quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Brasil - a realidade do preconceito, da intolerância, e da impunidade.

Penso que o dever de um cidadão livre e de bons costumes, além de tudo seja o de promover de forma insistente a busca da verdade. Mesmo que ela se encontre do outro lado do muro, onde tentam esconde-la àqueles portadores rancorosos dos desgraçados vícios do preconceito e da intolerância. Presos a um lodo sem saída que os levam a outros igualmente destruidores: a inveja, e a ganância. Esses sim, os verdadeiros déspotas a praticar crimes contra a democracia, o valor do homem, o respeito pelos outros, e pela sua existência. Pelo simples fato da diferença de ponto de vista, religioso ou politico, caracteristicas físicas, culturais e sociais. Pior! com a certeza da impunidade perante a justiça.
Vejam, Senhores e Senhoras, e jovens do meu querido Brasil, que nossa campanha eleitoral para presidente foi flagrantemente marcada pela presença nefasta da manifestação desses vícios. 
O que verificamos foi a disseminação de uma quantidade fora do comum de e-mails falsos, e spams lotando caixas postais. Com a nítida intenção de atingir mutuamente a imagem e a moral dos candidatos, e assim obter vantagem de um sobre o outro.

Essa atitude inescrupulosa, intolerante, e por muitas vezes preconceituosa em nada contribuiu para a mudança da intenção de voto. Se a Internet permite a profusão rápida de mentiras, inverdades, e meias verdades, é certo que também com a mesma rapidez, torna possível apurar a veracidade dos fatos.

Com o veridito das urnas conheceu-se o vencedor. Isto provocou a interrupção de e-mails mal intencionados. Mas não cessou a pratica da manifestação dos vícios perniciosos. A intolerância e o preconceito, ainda estão presentes em alguns spams que insistem em chegar até nós. Agora, com recheio de raiva e rancor juntos.

O que é interessante notar, é a origem e a autoria dos textos. Elaborados para uma finalidade obscura, talvez àquela de fomentar tão somente o separatismo, o ódio entre as classes em detrimento aos direitos inalienáveis de cada cidadão. Gente culta, de nível social elevado, no entanto sem um pingo de humildade e sabedoria, a delinquir contra o cidadão comum destilando o veneno da soberba. Cegos pelos vícios, não conseguem vislumbrar a autenticidade, a peculariedade, e a tradição cultural e regional do povo desta grande nação. Lograrão êxito? Talvez. Permanecem desapercebidos quanto à ineficácia de suas egoísticas e mal definidas intenções. Se existe uma coisa que brasileiro não tolera, é a própria intolerância.

Percebi vários articulistas, e pessoas doutas a promover a discórdia, e a impedir que o povo possa viver unido, em harmonia, independentemente da classe social ou política, a que pertençam. Elaboram textos eruditos, que divulgados, não demoram a se tornar spams a provocar indignação, inclusive através das redes sociais da Internet. Tal é a insensibilidade de suas palavras e frases, que nota-se claramente um misto de arrogância e injustiça. Por trás desse ato há um exército de pessoas portadoras de uma cegueira nefasta quanto à realidade do país em que vivem, e se encarregam de passar adiante. Julgam ser este um ato nobre, de bom senso. Não tem como identificar, nisso tudo, um objetivo legitimo senão a glória efêmera de sentir-se por cima. Só reconhecida entre seus comensais.

Dois textos que caíram na minha caixa de mensagens me chamaram a atenção. Mencionavam a autoria de  uma professora chamada, Aileda Mattos Oliveira, de 74 anos. Um com o título: Lula, o filho do Brasil, e outro, com o título: Toque de recolher. O primeiro, obviamente uma crítica sem fundamento ao filme (de ficção) que conta a história da trajetória do atual presidente. A autora, septuagenária, menciona no texto palavras e frases como: "o filmeco do palhaço de Garanhuns", "ébrio", "etílico", "poltrão". Em fim, um texto cheio de ilações, ofensas, carregado de ódio, raiva e inveja. Desprovido de qualquer objetivo nobre. O oposto radical da expressão livre do pensamento, de outra estudiosa, filosofa, chamada Marilena Chauí. Quase da mesma idade. 
No segundo texto, apenas uma frase merece destaque:  "Não é sem razão que a caixa eletrônica de votação é chamada "urna", por sepultar todas as esperanças que se tinha a respeito de uma possível sensatez deste povo ignóbil e moralmente doente".  Confesso que não entendi o "ignóbil", nem o "doente". Deixo aos leitores a chance de opinar sobre o flagrante do vicio do preconceito, e o desconhecimento sobre a realidade da vida do povo brasileiro em geral.               

