sábado, 8 de dezembro de 2012

Estão falando dos ministros do Supremo

Uma entrevista estranha, e até certo ponto temerária foi dada por um dos ministros do Supremo Tribunal Federal que participou do julgamento do processo do mensalão. O ministro Luiz Fux, falou despudoramente a uma repórter da Folha de São Paulo revelando sua trajetória para ser indicado ao cargo do STF, que tanto almejava.
A entrevista revela toda a peregrinação do ministro e todo o tráfico de influência que existiu para que chegasse a ser nomeado para o cargo que ocupa agora. No fundo, a entrevista revela mais. Que os ministros nomeados pelo presidente da república, antes do rótulo de heróis e deuses como a mídia pretendeu lhes impor. São pessoas iguais a nós. Pobres mortais e incautos cidadãos cumpridores dos seus deveres. Seres humanos, enfim. Leia aqui a entrevista completa, em uma matéria publicada pelo jornalista Luís Nassif.

Não é necessário lembrar-se do bate-boca entre o ministro Joaquim Barbosa e o ministro Gilmar Mendes, que virou polêmica algum tempo atrás. E que o mesmo comportamento pode ser verificado agora no julgamento do mensalão entre o relator Barbosa e o revisor Levandowiski, para concluir o quanto é difícil separar a pessoa do cargo. O relator polarizou. Se indispôs com outros colegas da corte em vários momentos. Mas vamos passar para outra história interessante e curiosa, que envolveu o atual ministro Celso de Mello, membro ativo da corte e que também participou do julgamento.

O ex-ministro do Supremo, Saulo Ramos, autor do livro Código da Vida, conta em uma das passagens da sua obra, a história do julgamento de uma ação do ex-presidente Sarney (seu amigo pessoal), a quem o PMDB havia negado legenda para candidatar-se ao Senado pelo Estado do Maranhão, e que, por isso mesmo, optou por candidatar-se pelo Amapá. Foi publicado por Sebastião José Marques de Oliveira em seu blog, e diz o seguinte:

"O sistema de sorteio do Supremo - conta o autor - fez o processo cair com o Ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá. Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário, Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação  Sarney.
- Deus do céu! O que deu no garoto? Estava preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e, agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por impedido. Votou contra o presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio ser o relator.
Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:
- Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso  do Presidente.
- Claro, o que deu em você?
- É que a Folha de São Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o Presidente Sarney tinha votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles.. Quando chegou minha vez de votar, o Presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. . Não precisa mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de São Paulo. Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente.
Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a engolir e perguntei:
- Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?
- Sim.
- E se o Sarney já houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?
- Exatamente. O senhor entendeu?
- Entendi. Entendi que você é um juiz de merda!
Bati o telefone e nunca mais falei com ele"

Um cidadão comum cumpridor de seus deveres, deve sempre respeitar as leis justas e as instituições legitimamente constituídas. Porém, constatamos de longe que existem as chamadas "coisas de Laurinha" que permeiam a trajetória de alguns ministros até que estes cheguem a exercer o cargo na mais alta corte de justiça do país.



Imagem: reprodução/advivo

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