sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Política: Bolsonaro diz que Dória "mamou" em governos do PT, diante da abertura da Caixa preta do BNDES

Havia grande expectativa criada pelo governo Bolsonaro em relação à Caixa preta do BNDES, que segundo vários segmentos políticos de apoio ao atual governo, o Banco era usado por governos anteriores do PT como instrumento para promover corrupção e favores aos seus aliados. Mas, a abertura da tal Caixa preta do BNDES revelou surpresas não esperadas. E o presidente Bolsonaro aproveitou para fazer críticas insinuosas, a nomes que aparecem como beneficiários de financiamentos, possíveis adversários seus nas próximas eleições. 
Na lista dos 134 contratos de financiamento de jatos executivos da Embraer a juros abaixo dos de mercado, aparecem os nomes dos donos do Itaú-Unibanco, do apresentador da TV Globo Luciano Huck, e também do atual governador do Estado de São Paulo, João Dória.

Reportagem de Ricardo Della Coletta e Flávia Faria, na Folha de S.Paulo em 29/08/2019, mostra que "o presidente Jair Bolsonaro (PSL) atacou o governador de São Paulo, João Dória (PSDB) e, referindo-se à compra de jatinho a juros subsidiados do BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social), disse que ele "mamou" nos governos do PT.

O presidente mirou ainda Luciano Huck, que também adquiriu uma aeronave por meio da linha de financiamento do BNDES. Dória e o apresentador são vistos como possíveis rivais de Bolsonaro nas eleições de 2022.

"João Dória comprou também. Explica isso aí. Só peixe. Amigão do Lula, da Dilma. Eu vejo o Dória falando de vez e quando 'minha bandeira jamais será vermelha'. É brincadeira! Quando estava mamando lá a bandeira era vermelha como um foiçasso e um martelo sem problema nenhum, né?", disse, encerrando com um grito de "ihuuu".


Segue a reportagem: "A empresa Dória Administração de Bens, do governador paulista, é uma das citadas com um empréstimo de R$ 44 milhões
Já Huck pegou R$ 17,7 milhões com o BNDES por meio do Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos). O empréstimo se deu em 2013 por meio da empresa Brisair, da qual é sócio junto com sua mulher, Angélica Huck.

"Olha a caixa preta do BNDES apareceu. Já aquela galerinha da compra de aviões com [juros de] 3,5% ao ano. Que teta, heim? O que é isso, Luciano Huck? Eu sou o último capítulo do caos?", disparou Bolsonaro, referindo-se a expressão semelhante à usada pelo apresentador para criticar a atual administração federal - em palestra no dia 14, Huck disse que "estamos vivendo o último capítulo do que não deu certo".  

Não há indícios de ilegalidades nos empréstimos, o que Bolsonaro reconheceu no vídeo. 
Por meio de nota, o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, descartou haver qualquer problema com as operações da empresa de Dória junto ao BNDES. 
"A Embraer vendeu mais de 135 jatos executivos e comerciais para empresas brasileiras e estrangeiras com financiamento do BNDES, gerando empregos e impostos para o Brasil. Nada de errado nisto."

Quando da divulgação da lista, Dória, em postagem nas redes sociais, classificou como "oportunismo" a associação de empréstimo tomado por sua empresa a "algo errado".
Já Luciano Huck disse, em texto enviado à coluna da Mônica Bergamo na semana passada, que o empréstimo que fez junto ao BNDES para comprar um avião foi "transparente, pago até o fim, sem atraso", diz a reportagem.

Pontos de distanciamento entre Dória e Bolsonaro

Corrupção - Governador não mantém na equipe membros importantes com acusações de irregularidades, mesmo sem provas. Caíram assim Gilbero Kassab (Casa Civil), antes de assumir, e Aloysio Nunes (InvestSP). Enquanto isso, o ministro do Turismo, implicado no laranjal do PSL, segue no cargo. 

GP Brasil - O presidente faz campanha aberta para tirar o GP Brasil de Fórmula-1 de São Paulo para o Rio, embora haja impedimentos técnicos. Dória rejeita a ideia e diz que vai brigart para que a prova siga em Interlagos. 

Ditadura - Bolsonaro sugeriu que o pai do presidente da OAB não desapareceu na ditadura, e sim foi morto por colegas de luta armada. Ele o fez sem provas e sofreu críticas. Já Dória reagiu e criticou o presidente, até porque teve o pai cassado pelo regime de 1964.

Moro - Desde que Sérgio Moro entrou na linha de tiro pelo caso The Intercept, Dória vem distribuindo afagos ao ex-juiz. Já Bolsonaro tem subido a temperatura da fritura do seu ministro, a ponto de aliados do governador defenderem convidá-lo para integrar seu governo. 

Nepotismo - O tucano disse que não nomearia parente para cergo público, ao comentar a indicação de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, para ocupar a embaixada do Brasil em Washington. 

Extremismo - Em entrevista na China, Dória defendeu a moderação e o centrismo na política como um desejo da sociedade, e disse esperar que Bolsonaro retomasse o caminho do diálogo após uma série de declarações e acenos à fatia mais radical de sua base eleitoral.

[A lista de bilionários que se beneficiaram dos juros subsidiados para adquirir veículos de altíssimo luxo inclui ainda, os irmãos Joeley e Wesley Batista, do grupo JBS, a família Moreira Salles, dona do Itaú-Unibanco, inclusas mais 131 pessoas físicas e jurídicas. As Lojas Riachuelo, do empresário e apoiador do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Rocha, e as Casa Bahia, de Michel Klein, também estão na lista. Clique aqui e confira o TOP 10 dos empréstimos no BNDES, na copra de jatinhos e os valores financiados a juros camaradas]

Imagem: reprodução/redes sociais

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