quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Doravante no Senado, todo dia será dia de “Índio”


Um dos caciques do PMDB e político muito próximo ao presidente interino Michel Temer, o  senador Eunício Oliveira foi eleito presidente do Senado nesta quarta-feira(1º) para o biênio 2017/2018. Eunício, conhecido no departamento de propinas da Odebrecht pelo apelido de “Índio”, recebeu 61 votos contra 10 do seu concorrente José Medeiros (PSD-MT). Dez senadores votaram em branco.

De acordo com a matéria publicada no Estadão por Mateus Coutinho e Fausto Macedo, “Índio”, que já exerceu a sugestiva função de tesoureiro da "tribo", foi citado na delação premiada do ex-diretor da empreiteira Odebrecht Cláudio Melo Filho, como recebedor de mais ou menos R$ 2,1 milhões em propinas entre outubro de 2013 e janeiro de 2014. 


Fonte: Veronezi

Segundo o delator Melo Filho, o valor é para garantir o apoio do parlamentar na aprovação de Medida Provisória (MP) que beneficiava a empreiteira, a pedido do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Jucá, conhecido pelo codinome “Cajú” no departamento de propinas da Odebrecht e um dos principais articuladores do impeachment de Dilma Rousseff, conforme comprovado em diálogos gravados em áudios divulgados pela imprensa, era o “centralizador do recebimento de pagamentos e organizador dos repasses a membros do PMDB no Senado Federal”.

Ainda, segundo o delator de Melo Filho, Eunício faz parte do “trio que efetivamente era o dono do PMDB do Senado”, em referência a Romero Jucá e Renan Calheiros, que deixou a presidência do Senado e passará a ocupar o cargo de líder do Partido na casa, antes atribuído ao próprio Eunício Oliveira, o “Índio”.

Calheiros, no apagar das luzes do seu mandado, enviou para a sansão de Michel Temer, por alcunha “MT” nas listas de delações, o polêmico Projeto de Lei que deu origem a Lei Geral das Telecomunicações. Uma Lei que concede generosos benefícios na transferência de patrimônio público às operadoras de telefonia e internet.

Na noite de quarta-feira (1º), também foram escolhidos os integrantes da Mesa Diretora - dois vice-presidentes, quatro secretários e quatro suplentes de secretários. São eles:

1º Vice: Cássio Cunha Lima (PSDB-PB);
2º Vice: João Alberto Souza (PMDB-MA);
1º Secretário: José Pimentel (PT-CE);
2º Secretário: Gladson Cameli (PP-AC);
3º Secretário: Antonio Carlos Valadares (PSB-SE);
4º Secretário: Zezé Perrella (PMDB-MG);
1º suplente: Eduardo Amorim (PSDB-SE);
2º suplente: Sergio Petecão (PSD-AC);
3º suplente: Davi Alcolumbre (DEM-AP);
4º suplente: Cidinho Santos (PR-MT).

Como disse, em tempo, o PHA, “com Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) na vice-presidência, o plenário do Senado assistirá a imprevistos fenômenos meteorológicos, com a chuva de dinheiro.” Cunha Lima, teve o apoio incondicional e a influência do presidente do PSDB, Aécio Neves, o citado “mineirim” na lista da Odebrecht. Partido de direita mais importante do país, o PSDB com suas ações estratégicas dentro da caótica situação política que vive o país vem demonstrando reais pretensões em controlar o Estado, que pelo andar da carruagem pode acontecer por vias indiretas.  

Por outro lado, senadores do PT divulgaram uma nota conjunta em que criticaram a decisão da bancada do Partido de liberar o voto no senador Eunício Oliveira para presidente do Senado.

“Superestimando a luta institucional e insensível ao apelo da militância, a maioria da bancada preferiu não tomar uma posição clara, autorizando os senadores e senadoras petistas a votarem como bem entenderem. É realmente lamentável. Um equívoco político que cobrará seu preço”, disseram os senadores. Desde a reeleição de Dilma Rousseff, por conveniência política quase a metade do Partido dos Trabalhadores (PT) deixou de apoiar o governo da presidente, defenestrada do cargo através do impeachment.

Ironicamente, como no dito popular histórico que se transformou em provérbio, as coisas no Congresso Nacional ficarão tudo como dantes no quartel de Abrantes. A vitória meticulosamente orquestrada pela "tribo" e seus asseclas oportunistas confirma o poderio do PMDB em suas inúmeras articulações políticas, dentro do Congresso Nacional e também fora dele.

Ao longo de três décadas, o Partido manteve o monopólio do fisiologismo nos labirintos do Planalto. Além de estar constantemente dando as cartas nos desenrolar do jogo nas duas casas, na Câmara dos deputados e no Senado. O PMDB ganhou 14 das 16 eleições no Senado Federal desde a promulgação da  Constituição, em 1988.  

Imagem: reprodução/Foto: Agência Senado


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