terça-feira, 8 de maio de 2012

O revés do repórter ao vivo [video]

Quem costuma acompanhar os teles jornais deve ter reparado que nessas reportagens ao vivo nem sempre o repórter se comporta convenientemente dentro da ética. Em muitas ocasiões percebemos o quanto se tornam inoportunos no afã de produzir um furo de reportagem, ou tentar arrancar da fonte ou testemunha, uma informação sobre um  acontecimento qualquer.
É claro que o bom entrevistador, repórter de rua, ou de partida de futebol ao vivo, deve possuir a expertise necessária ao desempenho de suas funções. Mas deve ter muito cuidado para não ser inconveniente, e  às vezes até chato, para não correr o risco de levar um um revés inesperado do interlocutor.
Interessante observar nessas chamadas ou entrevistas ao vivo, que o entrevistador quer que o entrevistado responda o que ele quer ouvir. Ou seja, quase sempre coloca palavras em sua boca, de forma que a resposta lhe seja conveniente. Então, fica com uma informação não muito clara para o espectador. São situações que provocam a inibição do entrevistado, que não lhe permite colocar seu real ponto de vista sobre um fato ocorrido. 

Um exemplo contundente, vem dos repórteres de campo durante o intervalo ou final de uma partida de futebol. Não todos, mas quase sempre o repórter vem com a pergunta e a resposta pronta. Aí, poderá ouvir o que não desejava. 

Veja o que o jogador uruguaio, Loco Abreu, do Botafogo, respondeu em uma entrevista no programa Redação do Sportv. A questão era sobre a resposta de um certo jogador que tinha marcado dois gols na partida, mas também teria perdido o chamado gol feito. Interpelado pelo repórter sobre o fato, o artilheiro deu a resposta "na lata", dizendo que aquela não era a primeira vez nem a última que perderia gols. O entrevistador pede a opinião do "El Loco", que também é jornalista, sobre a resposta ousada do jogador.

- Loco, você como jogador de muita personalidade, que sempre dá entrevistas que fogem da mesmice, eu gostaria de saber o que você achou?

- Eu acho o seguinte: O garoto fez dois gols na partida e o repórter vai lá pra falar justamente do gol que ele perdeu [...] Mas é isso que acontece aqui no Brasil eu já aprendi que aqui não se faz um jornalismo sério, mas um jornalismo de confusão. Ficam explorando a negatividade pra ver se vai render [...] Por exemplo, tem três jornalistas do Globo Esporte que eu não falo mais; eles vão ao treino do Botafogo e eu não falo mais com eles, pois já sei no que vai dar..

Segue a entrevista.

- [...] Pois é você que gosta de discutir tática sente falta disso por aqui, acha que se discute pouco sobre tática no futebol brasileiro?  
- Mas aí é aquilo que eu te falava, o jogo acaba o repórter vem perguntar o que eu achei eu falo que o time jogou num 4 -3-2-1 mais avançado e tal [...] aí o cara vai lá e escreve depois que eu tô querendo questionar o treinador [..] Aí agora, sabe o que eu faço? Não falo mais nada.

Precisava ser um gringo para falar essa verdade. Quer dizer, o repórter vai lá, faz a pergunta errada, ouve o que não queria, e depois interpreta a resposta com bem intende. Como disse o artilheiro botafoguense, que de louco só tem o apelido, é a prática de um jornalismo sem seriedade, que causa só confusão. E muitas vezes a indignação do entrevistado, e por tabela também a nossa. Tudo tem limite.

Para ilustrar o assunto, postei dois vídeos. Confira abaixo. 








Via: ComTextoLivre
Informações: Observatório da Imprensa. 
Imagem: reprodução/brEsportes/Yahoo.
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