Cito um outro texto utilizado como spam, que igualmente me despertou curiosidade. A autoria é de um jovem jornalista chamado, Leandro Narloch. Cujo título é: Sim, eu tenho preconceito, publicado no jornal A Folha de S. Paulo, em 11/11/10. Relata que logo após a definição das eleições presidenciais, os nordestinos, "responsáveis pela vitória da candidata Dilma Rousseff", sofreram comentários preconceituosos via Twitter. Diz que é reprovável e estúpido o racismo das primeiras mensagens, mas conclui dizendo ter preconceito com a maneira de pensar, e votar, de certas pessoas. E ser contra quem, há dois meses da eleição nem sequer sabe quem são os candidatos. Afirma isso baseado em uma dessas entrevistas de rua com cidadãos comuns.

Esclareço que não estou aqui a tomar partido de nenhum grupo representativo de governantes, quer de esquerda, quer de direita. Apenas quero registrar minha opinião sobre o grande despropósito, e o equívoco que cometem um certo grupo de pessoas ao disseminar esses textos que somente trazem a desarmonia entre as pessoas. Ter preconceito com o modo de alguém pensar e votar, e com pessoas que não sabiam quem eram os candidatos, como escreveu o autor, revela a mesma atitude preconceituosa e arrogante da autora acima citada. O direito, ou o dever de votar, é exclusivo de cada cidadão. Inclusive o interesse em saber quem são os candidatos que pleiteam votos a qualquer tempo. Antes do exercício obrigatório, porém democrático do ato de votar.


No último parágrafo do texto, a "pérola": "eu nutro um declarado e saboroso preconceito contra quem insiste em pregar o orgulho de sua origem". Revela toda a inconsequente intolerância do autor, ressalvado o seu direito de expressão. Se, no entanto, tivesse o privilégio de perguntar sobre isso a algumas pessoas "insignificantes", estaria curado de todos seus vícios perniciosos. Quem dera a ele, (e a nós também) trocar umas ideias com: Rui Barbosa, José de Alencar, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Ariano Suassuna, Luis Gonzaga, Raquel de Queiroz, Marechal Floriano Peixoto, Marechal Deodoro da Fonseca. E mais, Vagner Moura, Tom Cavalcanti, Lazaro Ramos, Renato Aragão, Ivete Zangalo. É uma lista sem fim de pessoas comuns orindas do lado norte do país, de origem humilde, mas que fizeram e fazem a diferença na cultura geral do povo brasileiro. Talvez uma ajuda dos irmãos nordestinos poderia ser bem vinda, em relação a citar mais alguns nomes.

E por fim, a manifestação desclassificada, incoerente, soberba, e igualmente intolerante. O cúmulo do preconceito, da jovem Mayara no Twitter, campeã de comentários de repúdio. Um ato passível de cadeia. Me fez lembrar do episódio do assassinato do índio pataxó, Galdino Jesus dos Santos, em abril de 1997. Quando alguns jovens pertencentes a classe média alta, resolveram se divertir. "Tirar uma" de um cidadão comum, incendiando o seu corpo enquanto este dormia. Condenados pelo crime bárbaro tiveram uma pena branda. E até hoje, desfrutam das benesses da Lei. Usufruto escondido nas bruxarias da Lei, só para quem tem muito dinheiro. É a impunidade velada. E agora esta, de uma jovem com a cabeça cheia de "curtura", de preconceito e de intolerância. Simplesmente sugeriu "nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado". Vai que uns loucos por aí acatem a sugestão fascista. Grande parte da população da cidade sofreria algum tipo de violência.                        

Ao que me parece existem pessoas a se declarar detentoras de um poder ilegítimo sobre as outras. E de virtudes e qualidades que na verdade não possuem. Perdidas em seus objetivos, não conseguem superar os vícios malditos que adquiriram. E querem na "marra", subjugar a grande maioria desprotegida. Maioria que vislumbra uma só coisa: viver feliz, em paz, e com dignidade. Que apesar de tudo, conseguem. Com solidariedade exercitam os plenos direitos da Democracia, nem sempre respeitada em nosso país.

Imagem: Atalmineira.     
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