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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Fim de ano: época de amistosos beneficentes com grandes jogadas e golaços mundo afora

Não é só no Brasil, que nesta época do ano começam a acontecer jogos amistosos beneficentes envolvendo astros do futebol do passado, artistas e grandes personalidades. Nesta quinta-feira (06), no Ghadir Sports Complex, complexo esportivo com sede em Ahvaz, no Irã, foi realizada uma partida com esta finalidade, envolvendo músicos famosos e ex-jogadores históricos. Confira os melhores momentos, onde não faltaram grandes jogadas e golaços dos dois lados.
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Jair fora do mundo, por Wendell Guiducci

Por Wendell Guiducci (*) - Jair ia andando pela calçada quando avistou um garoto negro. Mudou de calçada, porque poderia ser assaltante. Da outra calçada Jair também acabou mudando, porque vinha lá uma mulher de mão dada com outra. E ele não aguentava esse negócio de sapatona. Seguindo em seu footing, Jair trombou um hare Krisha. Mudou novamente de passeio, porque abomina esses ateus carecas.
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Oito pessoas detêm riqueza equivalente à de metade da população mais pobre do mundo


"O abismo social entre os super-ricos e as camadas mais pobres da população mundial é maior do que se pensava, com apenas oito pessoas detentoras de uma riqueza equivalente ao acúmulo total da metade menos favorecida do mundo, ou seja, 3,6 bilhões de indivíduos. O alerta foi feito nesta segunda-feira (16/01) pela ONG Oxfam (Comitê de Oxford de Combate à Fome), por ocasião da realização nesta semana do Fórum Econômico Mundial de Davos. A ONG chamou a atenção para um nível de desigualdade que "ameaça fraturar nossa sociedade".


Segundo o documento, intitulado "Uma economia para 99%", seis dos indivíduos mais ricos do mundo são dos Estados Unidos, um é da Espanha e um é do México. Todos são empresários e homens. São eles: Bill Gates, da Microsoft; Amancio Ortega, da Inditex; Warren Buffett, maior acionista da Berkshire Hathaway; Carlos Slim, proprietário do Grupo Carso; Jeff Bezos, da Amazon; Mark Zuckerberg, do Facebook; Larry Ellison, da Oracle; e Michael Bloomberg, da agência de informação de economia e finanças Bloomberg.

Para a entidade, o relatório evidencia que os novos dados disponíveis, sobretudo da China e da Índia, permitem afirmar que "a lacuna entre ricos e pobres é muito maior do que se temia".
Em comunicado, a diretora-executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyima, afirmou que, "quando uma em cada dez pessoas no mundo sobrevive com menos de US$ 2 por dia, a imensa riqueza que acumulam apenas alguns poucos é obscena".

"A desigualdade está prendendo centenas de milhões de pessoas na pobreza; está fraturando nossas sociedades e minando a democracia", afirmou.

Byanyima acrescentou ainda que ao tempo que muitos salários se encontram estagnados, as remunerações dos presidentes e altos diretores de grandes empresas têm disparado. "Os investimentos em saúde e educação são cortados, enquanto as corporações e os super-ricos reduzem ao mínimo sua contribuição fiscal".

De acordo com a organização, o ritmo no qual os mais ricos acumulam cada vez mais riqueza poderia dar lugar ao primeiro "trilionário" do mundo em apenas 25 anos. "Com essa concentração de riqueza, esta pessoa necessitaria esbanjar um milhão de dólares por dia durante 2.738 anos para gastar toda sua fortuna", segundo a Oxfam.

Desigualdade crescente

Entre 1988 e 2011, a renda dos 10% mais pobres da população mundial aumentou em média US$ 3 por ano, enquanto a do 1% mais rico cresceu 182 vezes mais, a um ritmo de US$ 11.800 por ano.
As mulheres sofrem maiores níveis de discriminação no trabalho e assumem a maior parte das funções não remuneradas. Segundo a Oxfam, no ritmo atual, levará 170 anos para se conseguir a igualdade salarial entre homens e mulheres.

