quinta-feira, 12 de julho de 2012

Senado cassa o mandato de Demóstenes Torres. Triste fim de um falso político

Em sessão histórica, o plenário do Senado cassou o mandato do senador Demóstenes Torres. Eram necessários 41 votos. Votaram 80 senadores. Sendo 59 votos a favor, 19 contra, e cinco abstenções em votação secreta . Torres, está banido da política até 2027. Esta é a segunda vez que um senador é cassado por seus colegas no Senado. A primeira aconteceu em 2000, com o senador  Luiz Estevão (PMDB-DF), sob acusações de desvio de dinheiro das obras do TRT de São Paulo.
Durante três meses, o Conselho de ética do Senado trabalhou com base nas provas e depoimentos originários das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. E chegou a decisão unânime que determinou a cassação do senador que foi escorraçado no plenário. Torres, passou os últimos dias tentando, em vão, se defender das acusações que lhe foram imputadas. Inclusive, a de colocar o seu segundo mandato a favor das ações do empresário, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal desde Fevereiro deste ano.

Sobre Cachoeira pesam acusações de vários crimes. A principal, é a de comandar uma rede de exploração do jogo ilegal no Estado de Goiás. Com as investigações, soube-se que ele chefiava uma organização criminosa, e era o principal articulador de um grande esquema de corrupção. Onde estavam envolvidos, Demóstenes, que se encarregava de lhe passar informações do Congresso, e vários outros políticos importantes. O processo foi objeto de instalação de CPMI em andamento no Congresso, que já contou com os depoimentos dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), além de outros políticos e empresários envolvidos na trama.

Demóstenes, em seu discurso de defesa na tribuna do Senado, afirmou que estão lhe acusando sem provas. Pediu que fosse julgado pelo judiciário, e que a imprensa também o acusou de uma forma leviana que não corresponde a verdade (veja a reportagem completa aqui). Mas, as investigações da Polícia Federal comprovaram que não foi bem assim. E a mesma imprensa dúbia, que antes lhe concedera suporte para atacar o Governo e os seus adversários políticos com denúncias de corrupção e práticas criminosas, também provaria o contrário. (Clique na imagem abaixo)

Reprodução/Globo.com
Porém, o senador agora cassado por quebra de decoro e conduta imoral, praticava os mesmos atos obscuros e reprováveis que tanto atacara. Sob a pecha de representante da ética e dos bons costumes, foi "um dos maiores inimigos da liberdade e do direito de defesa, sempre pronto a atirar pedras em quem quer que fosse, em troca de alguns instantes a mais de fama". Torres, se transformara em um legítimo simbolo da hipocrisia que existe nos labirintos da política brasileira. Pobres dos ditos "mensaleiros", que em breve serão julgados e punidos (esperamos) pelo STF, que com todas as suas falcatruas não chegaram sequer aos pés do falso político, enganador de eleitores, e inimigo da sociedade, tal qual era sua incomparável desfaçatez. 

Estranho. Foram 19 os fiéis escudeiros do ex-senador que votaram contra sua casação, e mais cinco que se absteriam secretamente. Quem serão eles? Podem ser considerados cúmplices e apoiadores da conduta reprovável do ex-senador. Logo não poderão se esconder da sociedade. O plenário do Senado já aprovou a PEC 86, cujo texto estabelece o voto aberto em situações como esta de Demóstenes Torres. Nenhum deles, que antes eram 40 nobres parceiros, subiu à tribuna para defender a probidade, a integridade e o moralismo impecável do companheiro.  
Estranho e curioso, é que o substituto de Demóstenes, foi casado com a atual esposa de Carlinhos Cachoeira. O suplente, Wilder Morais é um dos empresários mais ricos de Goiás. Muito conhecido no Estado, teve dois filhos com a ex- mulher, Andressa Mendonça, que ganhou o título de musa da CPI, oferecido pela mídia temerária. A bela abandonou Morais para ficar com Cachoeira. O empresário atualmente é secretário de Infraestrutura no governo de Marconi Perillo (PSDB) em Goiás. Tudo dentro de um só balaio.

Torres, ex-procurador-geral de Justiça de Goiás, presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça e secretário de Segurança Pública de seu Estado, momemtaneamente consagrado como paladino da moralização na política, senador cassado, volta para suas funções de procurador de Justiça. Cargo que deixou para praticar a política rasteira que o condenaria ao limbo. Nunca deveria ter tomado tal decisão. Enebriado pelo canto da sereia e pela ganância de poder, teve um melancólico fim. Que sirva de exemplo.
Infelizmente, amanhã tudo cairá no esquecimento. 


Fonte: Terra
Informações e imagens: 247




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