sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Bolsonarista Dunga é cotado para técnico do Corinthians, clube que defendeu na era da Democracia

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De Breiller Pires no El País Brasil - Antes de se tornar "capitão do tetra", o gaúcho Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido pelo apelido de Dunga, iniciou a carreira como jogador no Internacional e, pelo destaque na seleção de juniores, foi contratado em 1984 para jogar no time mais popular de São Paulo.
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Era a reta final da Democracia Corintiana, movimento criado dentro do clube na esteira das Diretas Já, a manifestação popular que reivindicava o direito de votar para escolher o presidente do Brasil, em plena ditadura militar. A passagem do volante pelo Parque São Jorge durou pouco, porém o suficiente para que seus caminhos voltassem a se entrelaçar recentemente.


Hoje treinador, Dunga entrou na lista de cotados para assumir o comando do Corinthians - que neste momento está com o interino Dyego Coelho - pela ligação, ainda que breve, com o clube. Uma ironia para quem, fora do futebol desde que deixou o comando da seleção, se converteu em um antipetista fervoroso e, principalmente, como costuma dizer a amigos, um soldado sempre a postos para combater o comunismo. No fim de setembro, compartilhou em suas redes sociais uma frase de John Lennon, em reprimenda ao cristianismo, falsamente atribuída a Manuela D'Ávila, candidata a prefeita de Porto Alegre pelo PCdoB.

 

Em mais de uma ocasião, já publicou frases imputadas a João Figueiredo, último presidente da ditadura, como "o povo clamará nas ruas pela democracia implantada por nós em 1964 [em alusão ao golpe militar]". Ao responder seguidores, Dunga se refere com saudosismo ao período ditatorial, argumentando que, sob o comando dos militares, havia segurança nas ruas e "os professores eram respeitados", além de afirmar que "a maioria dos que foram presos naquela época está metida em corrupção".


Há 35 anos, ele fez sua última partida vestindo a camisa alvinegra, uma derrota para o Comercial-SP. Não conquistou nenhum título com a chamada "seleção corintiana", que reunia estrelas como De León, Biro-Biro, Zenon e Serginho Chulapa, mas decepcionou em campo ao cair na segunda fase do Campeonato Brasileiro e não se classificar para as semifinais do Paulista de 1985. Após a saída do ídolo Sócrates, integravam ainda a equipe Casagrande e Wladimir, líderes remanescentes do movimento de jogadores que participava da tomada de decisões no clube e lutava pela democracia.


Nessa época, o volante recém-contratado já tinha proximidade com figuras ligadas ao regime militar. Uma de suas principais influências na juventude era seu padrinho Emídio Perondi. Amigo da família de Dunga em Ijuí, interior do Rio Grande do Sul, ele foi prefeito da cidade pela Arena, partido aliado aos militares no poder. Como deputado federal, votou contra a emenda Dante de Oliveira, proposta que previa a retomada das eleições diretas no Brasil. A derrubada da emenda pelo Congresso influenciou Sócrates a deixar o Corinthians e o país, uma sentença de morte para a Democracia Corinthiana.


Perondi levava a sério o fato de apadrinhar Dunga. Foi ele quem o levou para fazer teste no Internacional, oferecendo, inclusive, moradia em Porto Alegre. Nome influente no futebol -chegou a ser presidente da Federação Gaúcha e um dos vices da CBF -, interveio diretamente no comando do Inter quando soube que o time gaúcho pretendia dispensá-lo. Dunga permaneceu. 

Leal aos princípios de seu padrinho, ele sempre bradou pelos ideais patrióticos de ordem e disciplina, tais quais os pregados pelo regime militar, ainda que nunca tenha servido ao Exército. No início de 1984, jogadores e comissão técnica haviam ensaiado uma espécie de democracia colorada, inspirada no movimento do Corinthians, mas o jovem volante foi um dos atletas que torceu o nariz para a iniciativa e apoiou a medida do presidente Roberto Borba de vetar manifestações políticas.


Ideais que Dunga jamais abandonou, seja como capitão do Brasil no tetracampeonato mundial, em 1994, ou como técnico, função que assumiu pela primeira vez em 2006, na própria seleção, por sugestão de Emídio Perondi a seu amigo Ricardo Teixeira, então presidente da CBF. Com regras rígidas para jogadores e imprensa, ele estabeleceu um código de conduta quase militar na preparação para a Copa da África do Sul, regido por horários de refeições conjuntas e veto a bebidas alcoólicas na concentração. "Não sou ditador", defendeu-se o técnico antes da Copa ao justificar o estilo centralizador. "Apenas valorizo a disciplina, a ordem e a hierarquia."

(...)


Via: O Essencial

Imagem: reprodução 


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