A organização propõe que os governos aumentem os impostos tanto das grandes fortunas como das rendas mais altas; que cooperem para garantir que os trabalhadores recebam salários dignos e que freiem a evasão e as artimanhas fiscais para reduzir ao mínimo o imposto de sociedades.
Além disso, recomenda que os governos apoiem as empresas que operam em benefício de seus trabalhadores e da sociedade e não só no interesse dos acionistas; e que assegurem que as economias sirvam de maneira equitativa a mulheres e homens."


Fonte:
http://www.dw.com/pt-br/oito-pessoas-det%C3%AAm-riqueza-equivalente-%C3%A0-de-metade-da-popula%C3%A7%C3%A3o-mais-pobre-do-mundo/a-37144810?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf


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sábado, 19 de novembro de 2016

Política - No mundo das novas mídias, "tudo é verdade e nada é verdade", diz Obama

Da Folha - "O presidente dos EUA, Barack Obama, avalia que um dos motivos que levaram à vitória de Trump na eleição presidencial do país foi o fato de que ele "entende o novo ecossistema em que fatos e a verdade não importam. Você atrai a atenção, desperta emoções, e continua. Você pode surfar essas emoções", disse, em entrevista à revista "The New Yorker".
O comentário de Obama se enquadra na acusação de que redes sociais e a proliferação de notícias falsas à véspera da eleição ajudaram a eleger Trump.

Obama-Tramp-reunião-Casa Branca
Segundo um levantamento realizado pelo BuzzFeed News, antes da eleição, os usuários de redes sociais se engajaram mais com notícias falsas sobre o pleito do que com reportagens reais de veículos de comunicação.

Para Obama, esse novo ecossistema da mídia "significa que tudo é verdade e nada é verdade", disse, ecoando o fenômeno chamado de "pós-verdade", termo escolhido pelo dicionário Oxford como a palavra do ano. A palavra faz referência à tendência, apontada por analistas, de emoções terem mais influência sobre a opinião pública do que os fatos.

"A explicação de um físico ganhador do Prêmio Nobel para o aquecimento global no Facebook parece exatamente igual à negação do aquecimento global por alguém que receba dinheiro dos irmãos Koch. E a capacidade de disseminar desinformação, teorias da conspiração, de pintar a oposição de forma totalmente negativa sem nenhuma refutação –isso se acelerou de formas que polarizam fortemente o eleitorado e tornam mais difícil ter uma conversa", disse.

Segundo o presidente, isso mudou completamente a situação política.

"Idealmente, em uma democracia, todo mundo concordaria que o aquecimento global é consequência do comportamento humano, porque isso é o que 99% dos cientistas nos dizem. Então teríamos um debate sobre como consertar isso. (...) Agora não temos mais isso", avaliou.

David Simas, diretor político de Obama, também avaliou o efeito de novas mídias na eleição de Trump. Segundo ele, o governo falhou ao falar apenas para seu próprio público, sem alcançar leitores da direita.

"Até recentemente, instituições religiosas, a academia e a mídia definiam os parâmetros do discurso aceitável", disse. Trump mudou isso, segundo ele, e conseguiu fazer discursos extremos e ser replicado em redes sociais sem ser denunciado de forma eficiente.

"Se Trump tivesse dito o que disse durante a campanha oito anos atrás –sobre banir muçulmanos, sobre mexicanos, sobre deficientes, sobre mulheres–, seus oponentes republicanos, líderes religiosos, acadêmicos teriam denunciado ele e não haveria como contornar essas vozes. Agora, com Facebook e Twitter, pode-se contorná-las. Há permissão social para este tipo de discurso. Ademais, pelas mesmas redes sociais, pode-se achar pessoas que concordam com você e validam esses pensamentos e opiniões. Isso cria toda uma estrutura de permissão, um senso de afirmação social, para aquilo que antes era impensável", explicou.

