terça-feira, 7 de junho de 2022

A dúvida maior: o golpe será bem sucedido? Por Luis Nassif

Por Luís Nassif, no GGN: São curiosos os cenários traçados pelo mercado. Em geral, pegam séries históricas e projetam levando em conta fatores macroeconômicos que surgem no horizonte: aumento da inflação global, queda no PIB mundial, inflação brasileira etc. Em qualquer cenário que se trace, o fato mais relevante são as análises de probabilidade de um golpe de Estado bolsonarista ser bem sucedido.

www.seuguara.com.br/golpe/dúvidas/governo Bolsonaro/Luís Nassif/

Não falei em análise de probabilidade de haver um golpe. A probabilidade é de 100 por cento. As análises são em relação à probabilidade do golpe ser bem sucedido ou não. E, em caso de não ser bem sucedido, quais as consequências de sedições e atentados insuflados pelos Bolsonaro.


Não houve golpe mais anunciado. Apenas nos últimos dias, o país testemunhou nos seguintes eventos: 


1. Manifestações de PMs de Minas Gerais em favor de um cantor embaçado pela Justiça.

2. Antes disso, manifestações armadas da PM mineira em defesa de aumentos.

3. A decisão do governador do Rio de Janeiro de armar todos os policiais aposentados.

4. A adesão da Polícia Rodoviária Federal às milícias bolsonaristas, depois da nomeação, como diretor geral, de um integrante do Club 38, um clube de tiro de Florianópolis conhecido pela militância bolsonarista.

5. Os desdobramentos das medidas de Bolsonaro, desmontando a fiscalização no porto de Itaguaí, porta de entrada do contrabando de armas no país.

6. As informações sobre o arsenal mantido em casa pelo ex-policial Ronnie Lessa, vizinho de Bolsonaro e principal acusado pela morte de Marielle Franco.

7. A anomia das Forças Armadas, de assistirem a perda do monopólio da força para os clubes de caça e tiro, sem esboçar uma reação sequer.

8. Os ataques cada vez mais virulentos de Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral.


O cenário já está armado.


Primeiro, acusa-se o TSE de manipulação da urna eletrônica. Há empresas que trabalham na segurança do TSE e, ao mesmo tempo, servem ao Exército.

Por outro lado, a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e o serviço de inteligência do Exército já dispõem de sistemas capazes de controlar 2/3 da população brasileira usuária da Internet.


Os sistemas permitem montar listas de pessoas a serem acompanhadas, delimitar territórios de espionagem, saber quando essas pessoas penetram nessas áreas, poder invadir seus celulares, mesmo estando desligados. Parte desses sistemas foi adquirida nos Emirados Árabes por uma comitiva da qual faziam parte os próprios filhos de Bolsonaro. 


A grande questão é o que ocorrerá com as Forças Armadas e a cúpula das Polícias Militares estaduais quando eclodirem os atentados e tentativas de golpe.

Literalmente falando, é a questão de um milhão de dólares, muito mais relevante do que adivinhar o nível da Selic no final de ano. 


Imagem: reprodução


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