sábado, 1 de dezembro de 2018

Política: Ministério Público quer cassar eleição de Fernando Francischini (PSL) por uso de fake news

Por Rafael Neves, especial para o Congresso em Foco - A Procuradoria Regional do Paraná (PRE-PR) pediu à Justiça Eleitoral, nesta quinta-feira (29), a casação do diploma (que será expedido no próximo dia 18) e a inelegibilidade por oito anos do deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR).
Um dos principais aliados de Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara, Francischini é alvo de uma ação de investigação judicial (aije) que o acusa de ter impulsionado a própria candidatura com base em notícias falsas que questionaram a lisura do processo eleitoral. Membro da chamada "bancada da bala", Francischini foi eleito deputado estadual no último mês de outubro. Ele foi o mais votado no Paraná - teve apoio de 427.627 eleitores  - e ajudou no desempenho do PSL no estado.

"O uso abusivo dos meios de comunicação, no caso a internet, para divulgação de notícias falsas e sabidamente inverídicas relativas a "fraudes" em urnas eletrônicas, certamente foi capaz de prejudicar a livre manifestação da vontade política popular, demonstrando a potencialidade de as condutas ilegais beneficiarem o candidato - o próprio Francischini, bem como seu partido político - PSL", afirma um trecho do documento de 20 páginas, assinado pela procuradora Eloisa Helena Machado.


O Congresso em Foco procurou Francischini para comentar o processo, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. 

Fake news

Em uma live em seu Facebook oficial no dia 7 de outubro, data do primeiro turno das eleições, Francischini fez uma live afirmando que os advogados do PSL teriam descoberto duas urnas "fraudadas ou adulteradas" no Paraná.

O vídeo continua disponível na rede social do parlamentar. Até esta quinta (29), havia mais de 315 mil curtidas e mais de 410 mil compartilhamentos do conteúdo. 

"Nós estamos estourando isso aqui em primeira mão pro Brasil inteiro para vocês. Urnas ou são adulteradas ou fraudadas. Com a ajuda do juiz eleitoral e do promotor eleitoral. A gente tá trazendo essa denúncia gravíssima antes do final", afirma no vídeo.

Segundo Francischini, os equipamentos não teriam permitido que eleitores votassem em Bolsonaro ao apertarem o número 17, o que ele classificou como um "cambalacho" para prejudicar o então candidato à presidência da República. 

***
[O deputado federal, delegado Fernando Francischini desistiu de concorrer a uma vaga no Senado a pedido do então presidenciável Jair Bolsonaro, que o teria convencido a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa para "ajudar na eleição de uma grande bancada de direita".

A desistência de Francischini supostamente favoreceria a candidatura do ex-governador Beto Richa, candidato a senador, e que acabou não se elegendo. Richa, e mais 12 pessoas ligadas diretamente ao seu governo, pouco antes do primeiro turno das eleições foram alvos de denúncia do Ministério Publico Estadual, acusados de corrupção e fraude à licitação. O governador licenciado e sua esposa, acabaram sendo presos e soltos logo depois por determinação do ministro Gilmar Mendes do STF.

Francischini, então secretário de segurança do ex-governador Beto Richa, foi quem comandou o massacre no protesto dos professores e servidores públicos em 2015. Mais de duas centenas de manifestantes ficaram feridos. Dias depois o parlamentar do PSL (ex-Solidariedade) pediu demissão do cargo, junto com o chefe geral da Polícia Militar do Estado.]
     
Imagem: reprodução

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