Apesar do diagnóstico e da preocupação com a situação política do país, a surpreendente eleição Trump "não é o apocalipse", disse Obama ao conversar com sua equipe na Casa Branca após o resultado. "Não acredito no apocalíptico – até que o apocalipse ocorra. Acho que nada é o fim do mundo até o fim do mundo", disse, segundo a "New Yorker"."

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Política: A vitória de Donald Trump e uma reflexão sobre o que ela nos diz

Por Guilherme Boneto, no Carta Campinas - "Eu havia selecionado uma linda imagem de Hillary Clinton abraçada a Michelle Obama, e pretendia postá-la hoje cedo no meu Facebook para festejar a vitória da candidata democrata – não reproduzo a fotografia aqui por questão de direitos autorais, mas ela pode ser vista no Facebook de Clinton.


A primeira-dama Michelle, que teve um protagonismo impressionante ao longo de toda a campanha eleitoral americana, pode ter futuro na política do país, exatamente como Hillary, cujo marido foi presidente na década de 1990. Michelle tem tudo para, quem sabe, ser a primeira mulher negra a presidir os Estados Unidos, e eu ficaria encantado em produzir um artigo a respeito nos próximos dias.

Ocorre que o mundo acordou sob forte impacto: Hillary Clinton, ao contrário da imensa maioria das previsões, perdeu as eleições presidenciais. Sob uma votação maciça e expressiva, o empresário Donald Trump foi eleito para substituir Barack Obama e os resultados disso já são sentidos na manhã de hoje. Pelo mundo, bolsas de valores como Londres, Tóquio e Hong Kong caem à medida que as urnas se fecham.

O ex-presidente do México, Vicente Fox, declarou que seu país “não vai pagar por aquela porra de muro”, em referência à barreira que o presidente eleito promete construir na fronteira sul dos Estados Unidos e cujos custos, declarou, ficarão por conta do governo mexicano. Logo, quero declarar que o meu texto sobre os simbolismos de um país eleger um homem negro, e na sequência uma mulher, com possibilidade de fazer o mesmo com uma mulher negra no futuro próximo, terá de ser postergado por alguns anos.

Já fui aos Estados Unidos quatro vezes desde 2012, todas elas a turismo. Conheço cidades como Nova York, Washington D.C., Kansas City, Miami, Orlando, Pittsburgh e Chicago, além de localidades menores no interior. Fui várias vezes àquele país porque admiro os Estados Unidos e porque sempre  fui muito bem tratado pelas pessoas. Lembro-me de ter entrado numa loja certa vez na capital americana, e a moça atrás do balcão me perguntou se eu vivia nos Estados Unidos, num tom que me pareceu apenas curioso. Ao ouvir a minha negativa, ela limitou-se a dizer, sorrindo: “seja bem-vindo aos Estados Unidos!”. Com outros comerciantes, com as pessoas na rua, com funcionários do metrô, com a polícia, até mesmo com a segurança dos aeroportos – e eu passei por vários – sempre tive ótimas experiências, com praticamente todos. E eu acreditava com absoluta sinceridade que os americanos não seriam capazes de eleger Donald Trump.

Mas eu estava lamentavelmente errado. Hoje, vejo reforçar-se a velha ideia de que os americanos dão mesmo uma banana para o mundo. Que, de fato, eles não são capazes de enxergar a importância dos imigrantes para a construção dos Estados Unidos da América enquanto país e para que eles possam se constituir na nação que são hoje. Que um país tão fortemente miscigenado não “pertence” ao povo A ou B, mas a todos que nele quiserem estar, uma ideia moderna que implica reformas imigratórias profundas às quais o presidente eleito não se comprometeu, muito ao contrário. Que fechar as fronteiras aos pobres e necessitados, num momento em que milhares de pessoas fogem da guerra, é mais do que ridículo: é absurdo e desumano.

