sexta-feira, 3 de julho de 2020

Procuradores da Lava Jato em Curitiba camuflam nomes de autoridades para espioná-las

Conjur: A Procuradoria-Geral da República viu investigação "camuflada" da autodenominada "força-tarefa da lava jato" em Curitiba sobre os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP).

Quem foi investigar as ações desse grupo, poderá se espantar com ousadias como a de pedir quebra de sigilo de altas autoridades da República pelas partes menos conhecidas de seus nomes, mas com o CPF certeiro do alvo. Talvez pessoas chamadas "Rodrigo Felinto" ou "Davi Samuel".

A informação foi antecipada por este site, mas coube à reportagem do jornal digital Poder 360, tornar público o documento. A manobra estava embutida em uma extensa denúncia de 13 de dezembro de 2019, mas ninguém havia se dado conta do truque. Os nomes completos de ambos: Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Mais e Davi Samuel Alcolumbre Tobelem - respectivamente, presidentes da Câmara e do Senado.

O time do procurador-Geral da República, Augusto Aras, vem apurando patranhas praticadas nas gestões passadas, grande parte delas subordinadas às campanhas eleitorais da lista tríplice para escolha do procurador-geral da República. A avaliação é que essa "camuflagem" dos nomes seria uma técnica para os procuradores investigarem autoridades sem se submeter aos foros adequados.

A PGR em Brasília encontrou vários casos semelhantes. Haveria até nomes incompletos de ministros do STF, que podem ter tido seus sigilos quebrados de maneira irregular.

Até agora, não há provas de que de fato os nomes camuflados em denúncias possam ter sido todos investigados. É isso que a PGR em Brasília agora tenta descobrir.

O incômodo do grupo de Curitiba começou com pedido da PGR para ter acesso a dados. A ida da procuradora Lindôra Araújo ao Paraná para cumprir a decisão de Brasília motivou abertura de sindicância a pedido da força-tarefa curitibana.

A denúncia de dezembro do ano passado envolve Walter Faria, do Grupo Petrópolis, por suposta atuação em 642 atos de lavagem de dinheiro. O esquema teria tido participação de outras 22 pessoas e movimentou R$ 1,1 bilhão.

A PGR já sabe, segundo apurou a Conjur, que o consórcio de Curitiba abriu mais de mil inquéritos nos últimos cinco anos, que não foram encerrados. Além de equipamento de interceptação telefônica, a "força-tarefa" adquiriu três Guardiões, mas dois deles sumiram. Grande parte do acervo de gravações foi apagado no ano passado. Há fortes indícios de distribuição de processos fraudada e outras ilegalidades.

Em nota apócrifa, os procuradores da Paraná chamaram a reportagem da Conjur de "fake news". 

Imagem: reprodução/Ag.Senado/Ag.Câmara

[FORA DA LEI 1: O obsceno conluio da Lava Jato com o FBI ao arrepio da lei: "A Lava Jato decidiu sair das catacumbas para ocupar de novo as manchetes, mas se vê que seu fôlego é curto. Esta quarta-feira trouxe à luz ações da força-tarefa que evidenciam a degradação a que ela conduziu o estado de direito e o devido processo legal no país. (...) O site Consultor Jurídico já havia noticiado em fevereiro de 2018 a colaboração do FBI com a Lava Jato. Bem, uma coisa é cooperação; outra, distinta, é uma parceria ao arrepio da lei, estabelecida nas sombras. Reportagem da Agência Pública, em parceria com o site The Intercept Brasil, revela coisas do arco da velha.]

***

RSS/Feed: Receba automaticamente todas os artigos deste blog.
Clique aqui para assinar nosso feed. O serviço é totalmente gratuito.

0 comentários:

Postar um comentário

Seu comentário é muito importante para agregar valor à matéria. Obrigado.

Arquivos

Site Meter

  ©Blog do Guara | Licença Creative Commons 3.0 | Template exclusivo Dicas Blogger