quarta-feira, 15 de abril de 2020

Governo Bolsonaro: um dos principais assessores do ministro da Saúde pede demissão

Por Natália Cancian e Julia Chaib - Brasília, DF (FolhaPress) - Principal nome à frente das ações de controle do coronavírus, o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, pediu demissão na manhã desta quarta-feira (15).
A informação foi confirmada pela pasta. Mais cedo, Oliveira já tinha divulgado uma carta à equipe, como revelou a coluna da Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.


Além de Oliveira, o secretário Denizar Vianna (Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos) também deu sinais de que deve sair caso a exoneração do ministro se confirme. 

Com receio de ver os trabalhos descontinuados, auxiliares de Mandetta deram ordens à equipe para que acelerem a publicação de trabalhos técnicos que já estejam em fase de finalização para no máximo quinta-feira (16). 

Mais cedo, Oliveira pediu a diretores que fizessem um balanço das ações de suas áreas para uma eventual troca de gestão. 

Pedido semelhante foi reforçado por Mandetta em reunião nesta quarta.

Na ocasião, o ministro orientou a equipe a acelerar ações para mostrar que a pasta cumpriu o que havia prometido fazer. 

Na manhã desta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que resolverá "a questão da Saúde" para que seja possível "tocar o barco".

A expectativa no Ministério da Saúde é que Mandetta seja demitido do comando da pasta até o final desta semana.

"Pessoal, estou fazendo a minha parte", disse o presidente a apoiadores que o aguardavam na frente do Palácio do Alvorada pela manhã. "Resolveremos a questão da Saúde no Brasil para tocar o barco", afirmou.

O presidente não quis falar com a imprensa. Dos apoiadores que diariamente se aglomeram em frente à residência oficial, ouviu cobranças, o que o deixou incomodado.

"Pessoa, se eu parar aqui para ouvir cada um com um problema, não paro mais", disse.

Bolsonaro, contrário às recomendações da Ministério da Saúde e da maioria dos especialistas no combate ao coronavírus, planeja desconstruir a imagem de "herói" que Mandetta adquiriu para grande parte da opinião pública na pandemia. O objetivo é criar condições políticas para demiti-lo.

Segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, Mandetta avisou sua equipe na noite destea terça-feira (14) que Bolsonaro já procura um nome para o seu lugar.

O ministro conversou com integrantes da pasta em clima de despedida. De acordo com relatos, Mandetta avisou que combinou de esperar a escolha do substituto. 

Imagem: reprodução/Foto: Marcello Casal Jr/Abr

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