Eu acreditava de coração que a maioria dos americanos seguia essa linha de pensamento, e que apenas havia uma minoria muito idiota e muito barulhenta. Neste momento, a “minoria” em questão totaliza mais de 58 milhões de votos em favor da candidatura de Donald Trump. Num universo de mais de 300 milhões de habitantes, temos de fato uma minoria. Esta foi suficiente, no entanto, para eleger o presidente da República.

No discurso do presidente eleito, feito na madrugada de hoje, notou-se um tom bem mais ameno do que aquele visto às largas na campanha republicana. Quero crer que Donald Trump será apenas uma figura caricata e não tão perigosa como se alardeia que talvez seja. Sua vitória nos diz muito sobre o mundo em que vivemos e a negação dos líderes e políticos tradicionais, classe muito bem representada pela senadora Hillary Clinton, que lamentavelmente encerra sua carreira política sem ocupar o cargo ao qual aspirou por muito tempo e com muita capacidade de exercer.

Hillary foi elogiada por Trump em seu discurso de vitória: “Nós temos uma dívida com ela por seu serviço ao país”, disse o presidente eleito. Do lado de fora do Hilton Hotel, em Nova York, onde o republicano discursava, centenas de apoiadores não aparentavam a mesma disposição para seguir nessa linha conciliadora. “Prendam-na!”, gritavam com referência a Clinton, repetindo um bordão da campanha sobre a prisão que gostariam de ver para a ex-secretária de Estado. Mais do que assinalar a vitória maciça e inquestionável do republicano Donald Trump, as eleições presidenciais de 2016 nos dizem muito sobre os Estados Unidos da América e o mundo como o conhecemos."

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domingo, 13 de dezembro de 2015

ONU: conheça os principais pontos do projeto de acordo sobre clima

Representantes de 195 países estiveram presentes à Conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP21), neste sábado (12), em Paris, para assinar o primeiro e histórico acordo universal de luta contra as alterações climáticas e o aquecimento global.
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terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Primeira Delação Premiada

“Pobre Adão, agora se vê no meio de uma disputa entre dois grupos politicamente exaltados” – Por Rob Gordon (*), no PapodeHomem.
"– Senhor?
– Pois não?
– Adão na linha nove.
– Pode passar.
– Sim, Senhor.
– Alô?
– Oi, Adão. Faz tempo que não falo com você. Tudo bem?

