quinta-feira, 7 de julho de 2011

Por que custa tão caro ter um carro no Brasil ?

Vamos convir, ter um carro já não é uma opção a mais de conforto. Tornou-se uma necessidade, em vista a minimizar as dificuldades de locomoção que todos os dias temos que enfrentar. Porém, as despesas para se manter um meio de transporte próprio, custa muito caro. Em muitos casos chega a comprometer até 40% do orçamento familiar, se a compra do carro for a crédito. Mas onde está o "X" da questão dessa intriga? Por que a disparidade exorbitante de preços aqui no Brasil, em relação a países como Argentina e Chile, por exemplo?


A primeira alegação dos fabricantes, seria a elevada carga tributária que sofre até que esteja pronto para venda. Certamente isso influi e prejudica o comércio e o consumidor. Afinal, o Brasil é um dos campeões em impostos e taxas. Mas, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, o imposto sobre veículos não acompanhou o aumento dos demais impostos nos últimos anos.  Ademais, na época da crise, de Dezembro 2008 a Abril de 2010, baixou o Imposto sobre Produdos Industrializados (IPI), isentando totalmente os modelos 1.0. O que reduziu em mais de 5% o preço do carro sem repasse para o consumidor. 

A indústria automobilística argumenta que a baixa escala de produção, e o "auto valor da mão de obra", são fatores relevantes a considerar sobre o preço de um carro vendido aqui no Brasil. Mas "não revelam o quanto os salários e benefícios sociais representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por Lei". Em relação à produção até 2010, o Brasil é o quinto maior produtor de veículos do mundo, e o quarto maior consumidor. Só no mercado interno, foram vendidas 3,5 milhões de unidades. Se elevar um pouco mais esses números, não pagaríamos um preço mais condizente, assim como chilenos e argentinos?

Uma verdade inquestionável, é que o impostos aqui no Brasil são de doer. Segundo os especialistas, a carga tributária brasileira está entre as primeiras do mundo, e prejudica a economia, tanto de pessoas jurídicas quanto das pessoas físicas. Taí o Imposto de renda que não nos deixa mentir. Porém, os argumentos e fatores considerados como vilões, para justificar o preço absurdo dos carros no Brasil, tornam-se irrelevantes, se levado em conta a margem de lucro das montadoras brasileiras. Ela é muito maior do que em muitos países. 

Uma pesquisa feita na Inglaterra, pelo Banco de investimento Morgan Stanley, demonstrou que montadoras instaladas aqui no Brasil, são responsáveis por uma fatia considerável do lucro mundial de suas matrizes. Grande parte deste lucro vem da venda de carros dos modelos diferenciados, em relação ao modelo dos quais derivam. Isto é, carros comuns de passeio ganham uma nova maquiagem. Trocam-se os pneus, eleva-se a suspensão, coloca-se um estribo diferente, faróis de milha, estepe do lado externo. Custo disso? De 5% a 7%. Preço de venda: 10% a 15% a mais do que o modelo original. Exemplo: Fox - CrossFox, da Wolks; Palio Weekend - Palio Adventure, da Fiat.

Vamos às comparações de preços, recorrentes através de e-mails nas caixas de correio eletrônico, e confirmadas pela divulgação dos valores de alguns carros comercializados no Congresso dos distribuidores dos Estados Unidos, realizado em São Francisco, em Fevereiro deste ano. Os dados são de responsabilidade da Associación de Concessionários de Automotores De La Republica Argentina (ACARA). Corolla: no Brasil, custa: US$ 37.636,00; na Argentina: US$ 21.658,00; e nos EUA: US$ 15.450,00. O Jetta, é vendido no México por R$ 32.500,00, no Brasil por R$ 65.700,00. Outro exemplo: O Gol I-Motion com airbags e ABS, fabricado no Brasil, é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui custa R$ 46.000,00. O Kia Soul, fabricado na Coréia, custa US$ 18.000,00 no Paraguai e US$ 33 mil no Brasil.

Como pode um carro fabricado no Brasil, custar até 36% a menos lá no Chile? Como diria, Prado, meu confrade amigo, "tem gato na tuba". É óbvio, que 30% de tributo para um carro é injusto. Mas nós, nós mesmos, contribuímos com nossa quota de vilania nesta intriga. Como afirma Rafael Seabra, consultor e educador financeiro, a "culpa é nossa. É o mercado consumidor que define o preço". Porque as montadoras baixariam os preços dos carros se continuamos pagando uma fortuna por eles? Acontece, que brasileiro adora carro, tanto quanto futebol. É muito difícil resistir a tentação de trocar por um "zerinho", todo ano. No entanto, é possível optarmos por um semi-novo, mesmo na troca. Ajuda no bolso, e pode ser uma forma de pressionar as montadoras a baixar o preço do carro novo. Cuja estratégia, é sempre manter os níveis de produção de acordo com o consumo. E, a cada lançamento, jogar o preço lá em cima. Se colar, colou.




Fonte: QueroFicarRico.
Imagem: WebMotors.
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