quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A quem servem os textos apócrifos?

Primeiramente devo alertar aos leitores que não sirvo a nenhum interesse político, nem sou filiado a qualquer partido. Gosto de política. Acho que o cidadão não deve se furtar a ignorá-la, posto que o exercício do voto é um ato de cidadania que goza da prerrogativa do sigilo. Acredito na Democracia e na livre expressão do pensamento como direitos legítimos do povo. No entanto, devem ser exercidos com responsabilidade e inteligência diante das versões e fatos que ressurgem a cada momento em uma campanha política. Notadamente através de textos apócrifos que nos enviam por e-mail.
 Com o advento da Internet e a sua rápida e crescente utilização por um numero cada vez maior de usuários, tornou-se comum práticas boas e ruins com o intuito de atender interesses obscuros. Uma dessas práticas ruins é a propagação de spam através do correio eletrônico. É um meio utilizado por uma pessoa ou um grupo de pessoas, para fazer chegar a um maior numero de usuários, textos apócrifos ou com autoria atribuída a pessoa desconhecida, ou à algum personagem midiático. Ou ainda a um jornalista famoso, um autor de renome, sem que estes os tivessem realmente escritos.

Há alguns dias recebi um desses textos cuja autoria era atribuída ao jornalista Luis Nassif, com o título "Elite privilegiada". Segundo o jornalista, o fantasma desse spam lhe persegue deste 2006. No mês passado, Nassif, percebendo que o texto voltava a circular, deixou em seu portal um poema-resposta solicitando a quem o visse publicado em algum site ou Blog desavisado, que o colasse como comentário. Pude verificar que ele foi postado em vários desses Blogs, mas nenhum mencionava a falsidade da autoria.

Recentemente, vi ressurgir através da minha caixa de e-mails, outro fantasma. Trata-se de uma carta apócrifa endereçada ao presidente Lula, assinada por um senhor chamado, Otacílio M. Guimarães. Igualmente este texto já perambula pela rede desde 2005. Curiosamente, época de campanha política. 
Para me certificar da verdadeira autoria e de não se tratar de um "Fake" (termo usado para denominar contas ou perfis usados na Internet para ocultar a real identidade de um usuário), lancei mão do Site Quatrocantos que objetiva checar a legitimidade de lendas, folclores, pulhas virtuais, golpes e muitas coisas que vagam pela rede causando confusão, desinformação e tirando o sossego do internauta. Lá constatei que esse tal Otacílio M. Guimarães que se intitulou presidente do CREA-Ceará, não existe. Tal qual ocorreu com o jornalista Luis Nassif, o verdadeiro presidente do CREA-Ceará, manifestou sua indignação através de uma carta que foi publicada em um grande jornal em circulação no Estado. A Nota de Esclarecimento ao Público,  consta da edição  publicada em 14/11/2005, do jornal Diário do Nordeste. 

Como mencionei no começo, não me cabe aqui debater sobre o conteúdo intrínseco desses textos. Meu interesse se prende, por hábito, buscar a verdade escondida em diversas versões que me chegam, e que as identifico como verdadeiramente manipuladas. Eu sei, e você sabe, que tempo de campanha política é tempo de e-mails ao léu, cujo conteúdo nos remete a propaganda eleitoreira. Ora atacam, ora denigrem a imagem de um determinado candidato. Basta verificar a maneira preconceituosa e radical com que se colocam as palavras e as frases na composição desses textos que infestam  nossa caixa postal. Os verdadeiros autores se escondem no anonimato, ou atribuem autoria a alguma articulista famoso, um jornalista, um escritor de renome, para dar um ar de seriedade e atribuir um valor ao texto, flagrantemente suspeito. Dá para perceber a sutileza de suas intenções nem um pouco legítimas, e a falta de consciência quanto aos valores reais da democracia. Utilizam-se levianamente do direito da liberdade de expressão.

Ao que me parece, ao trilhar o caminho da Democracia, há dois lados que equivocadamente vilipendiam o conceito da própria palavra. Ao optar por esta ou aquela corrente politica, supostos militantes deste ou daquele partido politico,  propagam versões de textos apócrifos que tão somente produzem desinformação. E burlam a verdade. Realizam um ato inequívoco de quase terrorismo via grande rede. 


O exercício pleno da Democracia e da liberdade de expressão, requer um aprendizado constante se quisermos optar por uma participação interativa na política brasileira . Se uma é peremptória, e a outra também, nem sempre o governo e o povo amadurecem nesse processo. Pois, ambos são vulneráveis ao crime e a corrupção. Há sempre alguém a cometer um ato ilícito para tentar usurpar o poder de forma ilegítima. 

Alguém ousou dizer que a Democracia é a voz do povo. A história comprova que quando ela se fez ouvir em alto e bom som, aconteceram as grandes revoluções em benefício da humanidade. 
Tome cuidado com textos apócrifos recebidos por e-mail. Nunca se tem certeza ao qual senhorio eles servem. Geralmente nos conduzem à uma armadilha. 
 

Imagem: nãoacredito.
       
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