segunda-feira, 11 de novembro de 2019

"Junta" vai governar Bolívia. O golpe já nem é militar, é policial. Por Fernando Brito

Por Fernando Brito, no Tijolaço - Há informações de que a presidente do Senado da Bolívia, Adriana Salvatierra, também renunciou a seu cargo, a exemplo do presidente da Assembleia do pais, Victor Borda. Com a renúncia de Evo Morales e do seu vice, Álvaro Linera há um vazio de poder.

Fala-se que ele vai ser assumido por uma "junta cívico-policial-militar".

Algo absolutamente impensável neste século 21.

Desta vez, a polícia toma a frente do golpe de Estado, trazendo os militares a reboque.

Sabe-se muito pouco do que se passa fora das ruas do centro de La Paz, onde a classe média comemora, parte dela desfilando nos carros de polícia.

Mas foi lá que Morales perdeu as eleições, enquanto vencia nas periferias, por enormes margens.

Nem a oposição contesta a vitória de Morales, apenas se houve a vantagem de 10 pontos exigida para não haver segundo turno.

Os membros do Tribunal Eleitoral estão sendo presos pela polícia.

O que vais suceder na Bolívia depende da disposição de Evo Morales em resistir.

As últimas notícias são de que ele declarou que não vai pedir exílio no exterior.

Quem conheceu a Bolívia pré-Evo sabe  o que foram os levantes indígenas e o cerco de La Paz a partir das montanhas que cercam a cidade.

Mas para isso é que sua reação seja um ato de resistência, não de desistência.

Se for esta, o golpe se consolidará, rapidamente.

Imagem: reprodução

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