sexta-feira, 19 de junho de 2020

Bolton e Moro na lista dos comunistas. Por Bernardo Mello Franco

Por Bernardo Mello Franco, em O Globo - Em novembro de 2018, um assessor de Donald Trump baixou no condomínio da Barra para visitar um morador ilustre. Ao recebê-lo na porta, o dono da casa 58 prestou continência. Foi o primeiro ato da sua relação de vassalagem com os Estados Unidos.

Conservador radical, Bolton era o poderoso assessor de Segurança Nacional da Casa Branca. Tempos depois, deixaria o cargo por discordar da aproximação de Trump com a Coreia do Norte. Agora ele vai lançar um livro repleto de acusações ao ex-chefe. 

Os jornais americanos já publicaram alguns trechos da obra. Numa passagem explosiva, Bolton afirma que Trump pediu ajuda à China para se reeleger. O republicano também teria interferido em investigações para favorecer ditadores amigos. "Seu padrão parecia ser a obstrução de Justiça como modo de vida, o que não poderíamos aceitar", escreve o autor.

A Casa Branca tentou proibir a publicação das memórias. A editora Simon & Schuster reagiu com um slogan irresistível: "O livro que Donald Trump não quer que você leia". O lançamento ainda não chegou às livrarias e já lidera as vendas on-line. Agora Bolton arrisca ser incluído na lista oficial dos comunistas.

No Brasil, Sergio Moro enfrenta situação parecida. Depois de colaborar com a ascensão do bolsonarismo, o ex-juiz caiu em desgraça com a clã presidencial. Já foi chamado de tudo, até de simpatizante do PT.

Ontem o vereador Carlos Bolsonaro voltou a atiçar o gabinete do ódio contra o ex-aliado. "E pensar que o start de toda essa angústia que o Brasil está passando foi dado por Sergio Moro...", tuitou.

Bolton já sabia dos fatos que relata no livro, mas se negou a depor no processo de impeachment contra Trump. Moro também sabia quem era o capitão, mas defendeu sua honradez em troca de um ministério e uma promessa de vaga no Supremo.

Na terça-feira, o ex-juiz disse ao "Valor Econômico" que o governo Bolsonaro "não se empenhou" no combate à corrupção. Ele participava de tudo, mas levou um ano e quatro meses para notar. 

Imagem: reprodução/Foto: Kevin Lamarque/Reuters e Pablo Jacob

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