quinta-feira, 1 de março de 2018

Corrupção: 10 delatores e nenhuma sentença para Paulo Preto, "mala" do PSDB. Por Fernando Brito

Publicado no blog Tijolaço, por Fernando Brito - Benedicto Junior, Roberto Cumplido, Carlos Armando Paschoal, Luiz Eduardo Soares e Arnando Cumplido de Souza e Silva, da Obebrecht; o lobista Adir Assad; Flávio Barra, da Andrade Gutierrez; Léo Pinheiro e Carlos Henrique Barbosa Lemos, da AOS, e Carlos Alberto Mendes dos Santos, da Queiroz Galvão Engenharia.
Junto com Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, diretor do Dersa nos governos do PSDB em São Paulo, fazem os 11 do time em favor de Jpsé Serra e Aloysio Nunes Ferreira, segundo informam os repórteres Mario Cesar Carvalho e Wálter Nunes na edição de hoje da Folha.

Os depoimentos dos dez executivos fazem parte do inquérito da Polícia Federal que tramita no Supremo Tribunal, do qual a Folha obteve cópia. Diferentemente do que ocorre em dezenas de delações, nas quais incongruências e variações na narrativa são comuns, os relatos sobre Souza são similares. 
O que os executivos contam é que Souza, diretor de engenharia da Dersa no governo Serra, pediu a dez empreiteiras que fizeram o trecho sul do Rodoanel um suborno equivalente a 0,75% de tudo que elas recebessem. Como a obra custou R$ 3,5 bilhões em valores da época que foi inaugurada, em abril de 2010, a propina de 0,75% seria de R$ 26,3 milhões.

Boa parte destas acusações tem mais de um ano e o personagem que reclamava de ter sido abandonado "à beira do caminho", pelo visto, já foi resgatado pelos seus pressurosos ex-amigos. Porque, ao contrário de outros de amizades menos interessantes, até agora nem mesmo um mandado de busca e apreensão caiu sobre ele. 

Como o inquérito, o qual o algoritmo do "sorteador do Supremo entregou a Gilmar Mendes, o fantasma de Paulo Preto não sai da caixa e alguém, maldoso, verá aí razões para sua fidelidade a Michel Temer. 

***

Sobre o assunto a Redação do DCM noticiou que, ações contra Paulo Preto em SP detalham os esquemas que ele montou, sem ser incomodado pela Lava Jato. A matéria revela que Paulo Preto serviu como assessor especial da Presidência no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, levado ao cargo pelo hoje chanceler Aloyso Nunes Ferreira, aliado próximo de Serra, que foi chefe da Casa Civil de seu governo. 

Segundo o Globo, autoridades suíças encontraram R$ 113 milhões em quatro contas bancárias do país atribuídas ao ao ex-diretor da Dersa, estatal paulista que cuida de obras rodoviárias. Vieira nega as acusações. De acordo com o Estadão, o Ministério Público da Suíça confirmou nesta quinta-feira (01), que, a pedido da justiça brasileira está levantando documentos e extratos das quatro contas bancárias para envio ao Brasil. 

"Em um debate no segundo turno das eleições de 2010, Dilma perguntou para José Serra sobre Paulo Souza Vieira. A candidata se referia ao homem conhecido pela cúpula do tucanato paulista como Paulo Preto, um importante diretor da Dersa durante sua gestão no governo de São Paulo. O tucano se fez de sonso e se esquivou, mas foi obrigado a comentar o assunto no dia seguinte: "Não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar. Ele foi um factóide criado para que vocês (jornalistas) fiquem perguntando." - Este é o parágrafo de introdução da matéria escrita pelo cientista social e jornalista, autor do Jornalismo Wando, no The Intercept/Brasil sob o título: "A volta do caso Paulo Preto apavora caciques tucanos".

Pergunta que não quer calar: Até quando seguirá a impunidade para os tucanos?

Imagem: reprodução/Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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