terça-feira, 27 de agosto de 2019

Vaza Jato: procuradores ironizaram morte de Marisa e do irmão de Lula; "só queria passear"

Novos diálogos dos procuradores da Lava Jato revelados pelo site The Intercept, em parceria com o portal UOL, mostram que integrantes da força-tarefa ironizaram a morte da ex-primeira dama Marisa Letícia. "Estão eliminando as testemunhas...", disse  o procurador Januário Paludo. Nas mensagens Telegram, eles dizem que Lula "faria uso político" da morte de sua esposa, questionaram a causa da morte de Marisa e criticaram até mesmo a morte de Vavá, alegando sobre Lula que "o safado só queria passear".

A procuradora Laura Tessler, que foi criticada por Sergio Moro e depois afastada de audiência de Lula, disparou contra uma matéria da Monica Bergamo que relatava a agonia de Marisa com os abusos da Lava Jato, como a condução coercitiva de Lula, e como essa situação havia afetado o quadro de saúde da ex-primeira-dama.

"Ridículo...Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão... ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula", afirmou Tessler, ironizando a doença da ex-primeira dama.


Os procuradores também mostram sua frieza em outra entrevista que o ex-presidente Lula concedeu ao El País. "Marisa morreu por conta do que fizeram com ela e com os filhos dela. Dona Marisa perdeu motivação na vida, não saía mais de casa, não queria mais conversar nada", disse Lula época.

"A propósito, sempre tive uma pulga atrás da orelha com esse aneurisma. Não me cheirou bem. E a segunda morte em sequência", escreveu o procurador Januário Paludo.

Nos diálogos, os procuradores ainda falam da morte do irmão do ex-presidente Lula, Vavá, e de seu neto Arthur. No caso da morte de Vavá, agiram para que o ex-presidente não fosse ao enterro. No chat, Antônio Carlos Welter diz acreditar que Lula tinha o direito de ir ao enterro do irmão.

"Eu acho que ele tem direito a ir. Mas não tem como." Januário Paludo responde: "O safado só queria passear e o Welter com pena". Laura Tessler comentou: "O foco tá em Brumadinho...logo passa...muito mimimi". "O safado só queira ir passear", escreveu Paludo.



(...) 

Athayde Ribeiro Costa destacou a repercussão internacional negativa que a proibição traria. "Mas se nao for, vai ser uma gritaria, e um prato cheio para o caso da ONU [Organização das Nações Unidas]", escreveu. O procurador Orlando Martello afirmou achar "uma temeridade ele sair. Não é um preso comum. Vai acontecer o q aconteceu na prisão" e concluiu: "A militância vai abraçá-lo e não o deixaram voltar. Se houver insistência em trazê-lo de volta, vai dar ruim!!" O procurador Diogo Castor ponderou que "todos presos em regime fechado tem este direito".

Clique aqui para ver o restante dos prints das conversas e a íntegra da matéria, publicada por Pedro Torres no site da Agência Saiba Mais.   

Imagem: reprodução 

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