sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Petrobras: PSDB também aparece no esquema de corrupção


É estranho, que somente determinados trechos do depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa à Polícia Federal tenha vazado oportunamente em plena campanha eleitoral. Mais estranho ainda, é que tenham aparecido na “delação premiada” do ex-diretor, primeiramente os nomes de integrantes do atual governo, ou de partidos da base. Como se fosse um plano estrategicamente preparado para desconstruir a imagem da administração da estatal e do governo do PT.
As denúncias do ex-diretor, que se devidamente apuradas, certamente trarão novidades ainda mais aterradoras. Até o momento, serviram para fornecer combustível e bombar a campanha eleitoral do candidato de oposição ao governo. Como comentamos aqui, a trajetória de Paulo Roberto Costa e suas ações temerosas na administração da Petrobras começou bem antes, quando o PSDB estava no poder. Demorou, mas não tanto, para que começassem a surgir informações mais abrangentes. No esquema de corrupção comandado por Costa, na Petrobras, com foco em nomes do PT e aliados, começam a surgir o envolvimento também de integrantes do PSDB.

O PSDB é maior partido de oposição ao atual governo. E como todos sabem, é o partido ao qual pertence o candidato concorrente à presidência da República, Aécio Neves. Como oponente à reeleição da presidente Dilma Rousseff, Aécio vem conduzindo sua campanha focando justamente nesse ponto. Agora, sua principal argumentação usada na campanha e nos debates contra a adversária e sustentada com o esquema de corrupção da Petrobras terá que ser repensada. Esquema de corrupção que segundo ele, era comandado exclusivamente pelo PT, partido da presidente.

Aliás, no último debate, ontem no SBT, se ambos os candidatos tinham a intenção de ampliar o número do seu eleitorado, saíram na mesma. Não acrescentaram nada de consistente ao debater sobre legítimas propostas de governo. Na maioria do tempo se limitaram ao tema corrupção e ataques pessoais, que não convencem mais ninguém. Ao meu ver, na próxima pesquisa deve aumentar o percentual de indecisos, brancos ou nulos. Com estas informações recentes, o esquema de Costa se torna menos petista, suprapartidário, abrangendo todas as forças políticas, inclusive da oposição. “Dificulta a exploração política do caso às vésperas do segundo turno”.

Transcrevo na íntegra, matéria sobre o assunto:  

Holofote sobre PSDB complica uso político na Petrobras

"Quem também pediu propinas ao ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi ninguém menos que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra; ontem, já havia surgido também a acusação de que o senador eleito Fernando Bezerra Coelho, do PSB, havia levantado R$ 20 milhões para a reeleição de Eduardo Campos, em 2010; com as revelações, o esquema de Costa se torna menos petista e mais ecumênico, atingindo todas as forças políticas, inclusive da oposição, o que dificulta a exploração política do caso, às vésperas do segundo turno".

247 - A manchete da Folha de S. Paulo desta sexta-feira traz um complicador para a estratégica política do PSDB, de usar o esquema comandado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como arma contra o PT, às vésperas do segundo turno. Costa também disse ter pago propinas a ninguém menos que Sergio Guerra, ex-presidente nacional do PSDB. Ontem, numa outra revelação, surgiu a história de que o senador Fernando Bezerra Coelho, do PSB, também levantou R$ 20 milhões para a reeleição de Eduardo Campos, em 2010. Assim, o esquema denunciado na Operação Lava-Jato se torna mais ecumênico e suprapartidário – e não apenas petista.


Leia, abaixo, reportagem da Reuters sobre Guerra:

(Reuters) - O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse em um depoimento ao Ministério Público Federal que repassou propina para o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, para ajudar a esvaziar uma CPI criada para investigar a estatal em 2009, segundo notícia publicada no site do jornal Folha de S.Paulo.
Guerra, que morreu em março deste ano, era senador por Pernambuco e presidente do partido na época, além de integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Segundo a Folha, quatro pessoas envolvidas na investigação da Operação Lava Jato confirmaram que o líder do PSDB foi citado em um dos depoimentos de Costa, depois que ele decidiu colaborar com as autoridades.

Ainda de acordo com a reportagem do jornal, Costa disse que empresas que prestavam serviços à Petrobras queriam encerrar as investigações da CPI. Embora a oposição fosse minoritária na CPI, as empreiteiras temiam prejuízos com a repercussão na imprensa das investigações.

O PSDB divulgou nota afirmando que defende que todas as denúncias de Costa sejam investigadas.
Segundo a Folha, Francisco, filho de Guerra, disse não ter nada a dizer sobre a acusação, acrescentando que preserva o legado do pai "com muita honra".


(Por Alexandre Caverni)
Imagem:reprodução/247


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