quinta-feira, 15 de março de 2012

Como ler e identificar textos apócrifos

O que há de ruim em textos apócrifos, desses que a gente costuma receber por e-mail, é que nunca se sabe qual é realmente a sua finalidade. Penso que, normalmente se prestam a fomentar uma questão partidária, uma ideologia, uma opção de credo, ou impor uma mentira como se verdade fosse. Uma vez que já nascem com o vício do obscurantismo, e por fim acabam em uma demanda de opiniões, não levará a lugar nenhum. O resultado é o estabelecimento de um ambiente negativo, repleto de desilusões e incertezas, propício ao desentendimento.
Perde seu tempo quem lhes dá crédito. Tempo este que deveria ser dedicado de maneira racional, à busca do verdadeiro conhecimento e a verdade dos fatos. Só revelados, após uma investigação séria, desprendida de qualquer paixão, inclusive das inclinações partidárias, ideológicas e religiosas. Aliás, os textos apócrifos, comuns em tempos de campanha política, tomaram forma, ganharam força e volume na Internet, a partir do momento em que foi eleito para presidente do Brasil um homem do povo, e o poder mudou de mãos. Então, seguiu-se um longo período de produção desses textos que infestaram as caixas de e-mails, e atingiram o pico quando surgiram os temíveis e já tão conhecidos escândalos de corrupção envolvendo membros do governo. 
Sem entrar no mérito da questão, apagaram-se 500 anos de falcatruas e roubos ocorridos neste país, como lembra o "Sermão do Bom Ladrão, de Pe. Antônio Vieira, e quiseram impingir ao povo, a idéia de que a corrupção nasceu há alguns anos, no decorrer da história política recente do Brasil.

Voltemos ao assunto, pois o que é mais importante, como dito, é a busca da verdade e do conhecimento. O que requer um olhar minucioso aos dois lados da mesma moeda com muito critério.


Certa vez, em um dia de minha parca vida acadêmica, aprendi uma lição muito simples, de como se deve ler um texto, uma matéria, um artigo qualquer. De tão simples, quase ninguém prestou atenção. O segredo estava em fazer uma leitura rápida, dinâmica, de um texto previamente preparado para a ocasião. E, principalmente em silêncio. Isto é, para evitar cair na "pegadinha", obrigatoriamente a leitura teria que seguir até o final do texto, sem pronunciar as palavras em voz alta. Antes de qualquer decisão ou conclusão precipitada, era preciso chegar até a última frase antes de passar a executar as solicitações sugeridas no conteúdo. Essa era a lição. Perfeitamente adaptável, em se tratando do famigerado texto apócrifo que sempre estamos a receber.  


Naquela ocasião, dentro da sala de aula, quem leu só o começo do texto, precipitou-se  nas ações. Cometeu um grande erro e caiu no ridículo. Na última frase, estava o que realmente precisava ser feito. Quem de imediato deu início às ações, depois verificou surpreso que nada do que foi solicitado no começo do texto, era  necessário fazer. Isto é, se quem recebeu o texto, tivesse a paciência e a reflexão necessárias para seguir até o fim, antes de mais nada, chegaria à conclusão correta sobre a verdadeira intenção do texto.
Tomando como exemplo esta simples lição, é assim que deveríamos proceder à leitura de qualquer texto recebido através do correio eletrônico. Fica mais fácil identificar os ditos textos apócrifos. Diria até, que começar a leitura de trás pra frente, checando o nome do autor é um método válido. Se não aparecer referência de fonte, 90% de chance de ser um texto suspeito. Sua leitura não irá acrescentar nada, além de acabar com a paciência de qualquer cristão. Se tiver a autoria atribuída a um famoso, articulista, escritor, jornalista, a chance cai um pouco. Mas, na maioria das vezes essa atribuição é falsa.   


Os temas, quase sempre são os mesmos. Política ou religião, dominam a regra na produção desses textos apócrifos, pois mexem com paixão, e justamente por isso são os preferidos por alguém que quer chamar a atenção das pessoas. É difícil descobrir a quem servem os textos apócrifos? Nem tanto. Porém, identificá-los, pode ser um pouco mais fácil. Atenção especial àqueles precedidos das palavras: "faz sentido, por isso repasso", ou no final: "autor desconhecido", por exemplo. Geralmente a descrição é feita em letras garrafais, quando não coloridas. Há alguns dias atrás, recebi  um texto com título escrito com "letras grandes em vermelho" (cuidado, não é bom sinal): Porque Fátima Bernardes saiu JN-Globo


Para saber mais, busquei fontes independentes de informação, e encontrei no site Escrevinhador, do Rodrigo Vianna, jornalista que é do ramo. Conhecedor das etapas das decisões e como elas acontecem nas grandes organizações de notícias, Vianna escreveu uma matéria esclarecedora: os bastidores da troca no "Jornal nacional", publicada em 01/12/2011 e atualizada no dia 04, onde trás luz à questão. Nem precisava dizer, mas matei a charada. Depois, coloquei o título do texto apócrifo que recebi, na caixinha de pesquisa do Google (fácil!) e de outros buscadores. Fechei a conclusão sobre as verdades, meias verdades, e as mentiras que já foram ditas sobre o referido assunto.

Infelizmente os textos apócrifos continuam a infestar a Grande Rede, contribuindo para que ela seja um montão de lixo em vez de um instrumento de compartilhamento de boas idéias, informação, entretenimento e conhecimento. É nosso dever como cidadão consciente, contribuir para que a Web seja sempre um espaço verdadeiramente democrático, justo e limpo.    





Imagem: Umas&Outras.


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2 comentários:

Rui Morel disse...

É isso mesmo Seu Guará, os do bem não desperdiçam tempo com essas picuinhas, mas que é uma encheção de saco, é. Já estou preparado para as eleições que se aproximam. Gostei do texto. Abraços

Guaraci Celso Primo disse...

Ollá nobre amigo Rui,
Muito me dignifica seu comentário.
A propósito, já pensou em disponibilizar seus livros em arquivo PDF na Internet?
Pode ser uma boa opção em divulgar as suas excelentes obras....

Fraternal abraço.

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