domingo, 9 de janeiro de 2022

Presidente da Anvisa rebate ataques de Bolsonaro

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, emitiu uma nota neste sábado (08) em que rebate uma declaração do presidente Jair Bolsonaro (PL), que questionou o interesse da agência por trás da aprovação da vacinação infantil contra Covid-19 e sugeriu que pessoas são taradas por imunizantes.

www.seuguara.com.br/Nota/rebate/presidente da Anvisa/Bolsonaro/

Barra Torres disse que, caso o presidente tenha informações que "levantem o menor indício de corrupção" contra ele, que "não perca tempo nem prevarique" e que "determine imediata investigação policial".

"Se o senhor dispões de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar", disse Barra Torres.


O diretor-presidente da Anvisa também pediu que, caso não tenha indícios, Bolsonaro se retrate da acusação feita contra a agência. "Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate, disse Barra Torres. Confira abaixo a íntegra da nota.


Presidente da Anvisa rebate Bolsonaro

Nota - Gabinete do Diretor Presidente da Anvisa, Sr. Antônio Barra Torres


Em relação ao recente questionamento do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, quanto à vacinação de crianças de 05 a 11 anos, no qual pergunta "Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?", o Diretor Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, responde:


Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.


Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente.


Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho.


Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.


Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.


Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate. 


Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente.


Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário.


Antonio Barra Torres

Diretor Presidente - Anvisa

Contra-Almirante RM1 Médico

Marinha do Brasil 


Por Victor Dias, no DCM 

Imagem: reprodução/Foto: Reuters 


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