz Henrique Mandetta.

Seria um trio organizado contra Bolsonaro, com o apoio de setores militares. O esvaziamento de Bolsonaro faz parte de um movimento com articulação. 

Se estão tentando esvaziar o homem, tramam contra o seu poder não só no controle das ações contra a pandemia.

Atacam Bolsonaro fortalecendo o ministro que ele quer enfraquecer. Moro e Guedes estariam - pela reportagem da Folha - atuando na estruturação de um golpe para fragilizar Bolsonaro, e não só fortalecer Mandetta, ou nada teria sentido. 

É possível fortalecer Mandetta, o saco de pancadas de Bolsonaro, sem esvaziar a autoridade do próprio presidente?

Mas nem tudo é tão evidente quanto parece. Bolsonaro chamou o ministro Chefe da Casa Civil, general Braga Netto, para que anunciasse que Mandetta está esvaziado e que ele, Bolsonaro, passa a ter o controle absoluto de todas as informações sobre a pandemia. 

Braga Netto foi quem respondeu à pergunta de ontem, na coletiva e afirmou com os outros ministros, sobre a possibilidade de demissão de Mandetta. 
Antes que Mandetta respondesse, chamou para si a responsabilidade e afirmou que o ministro não sai. Não havia dúvidas sobre quem mandava na mesa.

Se Braga Netto e o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e mais respeitado general brasileiro, fortalecem Bolsonaro, quem estaria do outro lado? A Folha não diz. Ninguém diz e talvez nem devam dizer.

Quem viveu crises semelhantes ou analisou crises parecidas aqui e em outros países oferece uma resposta clássica: às vezes, alguns acham que sabem tudo, muitos acham que sabem pouco, mas na verdade ninguém sabe nada.

É interessante que a reportagem da Folha sobre a articulação de ministros contra Bolsonaro esteja sendo publicada num 31 de março. 

Na atual crise, a única certeza de Bolsonaro deve ser a de que tem o apoio incondicional dos filhos. 

Imagem: reprodução

['Não existe essa ideia de demissão do ministro Mandetta', diz ministro da Casa Civil: "Braga Netto se adiantou e respondeu à pergunta dirigida ao ministro da Saúde, que defende isolamento contra o coronavírus. Bolsonaro vem pregando a retomada da atividade econômica." "Deixar claro pra vocês, não existe ideia de demissão do ministro Mandetta. Isso aí está fora de cogitação, 'no momento', tá certo, não existe." Na sequência, o ministro da Saúde falou: "em política, quando a gente fala 'não existe', o professor já fala 'existe'.]      

[General encerra coletiva para evitar pergunta sobre Bolsonaro: Ao final da entrevista coletiva, realizada nesta segunda-feira (30), em novo formato, colocando o Ministério da Saúde integrada à de outras pastas, foi concedido à imprensa espaço para oito perguntas. A quantidade foi determinada pela própria equipe da Presidência, mas apenas quatro foram feitas. No momento em que um repórter perguntou ao ministro da Saúde sobre as visitas de Bolsonaro por vários locais do Distrito Federal (domingo, 29), incentivando as pessoas a saírem de casa para trabalhar, o ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, sinalizou para a assessoria anunciar o fim da entrevista].

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