sexta-feira, 13 de maio de 2016

Política: Temer, Cunha, o golpe do impeachment e a democracia

O vice-presidente da República Michel Temer, desde longa data é uma das mais gordas raposas que existem nos labirintos do Congresso Nacional. Profundo conhecedor do jogo político, tanto no Poder Executivo quanto no Legislativo, sabe quem são os principais atores de maior influência nas duas casas. Alimenta-se de suas ganâncias e ambições. E sabe a hora oportuna de onde e quando apostar pesado para levar vantagem. Michel Temer, sempre esteve à frente do maior e mais influente Partido político no cenário da política brasileira. Acima do PT e do PSDB, as duas forças antagônicas que disputaram o comando da nação nos últimos anos, o PMDB é quem na verdade distribui as cartas (marcadas) de tal forma que o jogo pareça ser justo, sem trapaças.


Outro jogador implacavelmente impostor, também peça importante do PMDB, ainda é o deputado Eduardo Cunha. Alvo de processo de cassação de mandato no Comissão de Ética da Câmara dos deputados, é acusado de possuir contas secretas na Suíça, além de ser réu no STF. Cunha, usou de toda a sua influência nas bancadas que o apoiam e na bancada do PMDB, para promover todo tipo de manobras visando retardar e desqualificar o trabalho da Comissão.

Afastado da presidência da Câmara pelo Supremo, Cunha chegou a romper com o Governo, pelo apoio que lhe foi negado. Fato que o levou a assumir o papel de precursor do esquema golpista, que desencadeou na abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Cunha e Temer, formaram a dupla dinâmica que trabalhou incessantemente para desconstruir o governo Dilma. Sem ter condições morais suficientes para fazê-lo, no que diz respeito ao quesito corrupção e conduta ilibada. 

   
Acontece que, mesmo sem ter sido consumado o processo de impeachment de Dilma na Câmara, Michel Temer, até então "companheiro" fiel de Chapa, escreve uma carta à presidente. Onde, em tom de lamento e decepção, diz sentir-se um "vice-decorativo". Na maior desfaçatez, própria dos homens dúbios, sorrateiramente deixa vazar o conteúdo da carta para a imprensa, que soaria como justificativa para a traição à Dilma Rousseff. Para logo depois, cair fora do desgastado Governo, sem constrangimento. 

Michel Temer, que afirmara convicto há alguns meses atrás, em sua página no twitter e em várias entrevistas: "o impeachment é impensável, geraria uma crise institucional. Não tem base jurídica e nem política", percebe que era chegada a hora e a vez do PMDB agir em seu próprio benefício. Seguindo o roteiro golpista, o Partido também rompe com o Governo. Não seria tolice afirmar, que a cartinha de Temer serviria de estímulo para que a maioria dos deputados federais oportunistas, seguissem o exemplo da trairagem e se posicionassem favoráveis ao impeachment da presidente.

Depois da votação no plenário da Câmara, onde vimos um verdadeiro espetáculo circense de comédia, farsa e traição, que envergonhou o Brasil, Michel Temer daria mais um passo estratégico rumo a concretização do seu temerário plano de apear Dilma do poder e assumir em seu lugar. Reúne seus correligionários e comensais, e faz um discurso considerando a vitória do impeachment. Ele próprio deixa vazar o áudio da conversa, dizendo que o vazamento foi um acidente.  Estava consumado o golpe dentro do PMDB, antes mesmo do julgamento da admissibilidade do impeachment no Senado, cujo resultado já era previsto.

Com o afastamento de Dilma Rousseff da presidência por 180 dias, até a consumação do julgamento na comissão que será instalado no Senado a ser presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Michel Temer assume interinamente a presidência do país. O vice-presidente da República poderá permanecer no cargo até 2018, caso a comissão decida pelo afastamento definitivo de Dilma. Temer toma o lugar de uma presidente sem qualquer denúncia de corrupção ou crime, e o Brasil terá o primeiro presidente "ficha-suja" da sua história, alçado ao cargo através de um golpe político.  

Além disso, consideremos que, na qualidade de usurpador do poder concedido democraticamente à presidente, Temer está submerso em denúncias de corrupção, suspeitas e ameaças, tal qual alguns dos escolhidos por ele para serem ministros no seu mandato ilegítimo. Na mesma condição moral, da maior parte daqueles parlamentares que votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

De qualquer forma, este acontecimento histórico da política brasileira, foi e será péssimo para a democracia, ainda não consolidada no Brasil de hoje. E também não será nada bom para a maioria do povo brasileiro, que será penalizado pelo golpe, com consequências imprevisíveis.  Quase nada restará ao povo no Brasil pós-impeachment. Com o objetivo de debelar a crise, está sendo anunciado um plano de medidas contendo um fardo pesado de sacrifícios aos cidadãos e cidadãs. Sem um pacto com os trabalhadores que garanta seus direitos constituídos, vai ser muito muito difícil. São medidas que não diferem muito daquelas pretendidas pelo governo Dilma. Como por exemplo, a reforma da Previdência e a volta da CPMF, rechaçadas na Câmara dos deputados e criticadas inclusive pelos partidos da base aliada ao governo. E que tanto contribuíram para que a popularidade da presidente despencasse junto a opinião pública.      
Michel Temer, Eduardo Cunha, PMDB, PSDB e partidos de oposição contribuíram muito com a paralisação do país quando boicotaram Dilma. Apesar dos erros cometidos, o governo da presidente vinha tentando superar a crise e recuperar a confiança do país. Quando tiveram a oportunidade de ajudar o Brasil, se negaram a fazê-lo. Sobrou arrogância e faltou vontade política. Doravante, terão que fazer o que não fizeram, enquanto supostamente parceiros para fazer o país retomar o caminho do progresso, novamente. Na verdade, depois que Dilma foi reeleita, a maioria do PMDB, seu principal aliado, e oposicionistas, se dedicaram diuturnamente ao mister egoística de promover uma grande disputa pelo poder dentro do Congresso para desestabilizar e neutralizar as ações do Governo, em qualquer sentido. Dilma "já estava morta", e Temer não tem legitimidade democrática nenhuma para governar o país, como disse o ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. Os nomes dos seus algozes todo mundo conhece.

Com governo interino e ilegítimo de Michel Temer, a Democracia brasileira sofrerá um duro revés com a posse de um inelegível e corrupto neoliberal. Como opina o jornalista americano radicado no Brasil, Glenn Greenwald, no site  The Intercept . Uma matéria que faz um contraponto a quase tudo o que foi publicado até agora na grande mídia contra o Governo Dilma e o PT. Uma pauta que somente promoveu o ódio e a intolerância, até chegar situação inevitável da perpetração do golpe político-jurídico-midiático que sofreu a primeira mulher democraticamente eleita presidente do Brasil. Michel Temer e Eduardo Cunha, apoiados por grandes setores da mídia corporativista, promoveram um verdadeiro atentado aos princípios da democracia, Passarão para a história como golpistas.   


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