segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Mensalão - José Dirceu, o esquerdista mais odiado pela Direita e pela mídia tradicional

A suprema Corte de justiça do país determinou a prisão imediata de 11 condenados no processo do mensalão, justamente no feriado alusivo à proclamação da República. Aprendi dos homens livres e de bons costumes, a busca incessante da verdade e olhar atentamente os dois lados da mesma moeda. Observo com desconfiança e prudência o regozijo de determinados setores da imprensa e da mídia tradicional ao noticiar com júbilo a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Percebo nesta atitude frenética e exacerbada dos grandes meios de comunicação do Brasil diante do fato, particularidades e interesses obscuros. Há informações correlatas divulgadas pela mídia alternativa e pelos ditos blogs progressistas, que levam à constatação de que o julgamento do mensalão não está sendo estritamente tão justo e perfeito quanto nos querem fazer crer. Existem detalhes importantes sobre o processo que foram omitidos por não haver interesses, talvez políticos, que sejam do conhecimento do grande público.      

Dentre os réus do processo que tiveram a prisão decretada estão, o ex-ministro do primeiro governo de Lula, José Dirceu, o ex-presidente do PT, José Genoíno, o primeiro a se entregar à policia federal. Logo depois, Zé Dirceu também se entregou. O petista Henrique Pizzolato, consta da lista. Curiosamente o único ex-diretor do Banco do Brasil arrolado no processo. Talvez por pertencer ao mesmo Partido político (PT), como os outros.

Politicamente o mais fraco de todos eles, fácil seria condená-lo excluindo voluntariamente seus pares igualmente responsáveis nas decisões administrativas da empresa. Pizzolato não se apresentou à PF. Segundo informações do seu advogado, viajou para a Itália para fugir da sentença, mas há  provas contundentes que também foi condenado sem provas. Veja aqui a nota pública divulgada por ele. 

Um determinado veículo de informação, noticia: "A Polícia Federal já está nas ruas e tenta encontrar os condenados". Uma nota intrigante. Colocado assim, parece tratar-se de busca a subversivos e terroristas. Como foram classificados estes mesmos personagens, durante a luta contra o regime militar nos tempos da ditadura. Talvez esteja aí uma da razões de tanto ódio que esses setores demonstram com os ex-integrantes dos grupos que lutaram contra o àquele regime. Exclusivamente contra José Dirceu, denominado "chefe da quadrilha" no processo de julgamento do mensalão.

Naquele tempo, a mesma mídia colocava-se, par e passo, favorável ao regime que desconsiderou e jogou no lixo os preceitos da Democracia. Tanto que, recentemente o "Globo", em editorial desculpou-se envergonhado pelo apoio ao golpe militar de 1964. Disse que foi um erro. Mas mencionou que outros grandes jornais também o fizeram. Tardio o reconhecimento. Posto que muito sofrimento sobreveio ao povo e muitas vidas pereceram naquela época. Mas os resquícios de conluio com setores reacionários, continuaram até os dia de hoje.

Não raro, observamos atitudes anti-democráticas e opiniões dúbias, publicadas na imprensa em relação ao governo atual, como se o veículo de informação fosse um Partido político legalmente constituído. Isto vem acontecendo sistematicamente desde que a Esquerda chegou ao poder, inclusive através das redes sociais.

"Quem sou eu para fazer qualquer insinuação ou julgamento da Suprema Corte?". Esta frase tomei emprestada do ex-presidente Lula, quando indagado sobre o julgamento do mensalão. Por óbvia estratégia política, certamente. Porém, repito, existem informações correlatas divulgadas pela mídia alternativa e pelos ditos blogs progressistas, que levam a crer que o julgamento do mensalão não foi necessariamente justo e perfeito, quanto a mídia nos quer fazer acreditar.

A impunidade jamais deverá prevalecer. Mas, o julgamento do mensalão deixa transparecer dúvidas, claudicante no aspecto técnico e clarividente no sentido político e midiático. Particularmente causa estranheza, um ministro do Supremo discordar do voto de seus pares com tanta veemência e agressividade, como o fez o presidente Joaquim Barbosa, relator do processo, com o ministro Ricardo Lewandowski, revisor. Não deveria haver respeito pela posição e votos contrários ou a favor dos réus entre os ministros do Supremo?

Existem pontos relevantes não considerados em relação aos acusados, condenados, e aos crimes dos quais são acusados. Segundo informações dos meios alternativos à mídia tradicional, não há provas suficientes para a condenação dos réus, por determinados crimes. Por julgar procedente tais informações, já repercuti aqui e aqui, notícias e opiniões sobre o julgamento do mensalão. Vale lembrar o que o disse o renomado jurista Ives Granda, anti-petista declarado: "José Dirceu foi condenado sem provas". Outra opinião sensata sobre o julgamento, desprovida de paixões partidárias, foi emitida pelo famoso jornalista e colunista da Folha, Janio de Freitas.

Fato é, que José Dirceu era o homem forte do governo Lula quando o escândalo ocorreu. Era responsável por todas as articulações políticas e negociações com outros partidos. Entretanto, Dirceu resolveu peitar o deputado Roberto Jefferson, presidente do PDT, no escândalo de corrupção que resultou na CPI do Correios. O embrião de todo o esquema, que o próprio deputado Jefferson delatou e batizou de "mensalão" por não ter suas pretensões políticas atendidas. Ou, não recebeu a mesada que revindicava para seu Partido.

A partir daí, o deputado Jefferson e muita gente passou a odiar José Dirceu. Então todo-poderoso ministro do governo Lula, eleito inimigo nº 1 da Direita e da mídia conservadora. Deu no que deu. O ex-ministro de Estado doravante irá responder, preso, por outros crimes em julgamento no Supremo pendentes da apreciação dos embargos infringentes.

Diante de tudo, fica a pergunta que não quer calar: Porque a Direita odeia tanto Zé Dirceu e quer vê-lo execrado do cenário político? Leia a matéria de autoria do jornalista Paulo Nogueira, criador do site Diário do Centro do Mundo. Senão responde satisfatoriamente a questão chega bem perto da verdade sobre o que representou, ou o que ainda  representa a trajetória de José Dirceu no cenário da política brasileira.

A história se escreve lentamente através dos anos. Muito ainda está por vir. Passados longos anos, o mais importante meio de comunicação do nosso país admite um grande erro, que levou milhares ao obscurantismo ao apoiar o regime déspota e totalitário que se instalava no Brasil. A maioria não se deu conta, enquanto uns parcos visionários lutavam pela liberdade e pelos preceitos da Democracia.

O que acontecerá no futuro quando tudo o que foi dito, escrito e divulgado agora sobre a realidade dos fatos não corresponder necessariamente à verdade nua e crua? No Brasil, a verdade demora décadas para vir à luz do conhecimento do povo. Infelizmente, na prática da justiça comum usa-se propositalmente uma tarrafa para apanhar peixes pequenos. O sistema judiciário brasileiro obsoleto permite isso, enquanto os "peixes graúdos" detentores do poder seguem soberbamente impunes e imunes, blindados por seus comensais donos dos grandes oligopólios de comunicação. Pense nisso.         


Imagem: reprodução/DCM


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