– Tudo. E o Senhor?
– Correndo como sempre. O que manda?
– Ah, eu não vou tomar muito do Seu tempo. Liguei só para esclarecer uma dúvida. Quais os tipos de porcos que existem aqui no Paraíso?
– Como assim?
– Os porcos que existem aqui embaixo. Eles são de vários tipos, certo?
– Isso. Existem os porcos, os porcos do mato, os javalis...
– O otorrino...
– Não é otorrino, Adão, é ornitorrinco. Eu vou ter que corrigir você toda vez?
– Desculpe. Eu não consigo decorar dessa palavra.
– E o ornitorrinco não é um porco.
– Não? Na verdade, eu sempre achei que esse bicho fosse uma espécie de coringa.
– Como assim?
– Ah, achei que ele pudesse ser visto como qualquer outro animal, dependendo do caso. Por exemplo, se alguém precisar de quatro cavalos e só encontrar três, pode usar o ornitorrino como quarto cavalo.
– Ornitorrinco. E não, ele não é um coringa. Ele é um animal como outro qualquer.
– Certo. Mas vamos falar dos porcos. Porco do mato, javali... Que mais?
– Adão, para que você precisa saber isso?
– Porque meu advogado disse que eu preciso de um habeas porcos, e eu não faço ideia de quais porcos são esses.
– Adão, isso não é um porco.
– Não?
– Não. O nome é habeas corpus, e isso é um... Espere um pouco. Desde quando você tem um advogado?
– Desde que eu fui acusado de corrupção.
– Corrupção? Como assim?
– Sim, já faz uns dias que está uma baita confusão aqui embaixo. Eu fui acusado de superfaturar as obras do Paraíso e de subornar os animais para fazerem meu serviço enquanto eu fico descansando.
– Mas que obras do Paraíso? Não tem nenhuma obra aí embaixo.
– Sim, eu tentei explicar isso, mas ninguém quis me ouvir. Então contratei um tubarão como meu advogado para construir minha defesa.
– O tubarão?
– Sim.
– Você contratou um tubarão como advogado?!
– Ele ofereceu os serviços. Como não conheço nenhum outro advogado... Bem, eu aceitei.
– Mas, Adão... Que acusações são essas? De onde elas vieram?
– Do pessoal da oposição.
– Que oposição? Você não tem oposição nenhuma!
– Sim, era o que eu pensava. Mas, na verdade, eu tenho. Quer dizer... Nós temos.
– Nós? Como assim?
– Sim. Quem está à frente de toda essa confusão é a serpente. Eu percebi isso logo depois do depoimento dos macacos.
– Depoimento? Que depoimento?
– Vou contar desde o começo. Um dia, o Paraíso amanheceu sem banana alguma. Todas as bananeiras estavam peladas. Logo depois, os macacos foram acusados de desviar as bananas do Paraíso para a floresta onde eles moram. Então os animais aqui embaixo resolveram criar uma comissão para investigar o caso.
– Uma comissão?
– Isso. Eles chamam de CPI. Comissão Paradisíaca de Investigação. Os macacos foram chamados para depor e, no meio do depoimento, eles avisaram que entregariam o chefe da quadrilha caso a pena deles fosse reduzida.
– E eles falaram que o chefe da quadrilha é você.
– Isso. Disseram que eu estou por trás de tudo e que eles estavam agindo apenas como laranjas. Na verdade, eu não entendi direito essa parte, porque os macacos tinham sido acusados de desviar bananas, e até onde eu sei ninguém tinha falado nada sobre as laranjas. Aliás, as laranjas estão lá nas árvores, ninguém mexeu nelas. Não sei como elas entraram nessa história.
– Isso não tem importância. Continue.
– Macacos gostam de laranja?
– Adão, continue a história.
– Certo. Os macacos começaram a falar que eu ganho comissão por cada coisa nova que é criada no Paraíso. Falaram também que eu nem apareço no trabalho, fico na minha caverna descansando e, no final do mês, emito uma nota fiscal por uma empresa fantasma.
– Empresa fantasma?
– Isso. Na verdade, foi por isso que eu contratei um advogado. Eu não entendi nem metade das acusações.
– Depois a gente conversa sobre isso. O que você fez a respeito?
– Eu tentei argumentar com os animais, mas isso só piorou a situação. Eles fizeram um cocaço.
– Um o quê?
– Um cocaço. Eu subi numa pedra e comecei a falar que eu não tinha nada a ver com aquilo, que nem sabia do que os macacos estavam falando. Mas nenhum animal me ouviu. Todos estavam segurando cascas de coco e, assim que eu começava a falar, eles começavam a bater uma casca na outra. Eles fazem isso toda vez que eu tento falar.
