sábado, 11 de junho de 2022

General, o senhor não comanda o TSE. Por Fernando Brito

Por Fernando Brito, em seu blog: O atrevido ofício mandado pelo General Paulo Sérgio de Oliveira (aqui, na íntegra) ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral [TSE], Edson Fachin, é um documento do qual escorrem ameaças das entrelinhas.
www.seuguara.com.br/TSE/Forças Armadas/eleições 2022/

Aliás, ele é a maior prova do erro absurdo que foi o ex-presidente do TSE, Luís Roberto Barroso ter convidado as Forças Armadas a indicar um representante para colaborar na estruturação do processo eleitoral.


Todo sabem que Jair Bolsonaro, com seu faro de lobo, viu nisso a possibilidade de fazer com que militares passassem a pretender reger o sistema de votação e de apuração das urnas.


E os comandantes militares, pressurosamente, pegaram à unha a oportunidade que o TSE lhes abriu e, agora, exigem que suas interferências sejam aceitas, dizendo que as Forças Armadas "não se sentem devidamente prestigiadas" pelo Tribunal que, ingenuamente, deu entrada a quem, ao contrário de todas as outras instituições convidadas, está à beira de fazer um ultimato aos juízes eleitorais.


Citar, em negrito, que a missão constitucional das Forças é "a garantia da lei e da ordem" (como quase sempre, cavilosamente, omitindo que apenas quando convocada pelos poderes civis) e, em vários outros momentos, pretendendo dar lições legais e jurídicas ao Tribunal não é só uma impropriedade, é uma ameaça. 

E que foi um colega seu, oficial-general, quem disse que homem armado não faz ameaça.


De tuítes e ofícios malcriados, ainda há volta.

Depois disso, só retirada e daquelas com baixas e sem honras.


Imagem: reprodução/Foto: Gustavo Moreno/Metrópoles


[TSE responde Defesa: "Todas as contribuições são bem-vindas": "O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou na noite desta sexta-feira (10/06), que recebeu o ofício do Ministério da Defesa com considerações sobre o sistema eletrônico de votação e que "analisará todo o conteúdo remetido".

"No documento enviado pela Defesa, o ministro disse que as Forças Armadas não estão se sentindo "devidamente prestigiadas" por seu trabalho no grupo de transparência das eleições criado pelo tribunal."

"Esclarecemos que o TSE analisará todo o conteúdo remetido, realçando desde logo que todas as contribuições sempre são bem-vindas e que preza pelo diálogo institucional que prestigie os valores republicanos e a legalidade constitucional", respondeu o tribunal."


"Na nota, o TSE ainda ressalta que o modelo de urna que será utilizado nas eleições deste ano tem características de segurança superiores ao estabelecido pelo Manual de Condutas Técnicas definido pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI)." 


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