sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Brasil: regularmente absurdo com nível de seriedade crítico


A crônica publicada pelo jornalista Carlos Motta na quarta-feira (27) em seu blog, me fez lembrar da célebre e polêmica frase atribuída popularmente ao famoso general, estadista e político, Charles de Gaulle, “O Brasil não é um país sério”. Na verdade a frase foi dita por Carlos Alves de Souza Filho, embaixador brasileiro na França (1956-1964), em seu livro Um embaixador em tempos de crise.
Uma rápida consulta no Google e verifiquei que o embaixador teve papel importante no conflito diplomático envolvendo o Brasil e a França conhecido como Guerra da Lagosta no ano de 1962. Fato é, que a frase “pegou” por aqui. Não necessariamente porque o brasileiro não coloque seriedade no que faz, talvez mais por causa do seu espírito pacífico e extrovertido. Traços culturais, revelados em sua paixão pelo Carnaval e futebol.

Entretanto, os absurdos que há muito tempo vemos Brasil afora seguem acontecendo como se fossem uma coisa normal. Mas, além de intrigante, “a frase que De Gaulle nunca disse” tem um história curiosa, contada aqui por Leneide Duarte-Plon. Contém um trecho do livro do embaixador.

Motta, em sua matéria faz referência às frases atribuídas ao extraordinário cantor e compositor brasileiro Tim Maia, falecido em 1998. Segundo o jornalista, os amigos Tim Maia o chamavam de “o síndico” justamente por sua notável capacidade de perceber a “alma” do povo brasileiro. Sempre incisivo quando falava sobre os absurdos  que via no Brasil, criticava com originalidade o comportamento do brasileiro e até a postura da imprensa. Carlos Motta vai mais longe. Começa com Tim Maia e termina com Stanislaw Ponte Preta, criador do Festival de Besteiras que Assola o País, o Febeapá. Leia abaixo, o artigo completo.


O país dos absurdos

Não sei se Tim Maia realmente falou isso, mas a frase é atribuída a ele:
"Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita."
Seja como for, é uma sentença perfeita.
Tim morreu em 1998, antes portanto de Lula ter assumido a presidência.
O país, depois dele, tem menos pobres, mas eles continuam de direita.
As prostitutas continuam a se apaixonar, os cafetões a ter ciúmes e os traficantes a se viciar.
"A coisa que eu mais odeio é a hipocrisia. É a mentira da mentira" - é outra frase atribuída ao extraordinário cantor, assim como essa:

"Eu não aguento mais a imprensa. Ela está mais preta do que marrom. Todo jornalista gostaria de ser artista, todo redator é aquele que não conseguiu ser escritor e todo mundo quer ser cantor."
Ou mais essa:
"O Brasil é uma terra de mestiço pirado querendo ser puro-sangue."
 
Como é fácil perceber, não é à toa que os amigos chamavam Tim de "o Síndico" - a sua capacidade de perceber a "alma" do brasileiro era notável.
É verdade que, nos anos em que viveu, ele teve um farto material à sua disposição para dar, como se diz, asas à sua imaginação.
 
Nem tanto, porém, quanto teria hoje.
 
Afinal, devem ser poucos os lugares do mundo em que o acusado de um crime tem de provar que é inocente; em que o presidente da mais alta corte judiciária compra imóvel em Miami em nome de empresa fantasma; em que a imprensa não acha importante noticiar a corrupção no governo no maior Estado e na maior cidade da federação; em que notórios contraventores ditam a pauta de reportagem da maior revista do país; em que delegados que desbaratam esquemas de crimes do colarinho branco viram réus da ação; em que procuradores públicos põem em gavetas erradas pedidos de investigação; em que senadores pedem esclarecimentos ao ministro da Justiça por ele ter mandado investigar criminosos.
 
Fatos como esses, acho, seriam demais até para um Tim Maia.
 
Para dar conta de tamanha tarefa ele teria de contar com a ajuda, em tempo integral, de outro brasileiro com faro único para descobrir e revelar a canalhice do brasileiro, o infatigável Stanislaw Ponte Preta, criador do imorredouro Festival de Besteiras que Assola o País, o Febeapá.
 
Que dupla!
 
E que país!

PS – Importante é continuarmos na luta incessante para melhorar o Brasil. Contra aqueles que se dizem patriotas e homens de bem, mas no fundo não passam de oportunistas, usurpadores e sugadores do povo brasileiro.  



Imagem: reprodução/códigofonte


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