– Isso é um cocaço?
– Isso. Foi aí que eu percebi que era a serpente por trás de tudo. Porque foi ela quem distribuiu as cascas de coco. Além disso, ela conseguiu dividir os animais em dois grupos que se odeiam e querem me expulsar do Paraíso.
– Espere. Eles se odeiam, mas querem acabar com você?
– Sim.
– Isso não faz sentido.
– Eu não entendi direito também. Pelo que eu entendi, a serpente disse para metade dos animais que eu quero começar uma ditadura comunista no Paraíso e que preciso ser impedido a qualquer custo. Para a outra metade, ela disse que sou reacionário e que preciso ser expulso daqui porque atrapalho o progresso.
– Comunista? Reacionário? Estão chamando você disso?
– Sim. Alguns animais querem que eu volte para Cuba e outros querem que eu me mude logo para Miami. Eu não sei onde ficam esses lugares. Isso é aqui no Paraíso?
– Bom, tem quem ache que sim.
– Ah, é?
– Esquece. Eu estava apenas pensando alto.
– Certo. Enfim, eu não tenho como me defender porque não sei o que essas palavras querem dizer. Cada grupo fica se atacando o dia inteiro e dizendo que eu pertenço ao outro grupo. Ficam trocando acusações, com cada um culpando o outro por tudo que eles acham que está errado aqui no Paraíso e se acusam de querer dar um golpe. Mas os dois lados querem a mesma coisa.
– Assumir o controle do Paraíso.
– Não! Eles querem minha cabeça!
– Todos os animais tomam parte nisso?
– Todos. Ah, não. O leão não. Ele preferiu não tomar partido.
– Bom, ao menos temos um animal com bom senso.
– Na verdade, é como se ele tivesse fundado um terceiro grupo. Disse que é monarquista e se autodeclarou o rei da floresta. Sinceramente, eu não estou entendendo mais nada que acontece aqui. Aliás, eu pensei em uma maneira de unir os dois grupos e queria a opinião do Senhor.
– Diga.
– Eu poderia criar ministérios e distribuir entre eles. Por exemplo, eu poderia criar o Ministério das Árvores e entregaria para um dos grupos. Aí eu criaria o Ministério dos Lagos e entregaria para um o outro grupo. Assim, quem sabe, eles me deixariam em paz.
– Não, essa é a pior coisa que você pode fazer.
– Como assim?
– Se você fizer isso, nunca mais vai conseguir fazer nada no Paraíso. E a briga vai continuar. Aliás, vai até aumentar. Logo, você vai ter que começar a criar um ministério atrás do outro, somente para agradar os dois grupos.
– Bom, então não sei o que fazer. Antes de mim, não tinha outro homem no Paraíso, certo?
– Não. Você é o primeiro. Por quê?
– Porque meu advogado disse que eu poderia colocar a culpa no meu antecessor. Falar que a culpa é dele e que tudo isso está acontecendo porque estou tentando resolver o que ele fez. Isso poderia acalmar um pouco as coisas.
– Não, Adão, não existiu ninguém antes de você.
– Olhe, eu não consigo fazer mais nada. Eu começo a limpar o lago, sou vaiado. Eu paro de limpar o lago, sou vaiado. Vou podar as árvores, sou vaiado. Paro de podar as árvores, sou vaiado. Aí eu tento falar algo e começam a bater os cocos. Não é fácil. E sabe o que é pior?
– Diga.
– Com toda essa guerra entre os dois lados, ninguém mais nem lembra que os macacos roubaram as bananas. Aliás, os dois grupos já avisaram aos macacos que, assim que eu for expulso do Paraíso, eles serão apontados os administradores daqui.
– Os dois grupos decidiram isso?
– Isso. Os macacos até mesmo formaram um grupo para isso. Partido dos Macacos da Mata de Babaçu.
– PMDB?
– Isso. E os dois grupos ficam em guerra, querendo me destruir e tentando se aliar aos macacos. Eles não percebem que o Paraíso inteiro está sendo prejudicado por causa disso.
– Isso não pode continuar. Quando é sua audiência na tal da comissão?
– Amanhã. Por isso eu preciso de um habeas porcus ainda hoje.
– Corpus. Mas enfim, não se preocupe com isso. Você não vai precisar depor. Eu vou resolver isso. Amanhã tudo estará em ordem novamente.
– Mesmo? Obrigado.
– Até logo, Adão.
Assim que Deus desligou o telefone, começou a pensar no que poderia fazer para resolver o problema. Dilúvio? Fora de questão, era muito cedo. Quebrou a cabeça algumas horas até chamar os anjos para Sua sala. Ordenou a eles que descessem até o Paraíso e organizassem um campeonato de futebol. Isso faria com que os animais se esquecessem de tudo. Sabia que não era a saída mais correta, mas estava sem alternativas.
Horas depois, durante a noite, desceu até o Paraíso e procurou pela serpente. Não demorou até que se encontraram aos pés de uma montanha. Trocaram um aceno de cabeça e ficaram em silêncio por alguns instantes, até que a serpente resolveu falar.
– Eu quase consegui dessa vez.
– Sim.
– Isso é para Você aprender que o mundo é mais complexo que mexer ou não na maçã. Especialmente quando se trata de política.
– Eu sei. É por isso eu sou a favor do estado laico. Quero distância desse assunto.
A serpente sorriu.
– Eu não. Na verdade, creio que encontrei minha verdadeira vocação. Você não pode negar que ter dividido o Paraíso em dois, com um grupo odiando o outro, foi um toque de gênio.
– Sim. Foi um belo truque.
– Quando um lado está ocupado odiando o outro, ninguém se pergunta quem está ganhando com tudo aquilo. Tudo o que importa é destruir o outro lado a qualquer custo. E nada é mais fácil de corromper uma pessoa que está disposta a tudo.
– Mesmo que ela ache que está fazendo o bem.
– Exato. Por isso que na próxima vez, vou conseguir.
– Próxima vez?
– Sim. Eu vou tentar de novo. Mas não agora. Esse homem que você criou ainda é honesto. Eu preciso esperar até achar o cenário ideal, um local que já esteja bagunçado e com dois grupos dispostos a tudo para conquistar o poder. Preciso apenas disso e de um cargo nessa sociedade.
– Um cargo?
– Sim, uma posição que me permita transitar entre esses dois grupos. Assim, tudo o que eu preciso é esperar um escândalo qualquer e usá-lo como fagulha. Divido o povo e começo a jogar dos dois lados, alimentando a cegueira e o ódio. Quando ninguém mais souber em quem acreditar, a fagulha se torna uma fogueira. E, no momento que os dois lados simplesmente pararem de falar a verdade, é porque a fogueira se transformou em um incêndio. E eu preciso apenas de um cargo para dar início ao processo. Fogo e mentiras sempre se espalham sozinhos.
– Mesmo nessa sociedade, algumas pessoas vão tentar acalmar os ânimos e unir as pessoas em nome do bem comum. Você sabe disso.
– Sim. Mas elas serão minoria. O bom senso pode ter palavras bonitas, mas ele apenas fala. O ódio, por outro lado, grita o tempo inteiro. E, na confusão, as pessoas costumam seguir os gritos.
Deus suspirou. Queria que a serpente estivesse errada. Ela percebeu e jogou sua última carta, sorrindo mais uma vez.
– Presidente da Câmara dos Deputados. Que tal? Soa bem, não acha?
Deus não respondeu. Apenas se despediu e desapareceu, voltando ao Seu escritório. Tinha muito trabalho para fazer.
Afinal, talvez apenas dez mandamentos não fossem suficientes."

(*)  Rob Gordon é publicitário por formação, jornalista por vocação e escritor por teimosia. Criador dos blogs Championship Vinyl e Championship Chronicles.


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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Nova York se prepara para a passagem do furacão Sandy [fotos]

A população da cidade de Nova York se prepara para a passagem do furacão denominado Sandy. O furacão representa ameaça para cerca de 50 milhões de pessoas em toda a costa leste dos EUA. Deve passar por Washington, Baltimore, Philadelphia e Nova York, colidindo com outros dois sistemas climáticos resultará em uma super tempestade.
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Primavera Árabe está chegando aos EUA? [vídeo]

A onda revolucionária de manifestações e protestos que ocorrem desde de Dezembro/2010, no Oriente Médio e Norte da África, chamada Primavera Árabe, pode estar se iniciando também no Ocidente. Há 3 semanas acontecem manifestações e protestos em Wall Street, Nova York. Já são 147 passeatas, e número de manifestantes cresce dia a dia. Veja o relato em vídeo do colunista internacional, Luiz Eça, analisando a atual situação, ignorada pela grande mídia.
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